Recorde com menos renda fixa: mercado de capitais soma R$ 556,7 bi até setembro

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O mercado de capitais brasileiro chegou ao fim do terceiro trimestre com um volume de captações acima do registrado nos últimos anos, mas com uma composição diferente. A renda fixa, que sustentou os recordes recentes, perdeu espaço para outros instrumentos. As ofertas no mercado doméstico somaram R$ 556,7 bilhões de janeiro a setembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (20) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume é 5,3% maior que o do mesmo período de 2025 e recorde para os nove primeiros meses do ano.A renda fixa segue como principal fonte de financiamento, com R$ 441 bilhões, mas caiu 9,8% na comparação anual. Os instrumentos híbridos, que reúnem fundos imobiliários (FIIs) e Fiagros, mais que dobraram, com alta de 127%, para R$ 80,8 bilhões. A renda variável saltou de R$ 4,2 bilhões para R$ 34,8 bilhões.Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, os números mostram a diversidade de fontes de captação disponíveis às empresas. “Isso é extremamente saudável e é coerente com o momento que estamos vivendo, de oportunidades”, afirma. Cesar Mindof, diretor da entidade, vê um sinal de amadurecimento: “em momentos mais desafiadores, a gente vê o mercado caminhando para outros instrumentos”.Entre julho e setembro, as emissões somaram R$ 187,7 bilhões, praticamente o mesmo patamar dos R$ 186,9 bilhões do segundo trimestre. A renda fixa movimentou R$ 145,2 bilhões, 3,5% menos que no trimestre anterior, enquanto os híbridos avançaram 32,7%, para R$ 32,9 bilhões. As ofertas de ações somaram R$ 9,6 bilhões.Debêntures reagemEntre os instrumentos de renda fixa, as debêntures somaram R$ 86,1 bilhões no terceiro trimestre, em 131 operações, 13,7% acima do segundo, mas abaixo dos R$ 99,4 bilhões do primeiro. Os FIDCs subiram de R$ 31,6 bilhões para R$ 34,8 bilhões, enquanto as notas comerciais caíram de R$ 18 bilhões para R$ 9,7 bilhões. Segundo Maranhão, o segundo trimestre das notas foi mais concentrado em algumas emissões.No acumulado do ano, porém, as debêntures ainda recuam 18%, para R$ 261,2 bilhões. A queda é mais forte nas incentivadas e de infraestrutura (-30,1%) e nas corporativas (-21%), enquanto as de securitização cresceram 40,1%, para R$ 45,6 bilhões.Maranhão associa o recuo ao momento do crédito privado. “Isso reflete um pouco do menor apetite a risco de crédito que a gente tem visto ao longo do período”, diz. O efeito aparece na ponta compradora: os coordenadores das ofertas ficaram com 52,7% do volume subscrito de debêntures até setembro, ante 32,3% um ano antes.Os FIDCs seguem na direção oposta e acumulam R$ 87,8 bilhões no ano, alta de 42,8%. Para a Anbima, o instrumento ajuda a democratizar o acesso de empresas menores ao mercado de capitais.Secundário perde ritmoNo mercado secundário, as debêntures movimentaram R$ 689 bilhões até setembro, alta de 5,8%, puxada pelas incentivadas (+20,7%). “A despeito de o mercado primário estar um pouco mais desafiador neste ano, o mercado secundário tem se mostrado muito resiliente”, diz Mindof.O terceiro trimestre, porém, foi mais fraco também nessa frente. O volume negociado somou R$ 194,3 bilhões, 24,8% abaixo do segundo trimestre e 19,4% menor que no mesmo período de 2025.Agro e açõesNos títulos do agronegócio, o volume caiu 8,2% no ano, para R$ 33,1 bilhões. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) recuaram 62,3%, enquanto as Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-F) cresceram 202,7% e os Fiagros, 274,7%. A mudança pode ser explicada pela mudança na regra de emissões de CRIs e CRAs.Com R$ 31,8 bilhões em follow-ons e R$ 3 bilhões em IPO, a renda variável já supera o total de cada um dos três anos anteriores. “O reforço na estrutura de capital é fundamental”, afirma Maranhão, citando os níveis maiores de alavancagem das companhias.The post Recorde com menos renda fixa: mercado de capitais soma R$ 556,7 bi até setembro appeared first on InfoMoney.

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