Rali dos juros após 1º turno supera previsão, e JPMorgan eleva aposta no Brasil

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O JPMorgan elevou de neutra para overweight (equivalente a compra) a recomendação para o mercado de juros locais brasileiro, depois que o primeiro turno das eleições colocou Flávio Bolsonaro (PL) como favorito na disputa presidencial. O banco reconhece que as taxas já cederam bastante, mas vê espaço para novas quedas.“Os níveis estão longe do ideal, mas o momentum é forte e o posicionamento, relativamente limpo”, escrevem os estrategistas Gisela Brant, Tania Escobedo Jacob e Santiago Olalquiaga Calcano, em relatório divulgado na terça-feira (6).O banco já indicava preferência por posições aplicadas na parte longa da curva, com alvo de 13% para os contratos de DI. O rali do primeiro pregão após a votação, porém, foi bem mais intenso do que o esperado, sustentado pela melhora das expectativas fiscais, avaliam os estrategistas. Eles ressaltam, no entanto, que os modelos do banco não apontavam um prêmio de risco relevante na curva.O JPMorgan usa a eleição colombiana como referência. Lá, o mercado não precificou todo o risco no primeiro dia, e o rali dos títulos se estendeu bem além do segundo turno, até ser afetado pela alta dos juros nos mercados desenvolvidos e por frustrações fiscais.No Brasil, no entanto, o movimento do primeiro dia foi mais que o dobro em pontos-base, e as taxas já estão nas mínimas em vários meses, patamar que a Colômbia levou ao menos um mês para alcançar.A principal diferença, segundo o banco, está no Banco Central. Enquanto um ciclo de cortes do BC colombiano era visto como algo distante, o espaço para uma redução mais profunda da Selic parece mais claro por aqui, já que o afrouxamento está em curso.A equipe de economia do JPMorgan projeta a Selic em 12,25% ao fim de 2027, com possibilidade de um número menor. Mesmo nesse nível, a política monetária continuaria restritiva em relação à maioria das estimativas de juro neutro, o que abriria espaço para uma taxa terminal mais baixa caso a melhora fiscal ajude a conter as expectativas de inflação, avalia o banco.Se a Selic voltar à mínima do último ciclo, de 10,50%, o JPMorgan calcula que a taxa de dez anos cairia para 11,92%, cerca de 94 pontos-base abaixo do que o mercado precifica hoje.Os estrategistas lembram ainda que, pelas contas do BC, cada 100 pontos-base de corte na Selic reduzem o déficit fiscal em cerca de 50 pontos-base. Como referência, citam o teto de gastos de 2016, que, aliado a reformas estruturais, abriu caminho para 775 pontos-base de cortes nos juros.Outro fator favorável é que os investidores não chegaram muito comprados à eleição. Embora o saldo de entradas em dívida local siga positivo no ano, os estrangeiros venderam R$ 54 bilhões entre março e junho e recompuseram cerca de metade dessa exposição em julho e agosto. Nos prefixados (LTN e NTN-F), menos da metade das saídas acumuladas até julho voltou em agosto.“Achamos que será difícil para muitos investidores institucionais de mercados emergentes ficarem de fora de uma história de mudança de regime”, afirmam os estrategistas, lembrando que o Brasil tem peso de cerca de 8% no índice GBI-EM.O banco pondera, porém, que o movimento é guiado sobretudo por expectativas, o que exige cautela diante de correções que sinalizem perda de fôlego. Para uma queda sustentada das taxas, segundo o relatório, provavelmente será necessário um plano crível de estabilização da dívida, com superávits expressivos e reformas estruturais.Na avaliação do JPMorgan, os prefixados de prazo intermediário são agora a melhor forma de assumir risco. “Acreditamos que a maior parte da compressão pura de prêmio de risco já ocorreu”, escrevem os estrategistas, que destacam o melhor desempenho dos vencimentos mais longos na segunda-feira.Daqui em diante, uma queda adicional das taxas depende da capacidade do BC de cortar juros, e o banco duvida de um ciclo acelerado diante do cenário global. A expectativa de um afrouxamento gradual reforça, assim, a preferência pelo miolo da curva.Entre prefixados e títulos atrelados à inflação, o JPMorgan fica com os primeiros. A inflação implícita, entre 5% e 5,5% nos prazos de cinco e dez anos, segue elevada em relação às expectativas e à inflação corrente, o que pode indicar que a curva prefixada ainda carrega prêmio de risco extra.The post Rali dos juros após 1º turno supera previsão, e JPMorgan eleva aposta no Brasil appeared first on InfoMoney.

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