A recuperação judicial do Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, deferida ontem (13) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, é um processo que visa preservar a atividade da companhia em um momento de reorganização, mas deve mudar o nível de atenção do consumidor em relação compras feitas, principalmente aquelas ainda não concluídas. Foi o que explicaram especialistas de administração empresarial e direito do consumidor consultados pelo InfoMoney.“Recuperação judicial não é falência, justamente, é o oposto: o instituto existe para manter a empresa em funcionamento”, diz Camila Crespi, advogada especialista em recuperação judicial e insolvência da Crespi Advocacia. O objetivo de um processo de RJ é permitir que a organização permaneça em funcionamento enquanto negocia a reestruturação de suas dívidas com os credores. No caso do Grupo Toky, esse valor ultrapassada R$ 1 bilhão. Ainda assim, nesse primeiro momento, a tendência é de manutenção das atividades das empresas do grupo, que seguem vendendo, operando lojas, plataformas digitais e estrutura logística, e continuam obrigadas a cumprir os contratos firmados com clientes. Como fica a situação de quem está esperando uma entrega? Para o consumidor que comprou um móvel e ainda aguarda a entrega, a orientação inicial é não presumir que o pedido será cancelado. “Quem realizou uma compra deve esperar que a empresa cumpra normalmente sua obrigação”, afirma o administrador de empresas André Rocha, mestre em Direito dos Negócios pela FGV Direito-SP. “Caso haja atraso excessivo ou descumprimento do contrato, o consumidor continua tendo todos os direitos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor”. Na prática, porém, o risco de atraso deve ser acompanhado com mais atenção, especialmente em um setor dependente de logística, montagem, crédito e capital de giro. Para Marcos Ribeiro, da Azevedo Sette Advogados, o deferimento da RJ “deve despertar, no mínimo, a atenção” de todos que mantêm relação com a empresa, e os consumidores que aguardam entrega devem monitorar de perto o andamento do pedido e, “ao sinal de atraso, agir rapidamente” para cobrar o cumprimento da obrigação.Leia também5 atividades para ensinar educação financeira às crianças de forma leve nas fériasEspecialista explica que a infância é o momento ideal para introduzir conceitos relacionados ao dinheiroReembolsosÉ no cancelamento ou na devolução de valores que a situação pode se complicar mais para o cliente de empresas na situação do Grupo Toky. Isso porque, se a compra tiver sido feita antes do pedido de recuperação judicial e a empresa não entregar o produto, a conversão dessa obrigação em reembolso pode colocar o consumidor na fila de credores sujeitos ao plano de recuperação.O consumidor com pedido em aberto pode estar sujeito à recuperação dependendo da data da compra e da natureza da obrigação. O cenário mais sensível é justamente o cancelamento com devolução de valores “pois converte a obrigação de fazer em crédito em dinheiro sujeito ao plano”, explica Crespi. Documentos para guardarDiante desse cenário, a recomendação é preservar toda a documentação da compra: nota fiscal, comprovante de pagamento, prazo prometido, número do pedido e protocolos de atendimento. Também é importante registrar qualquer atraso ou tentativa frustrada de contato com a empresa.Leia mais: Dividendo do FII VILG11: Qual pode ser o impacto com a crise da dona da Tok&Stok?Crise com fornecedores podem impactar o clienteOutro ponto observado pelos especialistas é que a recuperação judicial tende a mudar a relação da companhia com fornecedores. A empresa não deixa de comprar, mas parceiros podem passar a exigir pagamento à vista, reduzir crédito ou encurtar prazos. Esse movimento não afeta o consumidor de forma automática, mas pode pressionar estoque, importação, montagem e logística, com reflexo direto na experiência de quem compra.Na prática, segundo Rocha, “é comum que os fornecedores reduzam o limite de crédito ou passem a exigir pagamentos antecipados até que a situação financeira se estabilize”. Próximos passos da RJ do Grupo TokyA fase agora é de apresentação do plano de recuperação, consolidação da lista de credores e negociação coletiva — que pode estabelecer alongamento de prazos, deságio, carência ou outras formas de reestruturação. É esse processo vai indicar se o Grupo Toky tem condições reais de atravessar a crise sem comprometer ainda mais sua operação. “A RJ da Tok&Stok reflete muito mais um cenário econômico do que um problema isolado. O varejo de móveis e decoração é um dos segmentos mais sensíveis aos juros elevados. É uma compra que normalmente depende de crédito e pode ser facilmente adiada pelo consumidor em momentos de incerteza. Além disso, trata-se de setor com alto custo logístico, necessidade de estoques elevados e grande consumo de capital de giro. A recuperação judicial oferece oportunidade para reorganizar o passivo financeiro, mas a recuperação dependerá, principalmente, da capacidade do grupo de gerar caixa, recuperar rentabilidade e reconquistar a confiança de fornecedores, consumidores e mercado”, avalia Rocha, The post Recuperação judicial afeta quem está esperando móveis de Tok&Stok e Mobly? Veja appeared first on InfoMoney.
