Senado dos EUA dá sinais de oposição mais intensa à guerra de Trump no Irã

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O Senado dos Estados Unidos, de maioria republicana, sinalizou uma oposição crescente à continuidade da guerra no Irã em uma votação procedimental nesta terça-feira (19), num movimento que reflete o desconforto político cada vez maior com um conflito externo que vem impondo um custo financeiro pesado aos americanos.O senador Bill Cassidy, da Louisiana, cuja tentativa de reeleição foi barrada pelo presidente Donald Trump em uma disputa interna republicana no sábado (16), juntou-se a outros três senadores do Partido Republicano ao votar para superar essa etapa e avançar rumo a uma votação final sobre uma resolução que busca encerrar as hostilidades. Foi a primeira vez que Cassidy apoiou a medida, o que indica que a campanha de retaliação de Trump contra ele acabou liberando o senador para se opor abertamente ao presidente.A votação, de 50 votos a 47, é um sinal claro de erosão do apoio à ação militar no momento em que Trump avalia lançar um novo ataque ao Irã. Ainda não está claro se a resolução será, de fato, aprovada pelo Senado.Trump afirmou ter adiado um novo bombardeio ao Irã, inicialmente previsto para terça-feira, a pedido da Arábia Saudita e de outros países do Golfo Pérsico. Mas ameaçou o Irã com “mais um grande ataque” caso Teerã não aceite fechar um acordo com ele.A eventual aprovação, pelo Senado, da resolução de “poderes de guerra” que pede o fim das hostilidades — e que ainda depende de uma votação futura — não interromperia de imediato as operações militares. A medida também teria de ser aprovada pela Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, antes de seguir para a assinatura do presidente, o que permite a Trump vetá-la antes que entre em vigor.Leia tambémTrump diz que EUA podem atacar Irã novamente, mas que Teerã quer acordoPresidente dos EUA ameaça retomar bombardeios em poucos dias caso Teerã não ceda em exigências nuclearesTrump volta a ameaçar o Irã e diz que esteve ‘a uma hora’ de atacar o paísSegundo ele, os ataques “estariam acontecendo agora mesmo” se não tivessem sido suspensos. “Os navios estão todos carregados, estão lotados até a boca”, acrescentouAinda assim, o impacto simbólico de uma reprimenda formal do Senado à guerra seria enorme — exibindo divisões dentro do governo americano tanto para o público interno quanto para o resto do mundo.Trump, porém, ainda tem tempo para tentar virar votos no Senado antes da apreciação da resolução de poderes de guerra.Três republicanos — Thom Tillis, da Carolina do Norte; John Cornyn, do Texas; e Tommy Tuberville, do Alabama — não votaram. Trump já se desentendeu publicamente com Tillis e, nesta terça-feira, declarou apoio ao adversário republicano de Cornyn.No início deste ano, o Senado havia decidido levar adiante uma resolução semelhante sobre o conflito na Venezuela, mas acabou rejeitando o texto na votação final, depois que Trump afirmou que republicanos que apoiassem a tramitação da medida não deveriam vencer outra eleição.Desta vez, o cálculo político dos senadores pode estar mudando. Os americanos têm demonstrado crescente irritação com o custo econômico da guerra, que elevou o preço médio nacional da gasolina comum para US$ 4,53 por galão nesta terça-feira, em um momento em que a população já vinha reclamando do custo de vida.Segundo pesquisa do New York Times/Siena divulgada na segunda-feira, 64% dos americanos afirmam que entrar em guerra com o Irã foi a decisão errada.A resistência também cresce na Câmara, que registrou empate em uma votação, na semana passada, sobre a interrupção da guerra.© 2026 Bloomberg L.P.The post Senado dos EUA dá sinais de oposição mais intensa à guerra de Trump no Irã appeared first on InfoMoney.

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