Quando a Softplan partiu a operação em duas, em junho de 2025, a Starian nasceu para ser a metade mais ágil: SaaS para o setor privado, base pulverizada, venda rápida, receita recorrente. E, de fato, as coisas andaram rápido para a companhia catarinense até o fim de 2025, com uma rodada de R$ 640 milhões da General Atlantic e dois M&As. Entretanto, em 2026, a companhia deu um tempo nas aquisições para se aprofundar na sua tese principal: a de verticalização dos seus produtos.Na visão do CSO da Starian, Alex Anton, a companhia está utilizando seu segundo ano de operação para aprimorar suas quatro verticais, que hoje já contam com 14 produtos para os segmentos de construção civil, inteligência jurídica, eficiência e produtividade, e governança e compliance. Esta última é a mais recente, e nasceu da aquisição da gaúcha Contato Seguro, anunciada no fim do ano passado.“Construção civil está bastante maduro, inteligência jurídica amadurecendo bastante, e governança e compliance estamos acelerando apesar de ainda termos apenas um ativo. Mas a gente está olhando ativamente como é que a gente pluga mais soluções de governança e compliance para que, de fato, seja um ecossistema, não apenas um monoproduto”, diz.Conforme explica Alex, o cross-sell tem sido um dos principais pontos da expansão da Starian em 2026. Um exemplo dado pelo executivo é o da própria Contato Seguro, em que grandes construtoras e incorporadoras clientes de outros módulos estão adotando a solução, focada em denúncias corporativas (whistleblowing) para compliance.Leia mais: Com um ano, Starian projeta R$ 750 mi em receita e mantém estratégia de M&AsCom a estratégia de trabalhar a base já existente, a companhia sustenta um crescimento orgânico entre 23% e 24% ano contra ano. A margem EBITDA fica na mesma faixa. “Isso nos coloca em uma posição muito boa, em termos de métricas de expansão e saúde financeira”, diz o CSO.De acordo com dados divulgados pela própria Starian, o plano é fechar 2026 com receita anualizada de R$ 750 milhões e cerca de 25 mil clientes. A empresa não divulgou os números consolidados de 2025, mas, segundo informações divulgadas no meio do ano passado, a meta era chegar a um faturamento de R$ 550 milhões e uma base de 20 mil clientes.Novas verticaisA estratégia de expansão se divide entre a busca ou o desenvolvimento de soluções complementares às verticais já existentes e a entrada em novos segmentos.“Estamos avaliando novas oportunidades de crescimento inorgânico. Cerca de 30% a 40% do esforço é reservado a soluções satélites que reforcem os ecossistemas existentes, contra 60% a 70% destinados à abertura de verticais novas”, revela Alex.Entre as frentes inéditas, o executivo aponta agro, educação e automotivo — especialmente a gestão de concessionárias, oficinas e seguradoras — como as que mais interessam. Segundo ele, o critério é o mesmo que fez a aposta em construção civil funcionar: foco no B2B e em setores ainda com baixa penetração de tecnologia.Aliás, para Alex, a complexidade é atrativo e não defeito. “Setor difícil é bom, porque acaba tendo uma barreira de entrada para outros competidores”, afirma o executivo.Foi essa visão, inclusive, que fez a companhia comprar a Contato Seguro no ano passado, trazendo uma solução já conhecida no mercado e com base sólida de clientes. Ela adicionou cerca de 3 mil contas, CAGR de 35% em três anos e uma receita líquida projetada acima de R$ 65 milhões.Leia mais: Sem liderança no uso diário, empresas desperdiçam potencial da IAAliás, o último M&A dá a medida da régua atual. Conforme aponta o CEO, a Starian está olhando para empresas com ARR a partir de R$ 50 milhões, crescimento acima de 20% ao ano e margem EBITDA idealmente superior a 25%.“Para a gente, ter seletividade é muito mais importante do que fazer M&A simplesmente por fazer”, diz Alex. “Estamos muito mais seletivos do que fomos no passado. De onde a gente está, já está numa posição muito boa em termos de crescimento e geração de margem. Só faz sentido trazer empresas que nos levem para cima”, dispara, sem dar previsão de quando um novo M&A deve ser anunciado.Future-proofOutro argumento trazido pelo CSO é sobre como o foco em soluções mais verticalizadas e aprofundadas em cada setor atendido ajuda a Starian a se manter sólida em um mercado onde o SaaS foi colocado em xeque com o avanço da inteligência artificial. Na visão dele, a resposta ao risco de substituição não é correr atrás da IA, mas ir na direção oposta: descer ainda mais fundo na jornada de cada cliente.“A gente acredita, inclusive com todos os riscos de substituição de software por IA, que quanto mais verticalizado menor é esse risco, porque a verticalização implica em um conhecimento muito profundo da jornada do cliente”, diz.Essa mesma leitura é o que faz a companhia recusar a tentação do agente genérico, hoje o produto mais ofertado do mercado. “Para algo mais genérico, um agente mais genérico, eu não vejo muita vantagem. Acho que tem muita empresa fazendo isso”, afirma. “Criar experiências simples, que não demandam muita integração, é uma coisa que as próprias empresas vão conseguir fazer, e está ficando cada vez mais fácil.”Essa aposta em fazer o mais difícil, segundo Alex, também se reflete na parte comercial, facilitando a venda em áreas onde a concorrência é baixa. “Normalmente a nossa competição não é com outro player, é com o time interno do cliente. O trabalho é convencer a área de tecnologia de que a companhia entrega mais rápido, com o mesmo nível de segurança e customização, por já ter integrado com múltiplos clientes antes”, finaliza.*O jornalista viajou a Florianópolis a convite da Starian.Conteúdo produzido por Startups.com.brThe post Sem M&As em 2026, Starian reforça tese de verticalização appeared first on InfoMoney.
