Stuhlberger: Flávio é “fraco” e não tem plano, mas bolsa pode subir 30% com vitória

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O candidato de oposição Flávio Bolsonaro é “fraco”, não tem um projeto para o país, mas se vencer a eleição presidencial pode provocar uma “porrada insana” na bolsa e o dólar pode cair para R$ 4,80, levando o Banco Central a intervir no mercado para não deixar o real se valorizar demais, avalia Luís Stuhlberger, gestor do fundo Verde, um dos maiores multimercados do país. Segundo ele, a bolsa é o ativo que sofreria maior impacto, com um potencial de alta de 30% em caso de vitória da oposição. “Podemos ter um downside de 10% em caso de vitória de Lula, mas um upside de 30%, porque ninguém tem ação, se entra uma onda de gente comprando sobe muito”, disse, durante evento da Monte Bravo.Segundo o gestor, “mesmo que o Flávio não entregue nada muito bom, só o fato de o Lula sair já vai dar alívio ao limitar a expansão de gastos públicos”, defendeu, acrescentando que “ninguém tem fundo de ação aqui, nem os institucionais, os multimercados, os estrangeiros, a porta é muito pequena e se tiver ordem de compra tem poucas ações com liquidez e o impacto vai ser forte”, disse. Já no caso de uma vitória de Lula, o mercado não teria tanto para cair pois há poucas aplicações de brasileiros e os estrangeiros não venderiam tanto. “Não tem tanto fast money aqui, por isso a bolsa parece muito assimétrica” disse.Usando os dados do mercado de opções, Stuhlberger estima que no caso de vitória de Lula o dólar subiria cerca de 6%, para R$ 5,50, mas “não voltaria para os R$ 6,20”, afirmou. O gestor afirma que os investidores estrangeiros estão mais otimistas que ele com a reeleição do presidente Lula, acreditando que o governo pode repetir os anteriores, o que também ajudaria a segurar as cotações do dólar. “Minha preocupação é que estamos indo para uma desaceleração econômica forte pelo juro alto e endividamento das famílias e elevada inadimplência, e o governo Lula já entraria no novo mandato com uma rejeição alta, e se tivermos uma crise instalada, o governo vai entrar em pânico e criar mais programas de estímulo e jogar a conta para o futuro”, afirma o gestor. “O mercado não vai ser ruim de início com a reeleição, mas a chance de dar coisa muito errada em um ou dois anos é grande”, disse.Stuhlberger vê uma “assimetria negativa” para o juro prefixado com Lula e “moderadamente boa” com Flavio, lembrando que mesmo o candidato de oposição vencendo não poderá cortar muito os juros aqui diante da alta das taxas subindo nos Estados Unidos. “O juro local não pode cair tanto, as Tips (títulos corrigidos pela inflação) estão altas, 2,60%, 2,70% ao ano, e aqui tem de ter uns 4 a 5 pontos porcentuais acima de lá”, afirmou. Por isso ele acredita ser difícil o juro real cair para menos se 6,5% e que os papéis atrelados à inflação são hoje melhor opção que os prefixados. Já a bolsa estaria com os fundamentos próximos à média histórica dos governos do PT.Ele também não se mostra muito otimista com a vitória da oposição, admitindo que os problemas do país devem continuar. “Vai ter euforia no curo prazo, mas o Flavio é um cara fraco, não tem “punch“, não tem projeto de governo, como o pai dele tinha, era maluco, mas não é como um Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo)”, afirmou Stuhlberger. “Ele vai se render ao Centrão, aos lobbies”, acrescentou. “Por isso, não se encante com excesso de otimismo”, recomendou, acrescentando que “não sabe qual a real intenção” do candidato de oposição.O gestor admitiu que o candidato está “cercado de gente boa” e disse que não acredita que a principal conselheira de Flávio, Daniela Marques Cosentino, não deve assumir o Ministério da Fazenda, mas o Banco do Brasil, “que sempre foi o sonho dela”. “Que é melhor que o que temos aí não tenho dúvida, mas se ele vai conseguir aprovar as reformas tenho dúvidas”, disse, acrescentando que o país teria que “piorar muito para o Brasil acordar”.13% em bolsaSegundo Stuhlberger, o fundo Verde está com 13% dos ativos comprado em bolsa brasileira, ante uma média histórica entre 10% e 30%, um porcentual menor e, em parte, por meio de opções de compra e venda, os chamados “call spreads”, tanto de ações individuais quanto no Ibovespa por meio do ETF do índice negociado no exterior, o EWZ. “Se o Lula ganhar, perdemos apenas o prêmio da opção, mas se não, tem um upside de 7, 8, 9 por 1″, diz. Outros 9% do fundo estão em bolsa americana e mais uma parcela em títulos do Tesouro americano corrigidos pela inflação, os TIPS, ambos sem exposição cambial. “Temos ainda posição em ouro de 5% e prata de 2%, e uma exposição em crédito de 15%, que rende CDI mais 4%, com garantia real e duration curta”, diz.Ele diz que não vê uma bolha nas bolsas americanas com as empresas de inteligência artificial e e acredita que mesmo o impacto da alta dos juros deve ser limitado. Segundo ele, a alta das bolsas é justificada pelo aumento dos lucros das empresas e pelo crescimento da economia americana. “Os múltiplos das empresas do S&P500 não é alto, em torno de 19,5 vezes calculando o mesmo peso para todas as ações do índice, e o MSCI Global é de 16,5 vezes, não é bolha como a de 2008 pois os lucros estão subindo muito e os múltiplos devem continuar a cair até”, disse. “Isso dá conforto para continuar investindo”, acrescentou. O risco, falou, é um cenário em que a economia americana pare de crescer e entre em recessão. “Mas não estamos prestes a ver os juros afetando a bolsa, pelo crescimento ainda forte, pelo menos nos próximos 12 meses”, afirmou.Stuhlberger recomenda que o brasileiro tenha dinheiro investido no exterior, “por mais otimista que seja” com o país. “A rentabilidade sempre vai ser um pouco menor, o CDI isento ou quase isento não tem em nenhum lugar do mundo”, admitiu, mas recomendou que o investidor tenha entre 30% e 50% do patrimônio líquido no exterior. The post Stuhlberger: Flávio é “fraco” e não tem plano, mas bolsa pode subir 30% com vitória appeared first on InfoMoney.

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