A reabertura do Estreito de Ormuz marca um ponto de inflexão relevante para o mercado global de petróleo, ao reduzir de forma imediata o prêmio de risco geopolítico que vinha sustentando a alta das cotações nas últimas semanas. Ainda assim, a leitura predominante entre analistas é de que o processo de normalização será gradual, com efeitos desiguais entre o mercado financeiro e o mercado físico.Às 11h12 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent estavam em queda de US$ 10,21, ou 10,78%, a US$ 84,48 o barril, enquanto os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caíam US$ 9,47, ou 10,39%, para US$ 81,70 o barril.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa reduz fôlego e tenta manter os 197 mil pontosBolsas dos EUA avançam com Estreito de Ormuz reaberto Vale: preços e produção do minério no 1T trazem otimismo para balanço; ações sobemMineradora superou ligeiramente as expectativas do mercadoA expectativa é de uma retomada progressiva — e potencialmente mais consistente — do fluxo de embarcações na região, o que tende a beneficiar as exportações de petróleo e derivados de países estratégicos do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Kuwait, Irã e Iraque, comenta Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da Stonex. Essa reabertura, no entanto, não elimina imediatamente as incertezas operacionais, já que agentes logísticos e companhias marítimas devem adotar uma postura mais cautelosa até que haja maior previsibilidade sobre a estabilidade do corredor.Nesse contexto, o mercado passa a monitorar dois vetores centrais no curto prazo. O primeiro é a evolução efetiva do tráfego de navios-tanque cruzando o estreito nos próximos dias, que funcionará como termômetro da confiança na rota. O segundo é o andamento das negociações diplomáticas entre Teerã e Washington, cuja evolução na próxima semana poderá indicar se o cessar-fogo se traduzirá em uma desescalada mais estrutural ou apenas temporária. Para Cordeiro, uma aproximação mais consistente entre as partes abriria espaço para uma normalização mais duradoura do fluxo energético global.Apesar do alívio no front geopolítico, Bruno Cordeiro avalia que o mercado físico de petróleo ainda apresenta sinais claros de aperto. “Persistem restrições de oferta em regiões relevantes, com destaque para Ásia e Europa”, comenta. A Agência Internacional de Energia (AIE) chama atenção para o nível relativamente baixo de estoques europeus de querosene de aviação, suficiente para cerca de seis semanas de consumo, o que mantém o sistema sob pressão.Na Ásia, por sua vez, já são observadas medidas mais intensas de contenção de demanda, refletindo um equilíbrio ainda frágil entre oferta e consumo. Esse quadro reforça a percepção de que, embora o risco de interrupção logística tenha diminuído, o balanço global de petróleo ainda não se normalizou.Diante disso, o especialistas da Stonex destaca que o cenário de curto prazo tende a ser assimétrico. Os preços negociados em bolsa podem reagir de forma mais intensa à retirada do prêmio de risco geopolítico, com potencial de correção mais acentuada. Já o mercado físico (spot), mais sensível às restrições logísticas e de oferta, tende a permanecer relativamente sustentado até que a reativação plena das rotas marítimas e a recomposição dos fluxos comerciais se consolidem de forma mais clara.Segundo o analista do UBS Giovanni Staunovo, “os comentários do ministro das Relações Exteriores do Irã indicam uma desescalada enquanto o cessar-fogo estiver em vigor; agora precisamos ver também se o número de navios-tanque que cruzam o estreito aumenta substancialmente”.Na mesma linha, embora a abertura do estreito tenha sido um passo na direção certa, o mercado europeu permanecerá apertado por algum tempo, disse o analista Ole Hvalbye, da SEB Research, uma vez que são necessários cerca de 21 dias para que os navios se desloquem do Golfo Pérsico para Roterdã, o principal porto de petróleo da região.The post Reabertura de Ormuz: quais expectativas para petróleo? Mercado monitora dois fatores appeared first on InfoMoney.
