Em maio, a Meta (M1TA34) anunciou um plano de cortes de 10% (algo em torno de 8 mil demissões) na sua força de trabalho, focada em otimizar sua eficiência com o uso de inteligência artificial. Contudo, um processo judicial movido por ex-funcionários colocou a IA no centro de uma polêmica: segundo os autores da ação, os sistemas de IA usados pela Meta para escolher quem seria dispensado teriam mirado, de forma desproporcional, pessoas com deficiência ou que tiraram licença médica.A ação foi protocolada por 26 ex-empregados da companhia – todos identificados anonimamente – no tribunal federal de Oakland, na Califórnia. Os autores vieram de seis estados americanos e do Distrito de Colúmbia, e foram notificados em maio de que teriam seus cargos eliminados a partir de 22 de julho. O grupo pede uma liminar que barre a Meta de concluir as demissões enquanto o mérito é discutido em arbitragem privada.A ação, aliás, tem tudo para virar case: aparenta ser a primeira contra uma grande empresa americana a questionar o uso de IA em demissões coletivas, e os sistemas descritos no processo dão a dimensão do que está em jogo. Leia tambémA IBM errou a leitura da corrida por infraestrutura de IA. Ainda é possível mudar? Empresa projetou lucro abaixo do esperado, admitiu atraso na mudança dos gastos corporativos e viu as ações desabarem mais de 25%A denúncia cita que a Meta teria usado uma combinação de ferramentas internas para pontuar e ranquear funcionários numa “lista de demissão”: o Metamate, um assistente baseado em LLM; um “segundo cérebro” treinado para rastrear comunicações e documentos de cada empregado; e um score de produtividade construído a partir da varredura de teclas digitadas, conteúdo de tela, e-mails e histórico de navegação.Segundo reportou a Reuters, o que torna o caso especialmente sensível é o tipo de acusação. De acordo com a denúncia, a Meta teria se baseado em fatores como produtividade e uso de tokens de IA para decidir quem sairia, prejudicando quem faltou por problemas de saúde ou para cuidar da família.Na prática, os autores acusam a companhia de violar leis federais e estaduais que proíbem discriminação contra trabalhadores com deficiência, gestantes ou em licença médica, e de não ter testado seus sistemas de IA contra vieses, como exigem legislações recém-aprovadas na Califórnia e em Nova York.Em nota, a Meta refutou os argumentos. “As decisões de gestão de pessoas e as decisões organizacionais foram e são tomadas por pessoas, não por IA”, disse um porta-voz da companhia, que classificou as alegações como sem mérito.As demissões são parte de uma reestruturação profunda da Meta, que vem despejando bilhões em IA e colocando agentes autônomos no centro tanto de seus produtos quanto de sua operação interna. Segundo fontes ligadas à empresa de Menlo Park, a reestruturação ainda está em andamento e deve ter novas rodadas de demissões ainda este ano. Conteúdo produzido por Startups.com.brThe post Startups: Ex-funcionários processam Meta por uso de IA em demissões appeared first on InfoMoney.
