Raiva contra Trump levou suspeito a cruzar os EUA e atacar evento, dizem autoridades

Blog

Antes de embarcar em uma viagem de costa a costa nos EUA, Cole Tomas Allen deu diferentes explicações para as pessoas à sua volta sobre por que iria desaparecer por alguns dias, segundo textos que, de acordo com autoridades, foram deixados por ele.A colegas de trabalho e alunos que ele dava aula particular, disse que tinha uma emergência pessoal. Para os pais, falou apenas que faria uma entrevista de emprego.Mas Allen parece ter tido um plano bem diferente – e bem mais sombrio – quando pegou um trem da Califórnia para Washington, segundo dois altos funcionários da área de segurança que afirmam que ele está agora sob custódia, acusado de romper a barreira de segurança nos arredores do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e abrir fogo.Leia tambémTrump se irrita com pergunta sobre manifesto de atirador: ‘não sou pedófilo’Presidente dos Estados Unidos sofreu uma tentativa de ataque na noite do sábado (25), durante evento realizado Washington HiltonTrump defende serviço secreto e diz que não percebeu tiroteio de início“Foi um pouco culpa minha. Queria ver o que estava acontecendo e não estava facilitando para eles (Serviço Secreto). Estava cercado por pessoas ótimas e provavelmente as fiz agir um pouco mais devagar”, declarou TrumpAgora, quem conviveu com Allen tenta conciliar a imagem do rapaz tranquilo com o ato chocante de violência política do qual ele é acusado.O suspeito, que não teve o nome divulgado oficialmente, foi identificado pelos dois agentes como Allen, 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia. Ele deve responder por múltiplos crimes em uma audiência marcada para esta segunda-feira.Nos textos atribuídos a Allen, as autoridades dizem que ele oscila entre o remorso por ter enganado amigos e familiares e a gratidão por uma vida de amor e apoio. Em alguns trechos, demonstra indignação com políticas adotadas pela Casa Branca e faz referência a acusações de conduta sexual imprópria, dizendo que não está “mais disposto” a permitir que um “traidor manche minhas mãos com seus crimes” — numa alusão aparente ao presidente Donald Trump, embora ele não seja citado nominalmente.Os dois agentes que compartilharam os escritos com o The New York Times pediram anonimato por não estarem autorizados a falar publicamente sobre o caso.Até domingo, não estava claro se Allen já tinha advogado constituído. Familiares próximos se recusaram a comentar a prisão ou não responderam aos pedidos de entrevista.Nos textos, o suspeito diz ter ido ao Washington Hilton em busca de integrantes do governo Trump.“Autoridades do governo (com exceção do sr. Patel): eles são alvos, priorizados do mais alto escalão ao mais baixo”, diz um trecho, aparentemente em referência a Kash Patel, diretor do FBI. Não fica claro, a partir do documento, por que Patel foi citado nominalmente.A retórica contrasta com a imagem que Allen tinha entre vizinhos, ex-colegas e alunos de reforço escolar em Torrance, subúrbio de Los Angeles. Foi lá que a casa onde ele morava foi cercada, pouco antes da meia-noite de sábado, por uma equipe tática do FBI.Allen era registrado como eleitor “sem preferência partidária” — o equivalente, na Califórnia, a um independente. Seu único registro de doação política encontrado em bases públicas é de US$ 25 para a campanha de Kamala Harris, candidata democrata à Presidência no fim de 2024.“Ele parecia um cara totalmente comum”, contou Max Harris, aluno do último ano do ensino médio em uma escola da região, que teve aulas com Allen por vários meses. Ele falou na noite de sábado, enquanto acompanhava a movimentação de agentes federais e curiosos em frente à casa simples de dois andares em que o tutor vivia em Torrance.“Eu nunca imaginaria algo assim vindo de um cara como ele”, completou.Allen atuava como tutor na C2 Education, que divulgou nota neste domingo dizendo que está cooperando com as investigações. “A violência nunca é a resposta”, afirmou a empresa.Policiais prendem Cole Tomas Allen, suspeito de abrir fogo em evento com Trump (Foto: DONALD J TRUMP via Truth Social/Handout via REUTERS)Segundo as autoridades, o suspeito do ataque de sábado foi detido pouco depois de atravessar correndo um ponto de checagem de segurança e trocar tiros com agentes federais dentro do Washington Hilton. Ele portava facas, uma espingarda e uma pistola, de acordo com os investigadores.Inicialmente, ele deve responder por duas acusações de uso de arma de fogo e uma de agressão a agente federal com uso de arma perigosa, informou Jeanine Pirro, procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, no sábado. A primeira audiência está marcada para segunda-feira, em um tribunal federal. Novas acusações não estão descartadas.Allen nasceu no condado de Los Angeles e é o filho mais velho de quatro irmãos.Até a noite de sábado, o pai de Allen aparecia em registros online como decano da Grace Torrance, igreja que se apresenta como protestante de tradição reformada.Em 2013, Allen ingressou no Instituto de Tecnologia da Califórnia, o Caltech, uma das universidades de pesquisa mais seletivas dos EUA, em Pasadena. Na época, segundo dados federais, o Caltech aprovava menos de 11% dos candidatos à graduação.Ele estudou engenharia mecânica e se formou com média 3,0 (GPA), de acordo com seu perfil no LinkedIn.Depois de concluir a graduação, em 2017, Allen passou alguns anos trabalhando como engenheiro mecânico, desenvolvedor independente de videogames e professor particular de preparação para provas e vestibulares, ainda segundo o LinkedIn.Em 2022, ingressou na California State University, Dominguez Hills, para fazer mestrado em ciência da computação. Em nota divulgada no sábado, a universidade afirmou ter registro de um aluno com o mesmo nome de Allen que concluiu o curso em 2025.Registros compartilhados pelos dois agentes mostram que Allen comprou uma pistola em outubro de 2023 e uma espingarda em agosto de 2025.De acordo com o texto divulgado pelas autoridades, nos últimos dias Allen disse a colegas e alunos que uma emergência pessoal o afastaria do trabalho de tutor e contou aos pais que tinha “uma entrevista”.Em seguida, pegou um trem de Los Angeles para Washington, via Chicago, e se hospedou no Hilton um ou dois dias antes de o hotel receber o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, informou Todd Blanche, procurador-geral interino, ao programa “Meet the Press” neste domingo.Blanche disse ainda que, pelas evidências iniciais, Allen parece ter agido sozinho.c.2026 The New York Times CompanyThe post Raiva contra Trump levou suspeito a cruzar os EUA e atacar evento, dizem autoridades appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *