Riqueza no topo cresce, e Brasil soma 9,2 mil novos milionários em um ano

Blog

O Brasil somou 9.215 novos milionários em 2025, alta de 2,4% ante o ano anterior. Os dados constam do Global Wealth Report 2026, relatório anual do UBS divulgado nesta terça-feira (30), que acompanha a evolução da riqueza em dólar em 56 mercados. Com o avanço, o país chegou a 386 mil milionários em dólar, a maior concentração da América Latina, à frente do México, que soma 333 mil.O movimento brasileiro acompanha uma tendência global. Segundo o UBS, o número de milionários no mundo cresceu 1,5% em 2025, o equivalente a quase 1 milhão de novas pessoas nessa faixa, com os Estados Unidos respondendo por quase metade desse total.O avanço brasileiro não se limita aos milionários “de entrada”. Nas faixas entre 5 milhões e 100 milhões de dólares em patrimônio, o país registra a terceira maior taxa composta de crescimento anual entre os 15 mercados destacados pelo relatório nessas faixas desde o ano 2000, atrás apenas de China continental e Austrália. Pelos cálculos do UBS, o número de adultos brasileiros nessas faixas cresce entre 9,6% e 9,9% ao ano, e a soma já reúne 43 mil pessoas no país.Leia também: Setor público tem déficit de R$ 56,1 bi e dívida pública sobe mais que o esperadoParte do avanço latino-americano em 2025 tem explicação cambial. A riqueza total da América Latina, medida em dólares, cresceu 17,4% no ano, um dos maiores ritmos entre as sub-regiões do levantamento. O relatório atribui boa parte desse resultado à desvalorização do dólar frente a outras moedas ao longo do ano, e não necessariamente a um ganho real e equivalente de patrimônio. Mesmo assim, a riqueza média por adulto na região segue uma das menores entre os blocos analisados, em torno de US$ 42,9 mil, ante mais de US$ 696 mil nos EUA.Dívida elevada e desigualdade persistenteO retrato brasileiro, porém, tem contrapontos. Entre os mercados monitorados pelo UBS, o Brasil aparece com uma das maiores proporções de dívida das famílias em relação à riqueza bruta, em 23,4%, à frente de Chipre, Suíça e Reino Unido. O país também figura entre os mais desiguais do levantamento: o coeficiente de Gini brasileiro é de 0,81, no mesmo patamar da África do Sul e atrás apenas de Emirados Árabes Unidos e Rússia, ambos com 0,82.“As pessoas tendem a pensar sobre sua riqueza em relação à riqueza de outras pessoas, não em termos absolutos”, afirma Paul Donovan, economista-chefe da UBS Global Wealth Management, ao comentar os principais resultados do relatório deste ano.Há ainda um sinal de fôlego mais fraco na base da pirâmide. Em termos reais, descontada a inflação e medida em moeda local, a riqueza média por adulto no Brasil caiu 3,13% entre 2020 e 2025, um dos 15 mercados da amostra com recuo nesse período.Leia também: Iene bate mínima em 40 anos ante dólar com operadores testando autoridades do JapãoA leitura da UBS é que o Brasil reproduz, em escala latino-americana, um padrão observado em diversas economias emergentes neste ciclo: o topo da pirâmide de riqueza se expande com força, impulsionado por mercados financeiros e efeito cambial, enquanto a base segue mais pressionada por endividamento e ganhos reais mais tímidos.The post Riqueza no topo cresce, e Brasil soma 9,2 mil novos milionários em um ano appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *