A Magalu entrou recentemente na briga pelo mercado de delivery e já está mostrando que não veio para apaziguar. Em um novo capítulo dessa disputa, o aiqfome, app comprado pelo Grupo Magalu em 2020, entrou com um processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) questionando as regras de exclusividade do iFood em cidades do interior.Na denúncia, o aiqfome, aplicativo de delivery com atuação concentrada no interior do Brasil, alega que um acordo firmado entre o órgão e o iFood em 2023 deixou parte dos municípios fora das restrições e pode favorecer práticas que dificultam a atuação de outros aplicativos.A ação vem à tona no mesmo mês em que a varejista anunciou o lançamento do Magalu Delivery, serviço que já estreia em mais de 400 cidades do país, entregando refeições, supermercado e conveniência dentro do próprio app da companhia.Segundo o Valor, a denúncia foi feita em fevereiro de 2026 e ainda tramita em sigilo. Neste momento, o Cade estaria analisando as informações e ainda precisa decidir se abre inquérito administrativo ou arquiva o caso.A discussão envolve o alcance do Termo de Compromisso de Cessação (TCC), firmado em 2023, que estabeleceu limites para contratos de exclusividade do iFood. O aiqfome defende a revisão das regras para que as restrições também alcancem cidades pequenas e médias, enquanto o iFood sustenta que o acordo já estabelece limites nacionais e municipais aplicáveis ao mercado.Na representação, o aiqfome argumenta que o recorte de 500 mil habitantes previsto no TCC deixa de fora uma parcela relevante do mercado de delivery brasileiro. A plataforma afirma que o chamado “interior profundo”, com municípios entre 40 mil e 200 mil habitantes, concentra operações de diferentes aplicativos e deveria estar contemplado pelas medidas de proteção à concorrência.Leia mais: iFood apresenta queixa no Cade contra Keeta; rival fala em medo da concorrência“Nós acreditamos em plataforma aberta. O lojista tem que poder estar em quantos apps quiser, e cabe a cada empresa conquistar esse empreendedor pela qualidade, não prendê-lo via contrato. O que vemos na prática é o oposto: restaurantes que querem operar em outro app são punidos. Caem no ranking de busca, perdem vitrine e destaque, e ainda recebem ameaça de multa por quebra de exclusividade. Isso não é competição, é dependência forçada”, diz Igor Remigio, CEO e cofundador do aiqfome.Segundo ele, foram apresentadas ao Cade evidências relacionadas a essas alegações, especialmente sobre multas contratuais. O CEO ainda afirma que os valores podem chegar a R$ 300 mil para um restaurante pequeno em uma cidade de 35 mil habitantes.“É claro que não temos como auditar e investigar o algoritmo do iFood, e esse nem é o nosso papel. Porém, os relatos de lojistas prejudicados são abundantes. O aiqfome faz o caminho inverso do que denuncia: queremos que o lojista fique com a gente porque quer, não porque foi algemado”, complementa.Com o lançamento do Magalu Delivery, o aiqfome passou a ser uma das áreas disponíveis no superapp da varejista. A operação continua baseada na estrutura do aiqfome, mas ganha acesso à base de mais de 50 milhões de usuários ativos mensais do Magalu.A estratégia inicial mantém a aposta no interior. A primeira fase do Magalu Delivery contempla municípios de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, regiões onde o aiqfome já reúne quase 30 mil restaurantes em cerca de 500 cidades, com população entre 80 mil e 120 mil habitantes.Segundo a empresa, a ideia é avançar para mercados maiores de forma gradual. Campinas, por exemplo, está entre os mercados avaliados pela companhia, enquanto a empresa também considera testar o serviço em uma cidade de aproximadamente 300 mil habitantes. O movimento coloca a Magalu progressivamente na disputa por mercados que estão no centro da briga entre iFood, 99 e Keeta.O que diz o iFoodEm nota à imprensa, o iFood afirma que a representação do aiqfome “não é nova e se baseia em premissas factualmente equivocadas”. A empresa nega que esteja expandindo parcerias exclusivas para cidades menores e afirma que sua atuação está concentrada nos grandes centros urbanos.Leia mais: US$ 300 por hora de conversa: o preço da informação na guerra iFood x Keeta“A alegação de que o TCC deixa cidades menores desprotegidas não procede. Além do limite municipal de 8% do GMV para cidades acima de 500 mil habitantes, o acordo estabelece um limite nacional de 25% válido para todos os municípios. Nas cidades pequenas, o total de restaurantes ativos na plataforma que têm contrato de exclusividade representam menos de 1% do total”, diz o iFood.Sobre a visibilidade dos estabelecimentos, a companhia declara que o posicionamento na plataforma é determinado por critérios objetivos, como perfil de consumo, qualidade do serviço e investimento do parceiro. A empresa nega adotar condutas retaliatórias contra restaurantes que também operam em outras plataformas e afirma manter suas práticas em conformidade com o TCC.“O TCC está em vigor há mais de três anos, é monitorado pelo Cade a cada seis meses e o órgão atestou seu cumprimento. Não há base para revisão do acordo. As alegações da aiqfome são infundadas”, afirma o iFood.Chuva de denúncias no CadeEssa não é a primeira vez que um app de delivery usa o Cade para provocar os concorrentes. Em agosto, o iFood protocolou um pedido de abertura de processo administrativo no Cade contra a Keeta alegando práticas predatórias no mercado. Segundo o iFood, a concorrente estaria operando com prejuízo por pedido e usando recursos da controladora, a Meituan, para subsidiar descontos e preços abaixo do custo.Antes disso, havia sido a Keeta quem enviou uma denúncia contra a 99Food, acusando a concorrente de adotar cláusulas que restringiriam a atuação dos restaurantes em plataformas rivais e de estabelecer regras de paridade de preços em relação ao iFood.No meio desse toma lá, dá cá, o Cade decidiu acompanhar mais de perto as práticas comerciais do setor. Em novembro de 2025, a autarquia abriu um procedimento administrativo para monitorar o mercado de marketplaces de delivery de comida e pediu estudos sobre a dinâmica competitiva em Goiânia, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo e São Vicente.Conteúdo produzido por Startups.com.brThe post Startups: Com Magalu, guerra do delivery ganha nova etapa no Cade appeared first on InfoMoney.
