Se a gestora tiver problemas, o que acontece com seu fundo? Anbima explica

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Ao investir em um fundo de investimento, muitas pessoas acreditam que o dinheiro fica diretamente sob controle da gestora ou da instituição financeira responsável pelo produto. Na prática, porém, existe uma estrutura regulatória criada justamente para evitar que os recursos dos investidores sejam confundidos com o patrimônio dessas empresas.Um dos principais mecanismos dessa proteção é a chamada segregação patrimonial, que estabelece uma separação clara entre o patrimônio do fundo — formado pelos recursos dos cotistas — e os bens das instituições responsáveis pela sua administração e gestão.Isso significa que o dinheiro aplicado pelos investidores não pode ser utilizado para cobrir dívidas ou solucionar problemas financeiros enfrentados pela gestora ou pelo administrador do fundo. Mesmo em casos de encerramento das atividades dessas empresas, os recursos do fundo permanecem separados.“A segregação patrimonial garante que o dinheiro dos investidores não será usado para resolver problemas de terceiros. Essa proteção ajuda a fortalecer a confiança no produto”, afirma Soraia Barros, gerente-executiva de fundos de investimento da Anbima, ao InfoMoney.Segundo ela, caso a saúde financeira dos prestadores de serviço do fundo seja comprometida, os próprios cotistas podem deliberar, em assembleia, pela substituição dessas instituições, preservando a continuidade da operação do investimento.Leia Mais: Como os FIIs deixaram de ser ‘apenas tijolo’ e viraram uma indústria bilionáriaSegurança não elimina os riscos do investimentoEmbora o nome pareça técnico, o conceito pode ser entendido por meio de uma comparação simples.Imagine um condomínio residencial: os moradores contribuem para um caixa comum destinado às despesas do prédio, enquanto o síndico administra esses recursos e contrata fornecedores. Ainda assim, esse dinheiro não pertence ao síndico nem às empresas contratadas. Nos fundos de investimento, a lógica é semelhante.Na prática, cada participante exerce uma função específica. A gestora é responsável por definir onde os recursos serão aplicados, sempre respeitando a estratégia prevista no regulamento do fundo. Já o administrador cuida da parte operacional, da divulgação de informações aos cotistas e da fiscalização do cumprimento das regras estabelecidas pela regulamentação.Apesar dessa camada adicional de proteção, a segregação patrimonial não significa ausência de risco. Os fundos continuam sujeitos às oscilações naturais dos mercados. Um fundo de ações pode registrar perdas em períodos de queda da Bolsa, enquanto fundos de crédito podem ser afetados caso empresas emissoras dos títulos enfrentem dificuldades para honrar seus compromissos financeiros.“Esses são riscos ligados à estratégia de cada fundo e que precisam ser avaliados antes da aplicação. É importante separar o risco do investimento do risco das instituições envolvidas”, comenta Barros.Por isso, especialistas recomendam que o investidor também conheça quem são os prestadores de serviço envolvidos na gestão do produto e avalie sua reputação. Informações sobre objetivos, política de investimento, riscos, custos, prazos e responsabilidades estão disponíveis em documentos como o regulamento e a lâmina do fundo.Mercado de FIIs tem diversos casos de mundança de gestoras ou administradorasPor exemplo, a indústria brasileira de fundos imobiliários (FIIs) já passou por vários casos de mudanças de prestadores de serviço sem que isso comprometesse a continuidade das operações ou o patrimônio dos cotistas.Um dos casos envolveu o HGRE11 (Patria Escritórios). Após a reorganização dos negócios do Credit Suisse no Brasil, a plataforma imobiliária da antiga Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG) passou a integrar a Patria Investimentos. Com isso, o fundo passou a ser gerido sob a nova marca, mas manteve sua carteira de ativos e sua estrutura operacional.A mudança também alcançou outros nomes conhecidos do mercado. Os fundos HGLG11, referência no segmento logístico, e HGRU11, voltado para imóveis de renda urbana, também migraram da antiga estrutura da CSHG para a Patria Investimentos.Leia Mais: Patria compra divisão de FIIs da RBR e alcança R$ 38 bi em ativos imobiliáriosThe post Se a gestora tiver problemas, o que acontece com seu fundo? Anbima explica appeared first on InfoMoney.

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