SÃO PAULO, 5 Jun (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira pós-feriado com altas firmes, acompanhando a disparada dos rendimentos dos Treasuries no exterior após dados mostrarem geração de postos de trabalho acima do esperado em maio nos Estados Unidos.Os números do mercado de trabalho norte-americano, que contaminaram negativamente os mercados globais, foram mais um impulso para as taxas futuras no Brasil, que desde a semana passada têm refletido uma piora nas projeções de inflação e Selic.No fim da tarde, a taxa dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) para janeiro de 2028 estava em 14,645%, em alta de 27 pontos-base ante o ajuste de 14,375% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,655%, com elevação de 21 pontos-base ante o ajuste de 14,448%. Foi a quinta sessão consecutiva de alta das taxas futuras brasileiras.O Departamento do Trabalho dos EUA informou pela manhã que foram gerados 172 mil postos de trabalho em maio, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters. O dado de abril foi revisado de 115 mil novas vagas para 179 mil.Leia tambémPetróleo fecha em queda com dólar forte, mas sobe na semana de olho em tensões no IrãOs barris do WTI e do Brent fecharam em queda nesta sexta-feira diante da perspectiva de juros elevados pelo Fed, mas acumularam ganhos semanais sustentados pelas incertezas no Oriente MédioDólar ultrapassa R$ 5,15 após dados de emprego nos EUA muito acima do esperadoResultado reduz ainda mais as chances de um aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).O resultado deu força à percepção de que o Federal Reserve tende a trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais em um contexto de guerra no Oriente Médio.Após a divulgação, os futuros dos Fed Funds passaram a embutir quase 100% de probabilidade de pelo menos uma elevação de juros nos EUA até o fim deste ano, conforme a ferramenta CME FedWatch.Em paralelo, os rendimentos dos Treasuries dispararam, em especial os de curto prazo, e no Brasil as taxas dos DIs também engataram ganhos firmes.Operador ouvido pela Reuters pontuou que os dados de emprego dos EUA juntaram-se aos fatores locais que, nos últimos dias, têm impulsionado a curva brasileira.Desde a última sexta-feira, em função do resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, instituições financeiras têm elevado suas projeções para a inflação e a taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano.Após instituições como Itaú Unibanco, XP, BTG e C6 passarem a projetar um cenário mais adverso para a política monetária, nesta sexta-feira foi a vez do BofA alterar de 13,25% para 14,25% sua projeção para a Selic no fim deste ano, o que implica em apenas mais um corte de 25 pontos-base neste mês de junho. Para o fim de 2027, a projeção para a Selic foi de 12,50% para 13,25%.“A mudança reflete uma combinação de deterioração da dinâmica corrente da inflação, aumento das expectativas de inflação e enfraquecimento do real. Ao mesmo tempo, a atividade segue sustentada por estímulos fiscais e de crédito contínuos… adiando o ajuste necessário nas condições de demanda”, disse a instituição.Leia tambémOuro fecha em queda de 3% e prata perde 6% com tensões no Oriente Médio e payrollAs commodities fecharam em queda acentuada com os metais pressionados pelo relatório de emprego acima do esperado nos EUA e pelo impasse nas negociações entre Washington e IrãTesouro Direto: juros nominais atingem máximas do ano após dado de trabalho nos EUAEUA criaram 172 mil vagas em maio, mais que o dobro da expectativa, aumentando temor de que o banco central americano seja obrigado a aumentar os jurosNeste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,665% (+29 pontos-base) às 13h20, enquanto o DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,660% (+21 pontos-base) às 13h05.As taxas das Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs) também seguiram elevadas, apesar da leve compressão em relação à última quarta-feira. Dados da LSEG mostram que a taxa real da NTN-B para 2035 negociada no mercado secundário estava em 7,65% na tarde desta sexta-feira, contra 8% na quarta.Boa parte da pressão inflacionária, que tem mexido com as projeções de inflação e com a curva, segue ligada à guerra no Oriente Médio.Na quinta-feira, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não iria retirar as tropas do país. Essas decisões minam um possível entendimento entre Teerã e Washington, já que o Irã vem considerando o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah como requisito para um acordo de paz com os EUA.Às 16h39, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha alta de 11 pontos-base, a 4,162%. Já o retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 7 pontos-base, a 4,544%.(Edição de Pedro Fonseca)The post Taxas dos DIs sobem pela quinta sessão seguida impulsionadas por dados do payroll appeared first on InfoMoney.
