Desde a redemocratização, nenhuma eleição presidencial brasileira teve uma virada entre o primeiro e o segundo turno. Sempre que a disputa precisou de uma rodada adicional, o candidato que terminou a primeira etapa na liderança acabou eleito.O histórico pode ser colocado à prova em 2026, segundo Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) separados por poucos pontos nas pesquisas, ele avalia que uma diferença pequena no primeiro turno aumentaria o peso de fatores como abstenção, votos brancos e nulos e capacidade de mobilização das campanhas.“Essa é a décima eleição geral do Brasil desde a redemocratização e promete ser uma das mais acirradas da história”, afirmou Medeiros no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.Leia tambémDatafolha: Lula e Flávio empatam com 45% de rejeição do eleitoradoPrincipais nomes na disputa, candidatos seguem empatados pela terceira semana consecutivaLula afirma que vai acabar com bets no país: “decisão já tomada”Presidente destacou que, no passado, futebol no Brasil era melhor mesmo sem financiamento das betsSete segundos turnos, nenhuma viradaDas eleições presidenciais realizadas desde 1989, sete foram decididas no segundo turno. Em todas, segundo Medeiros, o candidato que havia recebido mais votos na primeira rodada manteve a liderança.A diferença entre os dois principais candidatos, no entanto, tem diminuído entre uma etapa e outra nas disputas mais recentes.Em 2014, Dilma Rousseff chegou ao segundo turno após abrir 8 pontos sobre Aécio Neves. A petista acabou reeleita com uma vantagem de 3,3 pontos. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno 5,2 pontos à frente de Jair Bolsonaro e venceu a segunda rodada por 1,8 ponto.Como estava Lula x Bolsonaro a três semanas das urnas em 2022? Veja a diferençaPara Medeiros, uma distância inferior a cinco pontos entre Lula e Flávio neste ano colocaria o padrão histórico sob maior pressão.“Há uma chance hoje muito real de presenciarmos uma virada no segundo turno”, afirmou. “Qualquer mudança na taxa de abstenção, do voto branco e nulo e da mobilização mesmo das bases eleitorais são fatores que podem influenciar a presença ou não do eleitor no segundo turno.”Pesquisas mostram distância curtaOs levantamentos divulgados nesta semana apontaram Lula numericamente à frente de Flávio, mas com diferenças pequenas.A Quaest divulgada na segunda-feira (21) mostrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio com 33%. Na AtlasIntel, divulgada na quarta-feira (23), o placar foi de 45% a 43%.Já a Real Time Big Data desta quinta-feira (24) apontou 41% para o presidente e 37% para o senador. Os institutos apresentam números diferentes, mas mostram uma disputa concentrada nos dois candidatos.Voto útil na reta finalA composição das demais candidaturas também pode ganhar importância. Medeiros avalia que a proximidade da votação tende a estimular o voto útil e reduzir ainda mais o espaço dos candidatos que aparecem atrás de Lula e Flávio.“A busca vai ser pelo voto útil, chamado voto estratégico, tanto da campanha de Lula quanto de Flávio, e tentar desidratar o máximo os candidatos do pelotão de trás”, disse.Segundo o cientista político, o histórico eleitoral brasileiro mostra resistência do eleitor a manter o voto em uma candidatura percebida como pouco competitiva na reta final.“O eleitor não quer desperdiçar o voto. É preferível votar no candidato que tem chance de ganhar do que apostar, depositar seu voto no candidato sem chance alguma”, afirmou.AtlasIntel: Flávio ou Lula, quem leva vantagem nos 3 maiores colégios eleitoraisEsse movimento pode ser especialmente relevante em 2026 porque as candidaturas alternativas estão concentradas no centro e na direita. João Paulo Machado, analista de política da XP, avalia que essa configuração torna mais difícil para Lula buscar votos adicionais em um eventual segundo turno.“É muito difícil a transferência de voto de um eleitor que se identifica com candidatos como esse ir, num segundo turno, caminhar com o presidente Lula”, disse, ao mencionar eleitores de nomes como Romeu Zema.Para Machado, essa distribuição aumenta a importância de Lula chegar à segunda rodada com uma votação elevada já no primeiro turno.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Tabu de 37 anos pode cair? Líder do 1º turno nunca perdeu eleição presidencial appeared first on InfoMoney.
