Stablecoins aumentaram tensão com os EUA em meio investigações comerciais, diz site

Blog

A investigação comercial que levou os Estados Unidos a recomendar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros não se limita ao Pix, ao etanol ou ao desmatamento. Segundo uma reportagem do UOL, nos bastidores das negociações entre Brasília e Washington, as stablecoins — criptomoedas lastreadas em moedas tradicionais — aumentaram o ruído entre os negociadores. Conforme fontes envolvidas nas discussões ouvidas pelo portal, medidas adotadas pelo Banco Central para ampliar o controle sobre operações com esses ativos aumentaram o desconforto de autoridades americanas e ajudaram a deteriorar o ambiente das negociações que antecederam a conclusão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).O tema ajuda a explicar por que o relatório americano dedicou atenção especial aos sistemas de pagamentos e aos instrumentos financeiros digitais operados ou regulados pelo Estado brasileiro.Embora as stablecoins não sejam mencionadas explicitamente entre os argumentos centrais do documento, a apuração aponta que o debate sobre o controle desses ativos passou a integrar uma preocupação mais ampla de Washington com o avanço de mecanismos financeiros que reduzem a influência de empresas americanas ou aumentam a supervisão sobre fluxos internacionais de recursos.Leia tambémLula diz que espera telefonema de Trump para explicar últimas medidas dos EUAO presidente brasileiro ironizou a queixa americana sobre o sistema de pagamentos e cobrou explicações sobre a taxação de 25% aplicada antes do fim do prazo das negociações ministeriaisEUA marcam audiência para 6 de julho antes de decidir tarifaço; veja próximos passosNa ocasião, poderão ser ouvidos representantes de indústrias e organizações brasileiras e americanas. O que incomoda os Estados UnidosAs stablecoins são ativos digitais cujo valor acompanha moedas tradicionais. As mais utilizadas no Brasil, como USDT e USDC, têm paridade com o dólar e são emitidas por empresas ligadas ao sistema financeiro americano.Segundo dados da Receita Federal, cerca de 90% das operações com criptoativos realizadas no país envolvem stablecoins.Para os Estados Unidos, esses ativos cumprem um papel estratégico. Como as reservas que garantem sua estabilidade são compostas principalmente por dólares e títulos do Tesouro americano, sua utilização em diferentes países ajuda a ampliar a circulação da moeda americana no sistema financeiro global.Na prática, quanto maior a adoção dessas moedas digitais, maior tende a ser a demanda por ativos denominados em dólar. Por isso, iniciativas regulatórias que dificultem sua utilização costumam ser acompanhadas com atenção por Washington.A mudançaEm 2025, o Banco Central criou um regime de autorização para empresas que atuam com ativos virtuais e passou a enquadrar operações com stablecoins estrangeiras como operações de câmbio, sujeitando-as às mesmas regras aplicadas a transações internacionais tradicionais.As novas exigências entraram em vigor em fevereiro de 2026. Na mesma época, outra norma passou a exigir certificação técnica independente para empresas que realizam custódia ou intermediação desses ativos.O movimento mais sensível ocorreu em abril, quando o BC proibiu a utilização de stablecoins, bitcoin e outros criptoativos para liquidação de pagamentos internacionais dentro do sistema eFX, plataforma regulada pela autoridade monetária para operações internacionais de pessoas físicas e empresas.A justificativa oficial para as medidas foi o reforço dos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e de rastreabilidade das operações financeiras. As novas regras ampliaram exigências de identificação de usuários, monitoramento de fluxos financeiros e armazenamento de informações por períodos mais longos.O tema, porém, segundo a reportagem do UOL, passou a ser interpretado por setores do governo americano sob uma ótica mais ampla, envolvendo concorrência financeira e circulação internacional do dólar.The post Stablecoins aumentaram tensão com os EUA em meio investigações comerciais, diz site appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *