Milhares de pessoas voltaram às ruas da capital da Albânia nesta semana para protestar contra um empreendimento turístico de luxo associado ao empresário Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O projeto, estimado em US$ 1,6 bilhão, começou a sair do papel em uma das áreas ambientalmente mais sensíveis do país e se transformou em uma das principais fontes de desgaste político para o governo do primeiro-ministro Edi Rama.As manifestações entraram no terceiro dia consecutivo em Tirana e devem se espalhar para o sul do país, onde está localizado o complexo. Entre os símbolos adotados pelos manifestantes estão flamingos infláveis, em referência às espécies que vivem na região e que, segundo ambientalistas, podem ser afetadas pela construção.A tensão aumentou após organizações ambientais rejeitarem uma proposta de diálogo apresentada por Rama. O premiê defende o empreendimento como um passo importante para consolidar a Albânia como destino internacional de alto padrão e já afirmou que não pretende interromper o investimento.Leia tambémTrump: Irã ainda tem drones e cerca de 21% a 22% da capacidade total de mísseisTrump também comentou os motivos pelos quais acredita que o acordo tem demorado tanto a ser concluído, apesar dos esforços diplomáticos e negociações em andamentoÁrea protegida está no centro da disputaO resort será construído em uma região que inclui a ilha de Sazan, a única da Albânia, além de áreas costeiras e zonas úmidas localizadas dentro de um parque marinho nacional.Segundo entidades ambientais, o local abriga algumas das espécies mais ameaçadas do Mediterrâneo, incluindo a foca-monge-do-Mediterrâneo, além de mais de 200 espécies de aves catalogadas pela BirdLife International, entre elas flamingos e pelicanos-dálmatas.A preocupação dos ambientalistas aumentou após o início das intervenções no terreno. Organizações locais afirmam que dunas antigas, florestas de pinheiros mediterrâneos e habitats protegidos começaram a ser removidos para abertura de estradas de acesso.Acusações de falta de transparênciaA principal crítica dos opositores é a forma como o projeto avançou. Aleksandr Trajce, diretor executivo da organização Protection and Preservation of the Natural Environment in Albania (PPNEA), afirma que não houve divulgação adequada de estudos ambientais nem consulta pública sobre as licenças concedidas.Segundo ele, a insatisfação deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a envolver moradores que perderam acesso a áreas onde trabalham ou possuem propriedades.O dirigente também acusa as autoridades de permitirem a instalação de cercas, segurança privada e maquinário pesado sem que documentos relacionados ao empreendimento fossem amplamente divulgados.Governo aposta em turismo de alto padrãoRama tem sustentado que o investimento é estratégico para o futuro econômico da Albânia.O primeiro-ministro tenta atrair capital estrangeiro para um dos países mais pobres da Europa e considera o turismo de luxo uma ferramenta para elevar a renda nacional sem repetir problemas associados ao turismo de massa.No Parlamento, ele afirmou recentemente que as negociações sobre o projeto continuam em andamento e que a proposta definitiva ainda não foi concluída.Em comunicado divulgado nesta semana, Rama também defendeu a necessidade de preservar a imagem da Albânia como destino receptivo para investidores internacionais.Kushner e Ivanka acompanham projetoO empreendimento é desenvolvido pela Affinity Partners, empresa de investimentos fundada por Jared Kushner.No início do ano, Ivanka Trump visitou a Albânia acompanhada por arquitetos e consultores para conhecer a área destinada ao resort.Antes da aprovação inicial do projeto, Rama afirmou ao jornal britânico The Guardian que o interesse de Kushner pelo país surgiu anos antes do retorno de Trump à Casa Branca e que a iniciativa deveria ser vista como um investimento privado.Investigação amplia pressãoAlém dos protestos, o caso passou a chamar atenção das autoridades.Nesta semana, a SPAK, promotoria especial anticorrupção da Albânia, anunciou a abertura de uma investigação sobre alterações legislativas aprovadas em 2024 relacionadas ao uso de áreas protegidas.O objetivo é verificar se mudanças nas regras ambientais facilitaram a implementação do empreendimento.Enquanto isso, a empresa responsável pelo projeto afirma que seguirá adotando práticas de gestão ambiental e que pretende gerar empregos e benefícios econômicos permanentes para as comunidades locais.A controvérsia, porém, já ultrapassou o debate sobre preservação ambiental. Para críticos do governo, o caso se tornou um símbolo das discussões sobre transparência, uso de áreas protegidas e limites da expansão turística em um dos destinos que mais crescem no Mediterrâneo.The post Resort ligado ao genro de Trump provoca onda de protestos na Albânia appeared first on InfoMoney.
