Tarifas dos EUA podem virar oportunidade ou novo desgaste para Flávio, diz analista

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A audiência pública promovida pelos governo dos Estados Unidos para discutir a possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros se transformou em mais um capítulo da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A principal diferença entre os dois lados está na estratégia adotada. Enquanto o senador decidiu atuar diretamente junto às autoridades americanas, o governo brasileiro optou por esvaziar o caráter político da audiência e concentrar sua atuação na via diplomática. Segundo a analista de política da XP Bianca Lima, a viagem pode representar uma oportunidade para o senador tentar mudar o foco da campanha após uma sequência de crises.“Essa viagem talvez seja uma oportunidade para o pré-candidato Flávio Bolsonaro tentar virar a página de uma série de episódios que trouxeram fragilidade à campanha — desde o diálogo com Daniel Vorcaro até o vídeo da Michelle Bolsonaro — e criar um fato político novo. Se a audiência coincidir com uma postergação ou até com a não aplicação da tarifa, isso pode ser apresentado como um resultado positivo”, afirmou no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (3).Ao mesmo tempo, Bianca avalia que a estratégia envolve riscos elevados. “Se, depois dessa atuação, a tarifa acabar sendo aplicada, o desgaste pode voltar a recair sobre a família Bolsonaro. A gente lembra o que aconteceu em 2025, quando uma parcela do eleitorado responsabilizou Eduardo Bolsonaro pelo primeiro tarifaço dos Estados Unidos, e isso acabou repercutindo positivamente para o governo Lula”, disse.Do lado do Planalto a avaliação é diferente. Em vez de participar da audiência, o governo representou uma manifestação formal por escrito rebatendo os argumento utilizados pelos Estados Unidos para justificar a tarifa, como as críticas ao PIX e às decisões do Judiciário brasileiro envolvendo plataformas digitais. “O governo vem tentando manter essa discussão pela via diplomática, respondendo formalmente aos argumentos americanos e procurando esvaziar o sentido político da audiência. A estratégia é tratar o tema como uma disputa comercial, e não como um embate eleitoral”, explicou Bianca.Na avaliação da analista, a disputa em torno das tarifas passou a ocupar um espaço importante na corrida presidencial porque seus efeitos ultrapassam e economia e atingem diretamente a narrativa das campanhas. “Esse é um tema que preocupa setores econômicos importantes, mas acabou ganhando uma relevância política enorme no contexto da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula”, afirmou.Qualquer decisão da administração Donald Trump poderá ser explorada politicamente pelos dois lados, seja como demonstração de capacidade de interlocução internacional, seja como mais um capítulo da disputa sobre quem arca com o custo político das tarifas americanas.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Tarifas dos EUA podem virar oportunidade ou novo desgaste para Flávio, diz analista appeared first on InfoMoney.

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