As ações de bancos e empresas ligadas ao mercado de capitais estiveram entre as principais protagonistas do rali dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições. Com a forte queda dos juros longos e uma reprecificação do risco doméstico, papéis como B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) avançaram com força.Mas, depois do salto, os analistas de mercado questionam quais ações financeiras ainda têm uma relação entre risco e retorno considerada atraente. A resposta das casas analisadas indica que o setor continua favorecido por um cenário de juros menores, mas a preferência começa a migrar dos papéis que mais dispararam para aqueles em que valuation e fundamentos ainda oferecem espaço adicional. O JPMorgan revisou toda sua cobertura depois de um rali que levou a maioria das ações financeiras acompanhadas pela casa a subir cerca de 15% a 30% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior.A instituição reduziu em aproximadamente 1,5 ponto percentual o custo de capital próprio para a maior parte das empresas cobertas, depois que a taxa brasileira de dez anos caiu de cerca de 14,4% para 13%. Só essa mudança responde por aproximadamente 15% a 20% da revisão dos preços-alvo.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com pressão de PETR4, VALE3 e BBAS3Bolsas dos EUA sobem e S&P 500 atinge máxima intradiária com ganhos de IAO Morgan Stanley chega ao cenário por outro caminho. Ao analisar dez anos de dados, concluiu que todas as ações financeiras estudadas historicamente se beneficiaram da queda dos juros longos, embora exista uma hierarquia clara entre elas.Nesse cenário, a conclusão pós-rali é menos “comprar bancos” e mais escolher quais tipos de financeiras oferecem melhor exposição à continuidade da queda dos juros.XP desponta como uma das preferidasEntre os nomes ligados ao mercado de capitais, a XP aparece como uma das apostas mais claras. O JPMorgan mantém recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) e elevou seu preço-alvo de US$ 26 para US$ 38. Mesmo após a valorização, o banco vê potencial de 35% diante do preço de US$ 28,20 utilizado em sua análise e prefere XP ao BTG, avaliando que o múltiplo de aproximadamente 11 vezes o lucro esperado para 2027 continua atraente.A casa também elevou suas estimativas de lucro da XP para 2027 entre 8% e 12%, em um movimento que reflete a perspectiva de melhora da atividade no mercado de capitais. Na sessão analisada, o volume médio diário do mercado à vista chegou a R$ 103 bilhões, três a quatro vezes os níveis anteriores à eleição.A tese é reforçada pelo comportamento histórico dos juros. Na análise do Morgan Stanley, XP apresenta cerca de 15% de sensibilidade histórica para cada queda de 100 pontos-base nos juros soberanos brasileiros de dez anos. Mesmo depois de descontado o movimento geral das ações brasileiras, mantém aproximadamente 3,4% de sensibilidade incremental.Leia tambémConstrutoras disparam após rali eleitoral: quais ações ainda têm espaço para subir?JPMorgan gira preferência para média e alta renda, Goldman ainda vê valor em nomes de baixa renda e Cyrela aparece como principal consenso.Por isso, o Morgan Stanley também afirma preferir Nubank e XP para expressar a tese de queda dos juros, combinando elevada sensibilidade histórica com uma visão fundamentalista construtiva.Nubank: a ação que ficou para trásO Nubank é outro nome que ganha força justamente por não ter acompanhado integralmente a primeira onda de valorização.Segundo o JPMorgan, a ação estava praticamente estável desde 15 de agosto na referência utilizada pelo relatório, enquanto XP havia acumulado 78%, B3, 67%, BTG, 66%, e Banco do Brasil, 50%.O banco mantém Nubank em overweight e elevou o preço-alvo de US$ 20 para US$ 23, vendo potencial de 52% diante do preço de fechamento da véspera. Mesmo empregando hipóteses mais conservadoras, projeta crescimento de lucros próximo de 30% em dólares e considera que vantagens estruturais de custo e capital devem permitir novos ganhos de participação no Brasil.Leia tambémMorgan eleva Brasil a compra, vê Ibovespa até 250 mil pontos e dólar a R$ 4,50Banco gira carteira de exportadoras para ações domésticas após resultado eleitoralÉ justamente no estudo do Morgan Stanley que o argumento macro se torna ainda mais interessante. Depois de descontar o movimento geral do mercado brasileiro, o Nubank apresenta a maior sensibilidade incremental à queda dos juros, com cerca de 8,1% de valorização histórica adicional associada a uma redução de 100 pontos-base nas taxas longas. Assim, entre as financeiras, Nubank aparece como uma das formas mais “puras” de buscar exposição à queda dos juros no levantamento do banco.Inter tem o maior upside do JPMorganJá para o Inter (BDR: INBR32), o JPMorgan mantém overweight e preço-alvo de R$ 55, ante R$ 33 na tabela de referência do relatório, o que representa potencial de 67%, o maior entre os nomes apresentados na comparação da casa.O papel ainda negociava abaixo de sete vezes o lucro projetado para 2027. Para o banco, a principal oportunidade está na expansão do ROE para cerca de 20% ou mais, que poderia sustentar uma reprecificação dos múltiplos além do próprio crescimento dos resultados.O risco está principalmente no ciclo de crédito de 2027 e em eventual aperto macroprudencial, pontos que poderiam pressionar o sentimento dos investidores.Entre os bancões, Itaú continua como referênciaEntre os grandes bancos privados, Itaú (ITUB4) continua sendo uma das principais preferências do J.P. Morgan. A recomendação permanece overweight, enquanto o preço-alvo subiu de R$ 51 para R$ 60, sugerindo potencial de 21% sobre o preço de R$ 49,50 empregado no relatório.Para o banco americano, o Itaú aparece como um grande banco brasileiro mais bem posicionado para crescer em um cenário doméstico construtivo. Além da rentabilidade elevada, a plataforma de investment banking poderia se beneficiar de uma recuperação da atividade do mercado de capitais. O Itaú também chega ao cenário com fundamentos robustos nas projeções da casa: o ROE é estimado em 25% em 2026, 25,2% em 2027 e 26% em 2028.Curiosamente, Itaú não é uma das ações mais sensíveis à queda dos juros no levantamento do Morgan Stanley. Sua sensibilidade histórica é de cerca de 10% para cada 100 pontos-base de recuo das taxas, inferior à de fintechs e empresas do mercado de capitais.Isso ajuda a separar as teses: Itaú aparece menos como um trade de duration e mais como uma aposta de qualidade e execução dentro de um Brasil mais favorável.Bradesco sobe na preferênciaO Bradesco (BBDC4) é a maior novidade depois do rali. O JPMorgan elevou a ação de neutra para overweight e aumentou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26. Nos níveis considerados no relatório, o potencial indicado era de aproximadamente 19%.A avaliação é que o processo de recuperação continua avançando, com melhora da rentabilidade, redução do custo de risco e margens mais favoráveis. O papel negociava a aproximadamente 1,2 vez o patrimônio, enquanto o múltiplo considerado justo pela casa é de 1,5 vez.O BTG Pactual também inclui Bradesco entre os papéis de maior beta que podem se beneficiar desproporcionalmente caso se confirme um cenário político mais favorável ao mercado, ao lado de Movida, Vamos, Cosan e Dexco, conforme a análise fornecida.E o BTG depois da disparada?O BTG Pactual (BPAC11) continua recomendado, mas a discussão já é diferente: quanto da história positiva está no preço? O JPMorgan segue com a recomendação overweight, enquanto o preço-alvo sobe de R$ 66 para R$ 87. Entretanto, como a ação já havia chegado a R$ 80,90 na referência do relatório, o upside restante era de apenas 7%.O papel acumulava 66% de valorização desde 15 de agosto e negociava a 12,6 vezes o lucro estimado para 2027 e 3,7 vezes o patrimônio projetado para 2026.O banco continua gostando da combinação de ROE elevado, ganhos de participação e um cenário mais favorável para investment banking, mas afirma explicitamente que XP oferece uma relação mais interessante nos níveis atuais.No estudo do Morgan Stanley, BTG apresenta cerca de 15% de sensibilidade histórica à queda de 100 pontos-base nos juros. Depois de controlar pelo EWZ, porém, essa sensibilidade adicional cai para perto de zero.Isso sugere, na leitura do levantamento, que boa parte do comportamento histórico do BTG quando os juros caem está associada à própria reprecificação do mercado brasileiro.B3: boa tese, mas preço começa a pesarA B3 (B3SA3) é um dos casos em que existe clara divergência entre tese macro e valuation. Na análise fornecida, o BTG Pactual coloca B3 e XP entre seus nomes preferidos do mercado de capitais para um cenário de vitória de Bolsonaro, no qual espera desempenho superior também de varejistas, incorporadoras de média e alta renda e empresas alavancadas.Já o JPMorgan continua neutro em B3, ainda que tenha elevado o preço-alvo de R$ 18,50 para R$ 24,50 e aumentado em 10% a 12% suas estimativas de lucro para 2027. Mas, a R$ 23,30, a ação já negociava a aproximadamente 16,8 vezes o lucro esperado para 2027, deixando apenas 5% de potencial até o preço-alvo do JPMorgan.Assim, a B3 continua uma forma clara de exposição a uma recuperação estrutural do mercado de capitais, mas a discussão depois do rali passou a ser quanto dessa melhora já foi antecipada pelo preço.Banco do Brasil: rali foi longe demais?Se Bradesco ganhou espaço, Banco do Brasil (BBAS3) perdeu.O J.P. Morgan rebaixou BBAS3 para underweight depois da valorização e estabeleceu preço-alvo de R$ 23, frente a R$ 26,30 na referência do relatório, implicando downside de 13%.A casa aponta deterioração recente na qualidade dos ativos do agronegócio, com efeitos sobre lucros, rentabilidade e dividendos, além de considerar que existem assimetrias melhores em outras ações do setor.O estudo do Morgan Stanley mostra que BBAS3 historicamente apresenta cerca de 13% de valorização associada a uma queda de 100 pontos-base nos juros. Mas, depois de descontado o movimento geral do mercado brasileiro, sobra pouca sensibilidade incremental.Para o banco, grandes incumbentes como BB, Itaú, Bradesco e Santander se comportam mais como beneficiários do beta Brasil do que como exposições diferenciadas aos juros.Quem ganha mais se os juros continuarem caindo?No levantamento bruto do Morgan Stanley, PagBank e Stone apresentam a maior sensibilidade histórica, perto de 17% para cada queda de 100 pontos-base nos juros longos. BTG, XP e Nubank vêm perto de 15%; B3 e Banco do Brasil, perto de 13%; Bradesco e Santander, aproximadamente 11%; e Itaú, 10%.Mas, quando o efeito do mercado brasileiro é retirado da conta, Nubank lidera com 8,1% de sensibilidade incremental, seguido por PagBank, com 7,7%, Stone, com 6,6%, e XP, com 3,4%.O Morgan Stanley, porém, não transforma essa análise estatística em recomendação para Stone e PagBank. A casa mantém preocupações com a transição de ambas para um período de crescimento menor e prefere expressar a tese de queda dos juros por meio de Nubank e XP, ambas overweight.The post Rali de bancos e financeiras muda preferências: quais ações ainda podem subir mais? appeared first on InfoMoney.
