A inteligência artificial se tornou um critério importante na tese de investimento das gestoras de venture capital. Mas não é só no portfólio que a tecnologia ganhou espaço. Há 17 anos no mercado, a VOX Capital está implementando novas soluções dentro de casa e modernizando processos para se tornar uma gestora AI-first.O movimento acompanha o lançamento do quarto fundo de venture capital da casa, o VOX Tech for Good Growth II, que está em período de captação. A expectativa é chegar a um tamanho próximo do fundo anterior, em cerca de R$ 200 milhões.Em entrevista ao Startups, Rafael Campos, sócio e diretor de Venture Capital na VOX, conta que o principal gargalo não estava na análise das empresas, mas na organização e estruturação dos dados.“Antes, isso dependia muito de o analista anotar bem a entrevista com a empresa, preparar a apresentação, para depois a gente discutir. Hoje, com essas ferramentas, a gente consegue acelerar essa etapa de pegar o que não é estruturado e transformar em estruturado, quase instantaneamente. E isso libera o time para passar muito mais tempo falando com founders e pessoas em torno deles, aumentando os pontos de informação que a gente tem para decidir”, afirma Rafael.Leia mais: Boom da IA mascara crise de retornos no venture capital, mostra PitchBookO uso de IA de forma estratégica pela VOX ganhou uma estrutura formal no início deste ano, com a criação da VOX Data Platform. Construída por um engenheiro de dados contratado especificamente para a função, a plataforma funciona como um data lake e orquestrador central, responsável por definir quais dados cada agente de IA pode acessar e como deve tratá-los.Hoje, a VOX opera 12 agentes autônomos, além de um “superagente” que orquestra outros 14 subagentes especializados na construção de business cases. Cada um é responsável por uma área, como matchmaking ou valuation, por exemplo.Essa espécie de ecossistema de agentes usa tanto dados proprietários – como anotações de reuniões e histórico de investimentos da VOX – quanto informações do CRM, e informações externas de plataformas como PitchBook, Sling Hub, Twin.Para Rafael, a principal vantagem é o ganho de tempo. “Um business case que levava duas semanas para o analista terminar e apresentar, ficou pronta em cerca de seis horas”, diz.Outro ponto positivo é uma análise mais objetiva das companhias. “Toda análise de investimento tem viés. Você fica um mês analisando uma empresa e começa a gostar dela, e aí o analista tem que fazer um pitch de convencimento para o sócio. A IA não tem viés. Por isso a gente fez essa estrutura de 14 agentes: eles fazem uma análise estruturada, baseada no que foram treinados para fazer. Isso também permite fazer mais simulações de cenário. Se antes o analista fazia 25 cenários porque ficava exausto, agora pode fazer 100”, observa Rafael.Leia mais: Sem M&As em 2026, Starian reforça tese de verticalizaçãoDepois de estruturar o processo interno, Rafael afirma que a próxima fase é usar IA para melhorar a experiência de founders e LPs com a gestora.“A gente já tem feito coisas mais interativas com alguns LPs, mas acho que isso é menos sobre relatório e mais sobre a experiência inteira que o LP tem com a gente. Com a facilidade de integrar e estruturar dados aumentando tanto, dá para ir além e inclusive aproximar o LP do founder. Essas são as barreiras que a gente quer explorar agora, daqui para a frente. Mas a gente tem sido tímido em levar isso para fora”, reconhece o sócio da VOX.VOX Tech for Good Growth IIO VOX Tech for Good Growth II é o quarto fundo de venture capital da casa, que tem foco em investimentos de impacto, com teses como transição climática e desenvolvimento social. Os demais fundos são o VOX Tech for Good Growth I, em fase de gestão de portfólio, o VOX Impact Investing II, em fase de desinvestimento, e o VOX Impact Investing I, já encerrado.Além deles, a VOX possui outros quatro fundos de corporate venture capital (CVC): Banco do Brasil, Einstein, Copel e Natura.O novo fundo de growth ainda está em período de captação, mas já investiu em duas empresas: a agtech Agrorobótica e a fintech de crédito Makasí. A ideia é fazer de 10 a 12 investimentos no total, olhando para Série A, com cheques entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões.Com o crescimento da IA, a VOX atualizou a tese para seis verticais: fintechs, com foco em inclusão e segurança financeira; energytechs; agtechs, olhando toda a cadeia alimentar e uso da terra; healthtechs; além de Smart Cities e Indústria 5.0.“E tem um corte novo: toda startup que a gente olha no fundo VOX precisa ter IA no core. Pode até ser interessante uma startup sem IA, ou com IA acessória, mas não é o nosso timing de investimento agora. Nos CVCs ainda tem espaço pra isso, porque a prioridade ali é achar fit estratégico com a corporação”, explica Rafael.Apesar de reconhecer as dificuldades para captar em meio ao cenário de juros altos e incertezas políticas, o investidor destaca que esta tem sido uma boa safra de empresas. “Tem muito LP concordando que essa é uma boa fase para investir em tecnologia. Ficou mais barato e mais rápido construir empresa com IA, e tem menos capital concorrendo. Acho que essa vai ser uma boa safra, a primeira safra “full IA” que a gente vai ter”, diz.Conteúdo produzido por Startups.com.brThe post Startups: VOX lança novo fundo e avança na tese de AI-first dentro de casa appeared first on InfoMoney.
