O avanço no IPO da SpaceX materializa cada vez mais o real valor da companhia: sob a expectativa de captar US$ 75 bilhões em sua estreia na Nasdaq, a companhia mira um valuation de até US$ 1,8 trilhão. Enquanto a empresa caminha para uma avaliação de mercado, uma de suas principais concorrentes, a Blue Origin, segue uma incógnita entre analistas e investidores.Desde que foi criada em 2010, a empresa de exploração espacial Blue Origin foi financiada exclusivamente por investimentos privados vindos dos bolsos generosos do seu fundador, o bilionário Jeff Bezos. Por anos, isso impede o mercado de definir a valorização da companhia ao longo do tempo — ou mesmo qualquer base de valor.Leia também: SpaceX reduz meta de valuation em IPO para pelo menos US$ 1,8 trilhãoLeia também: Como brasileiro pode entrar nos mega IPOs como o da SpaceX?“Diferente da SpaceX, que ao longo dos últimos anos teve sequências de rodadas no mercado secundário e agora caminha para o IPO, na Blue Origin não há série temporal de marcações pelas quais o mercado pudesse construir uma referência”, avalia o diretor do family office Eclipseon, Ricardo Simon. “Qualquer número que circule hoje é exercício especulativo”, diz o gestor com posição na SpaceX e em outra concorrente, a Rocket Lab.Parecia que o cenário poderia mudar nos próximos meses. O CEO da Blue Origin, Dave Limp, disse a funcionários em uma reunião geral que a companhia precisaria de investimento externo para aumentar significativamente a frequência de lançamentos, informou o Financial Times em maio. A captação buscaria, inclusive, aproveitar o apetite de investidores pela indústria aeroespacial promovida pelo IPO da SpaceX.Mas os planos podem ter mudado no final do mês passado. Uma explosão do foguete New Glenn durante um teste de ignição em Cabo Canaveral na noite do dia 28 de maio pode colocar em xeque todo o calendário de entregas da companhia, já que o incidente comprometeu a base de lançamento, com tempo de reconstrução mais longo. “A estimativa razoável é que a Blue Origin fique no mínimo doze meses sem realizar lançamentos enquanto a infraestrutura é refeita. Todo o calendário precisa ser empurrado um ano para frente”, diz Simon.Dois dias antes do acidente, a Nasa anunciava um contrato de US$ 188 milhões com a Blue Origin para a construção de veículos de exploração lunar. Outros US$ 280,4 milhões poderiam ser adicionados com duas novas ofertas de serviço. O incidente pode atrasar não apenas as metas da própria companhia, mas também as missões da agência espacial americana que projetava colocar o homem novamente na Lua até 2028.SpaceX vs. Blue Origin: qual é a mais valiosa?Todo o incidente torna ainda mais desafiador estipular um valor para a Blue Origin, embora deixe mais evidente que há uma diferença de maturidade de negócios em comparação à sua principal concorrente, a SpaceX, prestes a fazer seu IPO.Além do mais, a SpaceX hoje abriga outras linhas de negócio do bilionário Elon Musk como a xAI, de inteligência artificial, e a Starlink, de internet via satélites. “Uma parte relevante do valuation atual da SpaceX se ancora em integração com inteligência artificial, tanto em infraestrutura terrestre quanto em projetos orbitais que ainda estão sendo construídos”, aponta Simon.Já a Blue Origin, explica o gestor, tem operação concentrada essencialmente em lançamentos de aeronaves e contratos governamentais. O acidente da última quinta-feira atrasa o início do que seria uma linha de negócios adicional da companhia: uma constelação de satélites ao modelo da Starlink anunciada no início deste ano.Comparação entre SpaceX e Blue OriginSpaceXBlue OriginsDonoElon MuskJeff BezosAno de fundação20022000Lançamentos bem-sucedidosMais de 650 (apenas na família Falcon)41Principais linhas de negócioAeronaves e peças; inteligência artificial; conectividade via satélites; defesaAeronaves e peçasValor de mercadoUS$ 1,75 tri (expectativa com IPO)Sem projeções confiáveisThe post SpaceX ou Blue Origin: quem está à frente na “corrida espacial” dos bilionários appeared first on InfoMoney.
