SLC: compra bilionária divide mercado entre bom potencial e maiores riscos; ação cai

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A SLC Agrícola (SLCE3) anunciou a compra de aproximadamente 29 mil hectares aráveis em Mato Grosso, ao exercer sua opção de compra de fazendas que pertenciam ao Grupo Radar, pelo montante de R$ 1,85 bilhão. O anúncio da compra já havia sido antecipado pela empresa, mas a área adquirida e o valor da operação vieram acima das expectativas do mercado. Por volta das 11h10 (horário de Brasília), as ações da empresa caíam 2,96%, cotadas a R$ 12,78.Segundo os analistas do Itaú BBA, Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama, o preço implícito da transação representa um prêmio de cerca de 8% em relação ao valor patrimonial líquido (NAV) da SLC. Na avaliação do banco, esse prêmio é justificável pela elevada qualidade das terras, pela infraestrutura já existente e pelo fato de a maior parte da área já ser operada pela companhia, reduzindo riscos de integração.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta sustentar os 173 mil pontosBolsas dos EUA avançam com ganhos de ações de tecnologia Caixa Seguridade se aproxima de novo rompimento; SLC Agrícola segue pressionadaIndicador da análise técnica, IFR aponta euforia em um papel e sinaliza possível oportunidade de entrada em outroAlém disso, o valor pago ainda representa um desconto de 15% a 20% em relação ao preço de outras áreas agrícolas maduras. Ainda assim, esse desconto é inferior ao que as ações da SLC negociam atualmente em relação ao seu NAV, o que pode reacender o debate entre investidores sobre a melhor alocação de capital da empresa.Outro ponto de atenção é o impacto sobre a alavancagem. O Itaú BBA estima que a relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) possa aumentar em cerca de 0,7 vez com a operação, impulsionada pela incorporação de 11,2 mil hectares adicionais e pela substituição gradual de áreas arrendadas por terras próprias. Embora essa estratégia possa elevar o retorno por hectare e reduzir despesas com arrendamento ao longo do tempo, também tende a manter a companhia mais alavancada por um período prolongado.Na visão do BBA, a aquisição tem potencial para gerar valor no longo prazo, tanto pela valorização das terras quanto pelos ganhos operacionais. No curto prazo, porém, a operação pode adiar a geração de caixa e reforçar uma postura mais conservadora por parte do mercado, especialmente em um ambiente de juros elevados.O Itaú BBA manteve recomendação de compra para as ações da SLC Agrícola, com preço-alvo de R$ 19,00.Já o Morgan Stanley reduziu o preço-alvo para as ações da SLC de R$ 20 para R$ 16 e manteve a recomendação equivalente a neutra. Para o banco, embora a aquisição do portfólio de terras da Radar em Mato Grosso seja estrategicamente consistente, a operação piora a relação entre risco e retorno no curto prazo.Na avaliação dos analistas, o principal problema não é a qualidade dos ativos adquiridos, mas o impacto financeiro da transação. O banco destaca que a compra aumenta a alavancagem da companhia, gera um carregamento financeiro negativo e ocorre em um momento de maior risco climático, diante da possibilidade de um Super El Niño afetar a safra de 2026/27.Do ponto de vista estratégico, os analistas reconhecem que a aquisição fortalece o portfólio da SLC. A empresa comprará aproximadamente 41 mil hectares de terras agrícolas de alta qualidade em Mato Grosso, o que implica um valor de cerca de R$ 45 mil por hectare total e R$ 64 mil por hectare arável. O banco avalia que os ativos são escaláveis, de elevada qualidade e estão alinhados à estratégia de valorização de terras da companhia no longo prazo.Apesar disso, o Morgan Stanley acredita que a operação será dilutiva para os lucros. O banco estima que o retorno obtido com o arrendamento das terras seja de aproximadamente 3,5%, enquanto o custo de financiamento gira em torno de 14,5% ao ano em reais ou cerca de 7% em dólares. O Morgan Stanley estima que a aquisição, cujo valor corresponde a cerca de 28% da capitalização de mercado da SLC, poderá elevar a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado para perto de três vezes, acima do nível historicamente considerado confortável pela companhia. Na avaliação do banco, esse movimento ocorre em um ambiente de juros elevados, preços deprimidos das commodities agrícolas e aumento do risco climático, fatores que podem pressionar a geração de caixa nos próximos anos.Como alternativa, os analistas avaliam que uma eventual venda parcial da participação nas terras ou a formação de uma joint venture poderia reduzir a alavancagem e mitigar os riscos da operação. No entanto, ressaltam que ainda há pouca visibilidade sobre a adoção de qualquer uma dessas medidas.O Bradesco BBI, por sua vez, destaca que o negócio marca uma mudança de rumo para a SLC. A empresa vinha sinalizando uma pausa em suas ambições de crescimento para assimilar as aquisições feitas em 2024 e 2025 ( LandCo , Sierentz , Agrícola Xingu , joint venture com a FIP ), enquanto lidava com um ciclo de commodities mais difícil e um custo de capital ainda elevado.Para o banco, a SLC provavelmente não buscava ativamente essa transação. No entanto, diante da proposta apresentada pela Bom Futuro para a compra do portfólio da Radar, a companhia precisou decidir entre exercer seu direito de preferência ou correr o risco de perder uma das áreas agrícolas mais valiosas que já opera. A empresa optou pela primeira alternativa.Segundo o BBI, caso a operação seja concluída integralmente, a SLC ampliará sua área plantada em aproximadamente 22,4 mil hectares, considerando a primeira e a segunda safras, o que representa um crescimento de cerca de 3%.Os analistas ressaltam, porém, que a transação foge do padrão. Isso porque a SLC exerceu o direito de preferência sobre todo o portfólio de terras, e não apenas sobre as áreas que já arrenda. Na visão do banco, essa estrutura pode abrir espaço para discussões com outros arrendatários sobre a aplicação de seus respectivos direitos de preferência. O BBI observa ainda que a própria Bom Futuro também arrenda parte dessas terras.Diante desse cenário, o banco destaca que, enquanto não houver maior clareza sobre o desfecho da transação, a avaliação dos impactos permanece cercada de incertezas.O Bradesco BBI mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 20, devido à menor capacidade de geração de caixa e à assimetria desfavorável nos lucros de curto prazoThe post SLC: compra bilionária divide mercado entre bom potencial e maiores riscos; ação cai appeared first on InfoMoney.

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