Startups: O brasileiro filho de indianos que comanda um fundo no Vale

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Nascido e criado em Vitória (ES), Amit Garg tem três países que chama de lar: o Brasil, os Estados Unidos e a Índia. Filho de indianos que migraram ao Brasil para lecionar na Universidade de Brasília, ele cursou o ensino médio na capital federal antes de embarcar, aos 18 anos, para os Estados Unidos, onde se formou em Stanford. Há 27 anos no país, ele é hoje um dos poucos brasileiros a comandarem um fundo de venture capital global no Vale do Silício.Especializado em early stage, o Tau Ventures, fundado por Amit e seu sócio, Sanjay Rao, possui hoje três fundos, com um total de US$ 100 milhões sob gestão. A tese da gestora se divide em duas verticais: healthtechs e enterprise.A escolha pelo segmento de saúde, que Amit lidera na casa, está ligada ao histórico pessoal e acadêmico do investidor. Ainda em Stanford, ele cursou engenharia com minor em biologia, dentro do que os americanos chamam de “pre-med” — trilha típica de quem pretende seguir para a medicina, cursada nos Estados Unidos como pós-graduação. Ele chegou a ser aceito para estudar medicina, mas optou por um mestrado que na época se chamava Biomedical Informatics, mas hoje se aproximaria mais do campo de AI Health.Na Índia, país onde Amit ainda tem família e por onde fez um mochilão aos 19 anos, ele também construiu um hospital, financiado por meio de uma campanha de crowdfunding.Apesar do interesse pelo mercado de saúde, o início da carreira de Amit foi voltado para o setor de tecnologia. Em 2004, ainda recém-formado em Stanford, ele entrou no Google como Associate Product Manager — um programa de formação de lideranças da empresa, que na época “estava decolando”, mas ainda longe do tamanho que tem hoje. Leia tambémAlibaba e AUS fecham acordo de US$ 600 mi para encerrar caso de venda ilegal nos EUAOs EUA acusaram o Alibaba e o AUS (ex-Alipay US) de violarem a Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos (FDCA, na sigla em inglês) ao falharem em impedir o comércio de produtos farmacêuticos ilegaisGoogle perde batalha contra multa recorde de 4,1 bi de euros imposta pela UEUm porta-voz do Google afirmou que ⁠a decisão não ​levou em conta ​seus investimentos para garantir que o Android permaneça aberto, interoperável e gratuitoEm 2008, ele decidiu se aprofundar em negócios e ingressou em um MBA em Harvard. De volta ao Vale do Silício, foi trabalhar na Norwest Ventures, um dos fundos de venture capital mais antigos dos Estados Unidos, onde conheceu seu futuro sócio, Sanjay. Antes de lançar a sua própria gestora, porém, Amit ainda chegou a fundar uma startup, e depois retornou ao mercado de VC como investidor na Samsung Next Ventures.Com o lançamento da Tau Ventures em 2019, Amit assume a vertical de healthtechs, com o objetivo de investir em soluções que aumentassem a eficiência e reduzissem a burocracia dos sistemas de saúde.“A gente acha que o Brasil tem muita burocracia, mas os Estados Unidos têm mais ainda. Um terço dos custos com saúde nos EUA é papelada. Eu tenho vários exemplos pessoais de como o sistema de saúde no Brasil é mais eficiente que o americano. O problema do Brasil é o acesso, mas a gente está resolvendo isso”, diz Amit, em entrevista ao Startups.No Brasil, a Tau Ventures investe em startups como a Nilo, que concluiu recentemente uma Série A em US$ 70 milhões, e a Sami, que levantou R$ 60 milhões em uma extensão da Série B em 2024.A gestora também foi investidora da Salú, comprada pela Senior Sistemas recentemente por R$ 318,7 milhões.“A gente está focado em software. Como é que a gente melhora o prontuário, como melhora o acompanhamento, a autorização, o pagamento”, explica Amit.A Tau Ventures já soma 15 saídas desde sua fundação, das quais duas foram “saídas duplas”, casos em que a empresa investida foi adquirida por outra companhia, que posteriormente também passou por um processo de IPO. É o caso da Netskope, plataforma de segurança em nuvem, que abriu capital, e de outro investimento vendido por US$ 2,5 bilhões e avaliado em US$ 4,5 bilhões no dia da oferta pública. Leia também: “Sem almoço grátis”: Nvidia vale quase US$ 5 tri, mas ainda não mima funcionáriosPortfólio globalComo não poderia deixar de ser, pela própria história de vida de Amit e seu sócio, a Tau Ventures nasce como uma gestora global, tanto no portfólio das empresas investidas, como na base de investidores (LPs). A maior parte do capital vem de investidores americanos, mas Singapura responde por cerca de 25% do total captado — fatia maior até do que a participação brasileira, estimada entre 5% e 10%.A aposta no país asiático ocorre por conta de relações que Amit e o sócio já tinham na região, mas também porque Singapura funciona como ponte estratégica entre Oriente e Ocidente.“Singapura é um lugar incrível, incrível mesmo. É um lugar que funciona bem, que é rico, que tem uma abertura muito grande para ideias de fora, e que a língua nos negócios é o inglês, o que facilita”, explica Amit, que além de português e inglês também fala hindi, o idioma oficial da Índia.Apesar do interesse pelo ecossistema brasileiro e com quatro investimentos no país, Amit reconhece as limitações de apoiar os fundadores à distância: “A gente está aqui nos Estados Unidos, a nossa rede está aqui, a gente não acompanha o dia a dia no Brasil, então não consegue ajudar tanto assim. Pelo custo de oportunidade, preferimos continuar focando nos Estados Unidos. Mas uma hora vai”.Ao todo, o portfólio da Tau reúne fundadores e investidores de dezenas de nacionalidades diferentes, incluindo o próprio time interno da gestora, formado por profissionais com raízes na Coreia do Sul, Taiwan e Leste Europeu, além dos Estados Unidos, Brasil e Índia. “Para a gente, um bom empreendedor pode estar em qualquer lugar do mundo”, resume Amit.Conteúdo produzido por Startups.com.brThe post Startups: O brasileiro filho de indianos que comanda um fundo no Vale appeared first on InfoMoney.

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