Taxas curtas sobem e curva já precifica chance minoritária de alta da Selic em agosto

Blog

SÃO PAULO, 9 Jun (Reuters) – A deterioração ⁠das expectativas do mercado para a inflação e a política ⁠monetária continuou a impactar a curva a termo brasileira nesta terça-feira, com as taxas dos ‌DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo voltando a subir e já precificando chances, ainda que minoritárias, de uma alta da Selic em agosto.Na ponta longa da curva, as taxas cederam durante boa parte ‌da sessão, mas ganharam força durante a tarde após o presidente dos EUA, Donald Trump, acusar o Irã de ter derrubado um helicóptero norte-americano e prometer uma retaliação.No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,5%, em alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,472% da sessão anterior. O retorno do DI para janeiro de 2028 marcava 14,925%, com elevação ⁠de ‌6 pontos-base ante o ajuste de 14,868%.Na ponta longa, a taxa do DI para janeiro de 2035 ⁠estava em 14,71%, praticamente estável ante o ajuste de 14,707%.Foi a sétima sessão consecutiva de elevação da curva brasileira.Leia tambémMercado de juros precifica alta da Selic, com prefixados perto de 15% ao anoPrefixados cruzaram os 14,50% na sexta após o payroll, aceleraram a alta na segunda, e nem alívio geopolítico desta terça é capaz de reverter movimentoDesde o dia 29 de maio as instituições financeiras vêm alterando suas projeções para a inflação e a taxa básica Selic, na esteira do resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) e de outros indicadores divulgados posteriormente. Como pano de fundo está a ​continuidade da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre a inflação.No mercado de renda fixa, isso tem se traduzido na expectativa de uma Selic mais elevada do que o originalmente ​projetado. Atualmente, a taxa básica está em 14,50% ao ano.Nesta terça-feira, ainda que tenham mostrado maior acomodação pela manhã, as taxas curtas dos DIs ganharam força e se firmaram em alta à tarde, com os agentes intensificando as apostas em uma política monetária mais restritiva.Operador ouvido pela Reuters chamou atenção para o fato de o DI para janeiro de 2027 já refletir apostas, ainda ‌que minoritárias, de uma alta de 25 pontos-base da Selic em ​agosto — e não de um corte de 25 pontos-base, como se esperava há algumas semanas.Durante a tarde, a curva a termo precificava cerca de 70% de probabilidade de manutenção da Selic neste mês de junho e 30% de chance de ⁠corte de 25 pontos-base. No caso ​de agosto, conforme o banco ​Bmg, são cerca de 65% de probabilidade de manutenção, contra 35% de chance de elevação de 25 pontos-base da taxa.Às 13h43, ⁠a taxa do DI para janeiro de 2027 atingiu ​a máxima intradia de 14,525% (+5 pontos-base), em um momento em que os rendimentos dos Treasuries também ganharam força após declarações de Trump.Leia tambémXP: teremos de nos acostumar com juros altos por mais tempo, sobretudo pelo fiscalO economista-chefe da XP afirmou em evento do Grupo Lide que o patamar elevado da taxa será mantido não apenas por pressões externas e inflação, mas sobretudo pelos gastos do governoO presidente dos EUA afirmou nas redes sociais que o Irã derrubou um helicóptero Apache ​norte-americano que patrulhava o Estreito de Ormuz. Sem dar mais detalhes, ele prometeu retaliar.Os rendimentos dos Treasuries chegaram a subir logo após as declarações, mas retornaram para o ​negativo posteriormente. No Brasil, porém, ⁠as taxas curtas seguiram em alta e as longas zeraram as perdas vistas mais cedo.Após marcar a mínima de 14,555% (-15 pontos-base) às ⁠9h38, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,735% (+3 pontos-base) às 16h16, já na reta final da sessão regular.Às 16h42, o rendimento do Treasury de dois anos–que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo nos EUA– tinha queda de 3 pontos-base, a 4,124%. Já o retorno do título de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 2 pontos-base, a ​4,526%.The post Taxas curtas sobem e curva já precifica chance minoritária de alta da Selic em agosto appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *