O trabalho em home office mais do que dobrou no Brasil em pouco mais de uma década. Em 2012, 3,6% do total de ocupados no país trabalhavam principalmente de casa, percentual que saltou para o recorde de 8,4% em 2022 e se estabilizou em um patamar próximo de 8% nos anos seguintes. Mas quantas pessoas trabalham remotamente hoje — e onde o home office é mais presente?A fotografia de 2025 mostra que 6,65 milhões de brasileiros trabalham principalmente de casa, o equivalente a 7,9% do total de ocupados no país. São Paulo concentra o maior contingente entre as capitais, com 543 mil trabalhadores, seguida por Rio de Janeiro (287 mil) e Belo Horizonte (168 mil).Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), cujo módulo com informações adicionais sobre as características do mercado de trabalho em 2025 foi divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE.Leia tambémRegistro de CNPJ entre trabalhadores autônomos atinge recorde em 2025, aponta IBGEA marca inédita foi influenciada pela taxa de cobertura de CNPJ entre os trabalhadores por conta própriaAtividade empresarial nos EUA tem máxima em 5 anos; pressões inflacionárias aumentamA S&P Global informou nesta quarta-feira que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 neste mêsO IBGE pergunta ao trabalhador onde ele exerce principalmente seu trabalho. Por isso, o total de trabalhadores em home office (7,9%) não corresponde a todas as pessoas que fazem algum tipo de trabalho remoto. Quem adota um regime híbrido, por exemplo, mas passa mais tempo trabalhando do escritório do que de casa, pode ter respondido o ambiente da empresa como seu local principal.Em 2025, 60% dos ocupados trabalhavam principalmente no estabelecimento do próprio empreendimento. Outros 13,8% exerciam a atividade em local designado pelo patrão ou freguês, enquanto 8,4% estavam em fazendas, granjas ou chácaras.Apenas 7,9% trabalhavam de casa, enquanto 5% tinham veículos como principal local de trabalho e outros 2,1% trabalhavam em área pública. Os 2,6% restantes estavam em outros locais, como casa do patrão ou estabelecimento de outro empreendimento.São Paulo lidera com 543 mil em home office, mas perde forçaA série histórica do IBGE, iniciada em 2012 e retomada em 2022, após a interrupção do levantamento em 2020 e 2021, permite acompanhar como a presença do trabalho remoto mudou entre as capitais. Embora ainda com folga, a liderança de São Paulo em número absoluto vem encolhendo desde 2022.A capital paulista tinha 887 mil pessoas trabalhando principalmente de casa em 2022. O contingente caiu para 635 mil em 2023, 586 mil em 2024 e chegou a 543 mil em 2025. A cidade continua muito à frente das demais capitais, mas perdeu 344 mil trabalhadores em home office em três anos.Rio de JaneiroO Rio de Janeiro teve trajetória parecida, com redução do contingente em home office. Eram 294 mil trabalhadores nessa condição em 2022, número que subiu para 336 mil em 2023 e depois recuou para 317 mil em 2024 e para 287 mil em 2025.São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza estiveram no “top 3” em número absoluto de trabalhadores em home office entre 2022 e 2024. Mas Belo Horizonte avançou para a terceira posição em 2025 e tirou Fortaleza do posto. A capital mineira tinha 160 mil pessoas em home office em 2022, contingente que saltou para 168 mil em 2025.Já Fortaleza tinha 144 mil pessoas em home office em 2022, número que subiu para 155 mil em 2023 e depois começou a amargar quedas para 132 mil em 2024 e 117 mil em 2025.Outras capitais também ganharam espaço no ranking. Em Brasília (DF), 118 mil trabalhadores estavam em home office em 2022, número que chegou a oscilar nos anos seguintes e subiu para 122 mil em 2025, deixando a capital federal em quinto lugar, acima da cearense.Porto Alegre também ganhou terreno e chegou à sexta colocação, com 115 mil trabalhadores em home office, número que quase dobrou em relação à 2022. Recife avançou para o nono lugar, com 98 mil, enquanto Goiânia chegou a 84 mil, em décimo.Já Curitiba fez o caminho inverso. A capital paranaense, que chegou à quinta posição em 2024, terminou o ano passado em sétimo lugar, com 106 mil trabalhadores, vinte mil pessoas a menos.Em proporção, Porto Alegre lidera e São Paulo despencaA fotografia muda quando se leva em conta o tamanho do mercado de trabalho. Assim, uma cidade pode ter menos pessoas em home office em números absolutos, mas ter uma proporção muito maior de trabalhadores nessa condição.É o que acontece com Porto Alegre. Em 2025, 18,7% dos ocupados da capital gaúcha trabalhavam principalmente de casa, quase uma em cada cinco pessoas ocupadas. A cidade passou a liderar o ranking proporcional, à frente de Recife (15,4%) e Belo Horizonte (15,2%).Florianópolis, que havia liderado o ranking nos três anos anteriores, caiu para a quarta posição. A capital catarinense tinha 19,8% dos ocupados trabalhando principalmente de casa em 2022. Em 2025, a proporção recuou para 13,7%.Na sequência, em 2025, aparecem Curitiba (12,3%), Belém (11,9%), Fortaleza (11,8%), Goiânia e João Pessoa (11,6% cada). O Rio de Janeiro está na 12ª posição, com 10,3%.O contraste é evidente no caso de São Paulo. Apesar de concentrar o maior número absoluto de trabalhadores em home office entre as capitais, a capital paulista aparece apenas na 18ª posição quando se considera a parcela de ocupados nessa condição: 9,3%.A situação era diferente em 2022. Naquela ocasião, o home office foi tão expressivo que São Paulo tinha 15,9% dos ocupados trabalhando principalmente de casa, e a capital ficou na terceira posição do ranking proporcional, atrás de Florianópolis e Vitória. Desde então, a proporção caiu para 11,7% em 2023, 10,2% em 2024 e 9,3% em 2025.Belém também perdeu espaço nesse período. A proporção de ocupados em home office caiu de 15,6% em 2022 para 11,9% em 2025. Em Vitória, o recuo foi ainda maior, de 16,9% para 9,3%.Home office perde força após a pandemiaOs números do IBGE mostram que o salto do trabalho remoto durante a pandemia não se sustentou nos anos seguintes. Ao mesmo tempo, o home office se consolidou em um patamar bem superior ao observado no início da série, em 2012.Em 2019, último ano antes da interrupção da série durante a pandemia, 5,8% dos ocupados trabalhavam principalmente de casa. Em 2022, na retomada da pesquisa, o percentual havia saltado para 8,4%. Desde então, a proporção vem recuando: foi de 8,2% em 2023 para 7,9% em 2024 e permaneceu em 7,9% em 2025.The post Saiba quantas pessoas trabalham home office no Brasil, segundo o IBGE appeared first on InfoMoney.
