NOVA DELHI — As esperanças represadas e as frustrações dos jovens indianos encontraram vazão em um movimento de protestos que ganhou força na semana passada na capital, Nova Delhi, forçando o governo a fazer concessões.Uma multidão de milhares de pessoas foi mobilizada por um chamado dos líderes de um movimento juvenil para reformar o conturbado sistema educacional da Índia e exigir a renúncia do ministro da Educação do país, Dharmendra Pradhan, a quem responsabilizavam por um exame de admissão universitária mal conduzido que deixou milhões de estudantes na mão.Leia tambémTrump quer alertas na porta de museu que, segundo ele, distorce a história dos EUAPresidente dos EUA afirmou que as placas no Museu Nacional de História Americana corrigiriam o que um contestado relatório da Casa Branca descreveu como “ativismo político extremo”Inteligência dos EUA vê novo líder do Irã mais disposto a desenvolver bomba nuclearO líder supremo anterior, morto no início da guerra, havia renunciado às armas nucleares. As agências de espionagem dos EUA acreditam que seu filho tem mais interesse em construir uma bombaNo sábado, Pradhan apresentou sua renúncia a Modi, dando aos manifestantes uma vitória expressiva, e os organizadores declararam o fim dos protestos. Mas as queixas que alimentaram os protestos uniram um movimento que atraiu ativistas e acadêmicos, adolescentes curiosos, pais de trabalhadores manuais e filhos de famílias abastadas, celebridades consagradas e influenciadores recém-descobertos, ateus, agricultores, líderes religiosos e até um homem usando uma máscara do Homem-Aranha.O movimento pode continuar a representar um dos desafios mais significativos dos últimos anos para a liderança do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, com os jovens respondendo por 40% da população da Índia.Confira alguns de seus depoimentos colhidos durante os protestos da semana passada:Amal Hayat, 20 anosAmal Hayat, 20 anos, estudante de engenharia elétrica e de computação na Universidade Jamia Millia Islamia, em Délhi, é exatamente o tipo de jovem cujas ambições são essenciais para a visão de Modi de uma “Vikshit Bharat”, ou Índia desenvolvida, até 2047.Ela é a primeira mulher da família a ir para a faculdade — um motivo de orgulho — e disse ter escolhido engenharia porque tinha facilidade com matemática e queria seguir carreira em inteligência artificial. “Resolver problemas me traz paz”, disse ela.Ela se juntou aos protestos não por causa de uma pessoa, de um partido político ou de um movimento. “É sobre os problemas, os estudantes, é sobre o futuro do país”, disse ela.E, para ela, é uma questão de justiça. Ela circulou pelo local dos protestos na tarde de quinta-feira segurando uma grande folha de papel na qual havia escrito com tinta preta: “Cassetete para estudantes, guirlandas para estupradores.”Hayat disse estar fazendo um comentário sobre a impunidade. Ela contrastou os cassetetes usados pelas forças de segurança para golpear manifestantes durante a marcha em direção ao parlamento na segunda-feira com o tratamento dado a alguns políticos indianos que continuam a desfrutar das mordomias da vida pública mesmo enfrentando processos criminais por acusações graves, incluindo estupro.“Que tipo de justiça é essa?”, perguntou ela.Anshu Gudiya, 13 anosAnshu Gudiya, uma aluna do oitavo ano que mora em Faridabad, cidade na grande área metropolitana de Délhi, disse que foi aos protestos para ver o que estava acontecendo, mesmo que isso significasse faltar um dia de aula.Seu pai trabalha em um hotel em Délhi, e sua mãe é costureira. Seus pais a deixaram ir sozinha, disse ela, porque o escândalo que deu origem ao movimento de protestos — o exame universitário mal conduzido — “também afeta o meu futuro.”Ciências é sua matéria favorita na escola, disse Anshu, e ela quer estudar aprendizado de máquina e inteligência artificial, duas áreas que exigem exames administrados pelo governo para ingressar nas melhores faculdades públicas de engenharia. Ela ainda não pensou em seu futuro além disso, mas espera um dia “trabalhar no Google.”Anshu disse que levou mais de três horas, após várias baldeações de trem e uma carona em uma bicicleta alugada, para chegar ao local do protesto, ao lado do observatório Jantar Mantar, do século XVIII. Ela foi preparada para o sol implacável de Délhi, com um lenço na cabeça e protetor solar.Ela soube dos protestos e do grupo por trás deles, o Cockroach Janta Party, pelo Instagram. “Eu também queria ver o protesto com meus próprios olhos”, e entender como as pessoas realizam manifestações contra o governo, disse Anshu.Chandan Kumar, 28 anosChandan Kumar, 28 anos, é motoboy, não estudante, mas as reivindicações do movimento de protestos ressoaram nele.Como milhões de jovens indianos, ele foi forçado a escolher entre continuar os estudos e arrumar um emprego. Ele disse ter abandonado o ensino médio após a mãe adoecer, e a família precisar de renda extra para cobrir os custos do tratamento médico. Encontrou trabalho na construção civil e, com o tempo, abriu mão do sonho de voltar a estudar.Em determinado momento, disse ter aprendido a usar o Excel e se candidatado a vagas de digitação, mas não conseguia digitar rápido o suficiente. Em 2018, encontrou emprego como entregador em uma popular plataforma de delivery de comida. “Quando uma pessoa não tem mais opções, precisa fazer o que aparecer pela frente”, disse Kumar.O trabalho é “bom o suficiente”, disse Kumar, enquanto sentava em sua moto, descansando entre uma entrega e outra de pedidos feitos pelos próprios manifestantes — de pizza a curry de legumes.Kumar disse apoiar a exigência dos manifestantes pela renúncia do ministro da Educação. Ele está esperançoso de que o sistema educacional será corrigido para que seu filho tenha um futuro melhor. “Comparado a onde estou, meu filho vai chegar a um lugar cem vezes melhor.”c.2026 The New York Times CompanyThe post Quem são as pessoas que protestam na Índia? appeared first on InfoMoney.
