Tesouro Direto: taxas decolam e voltam a indicar alta da Selic após discurso de Warsh

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Os prefixados do Tesouro Direto dispararam na volta da suspensão das negociações nesta quarta-feira (17). O Prefixado 2029 foi a 14,73%, ante 14,47% registrados às 15h38, antes da interrupção, num movimento que reflete a digestão completa do discurso de Kevin Warsh em sua primeira coletiva como presidente do Fed, e que volta a precificar elevação da Selic, atualmente em 14,50% ao ano. O Copom anuncia sua decisão logo mais.A volatilidade provocada pela reavaliação da fala de Warsh acionou o mecanismo de suspensão do Tesouro Nacional, padrão em momentos de oscilação intensa nos juros de mercado. Na volta, as taxas reabriram em patamar significativamente mais alto.O Prefixado 2032 subiu para 14,67%, ante 14,43% na tarde, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi a 14,53%, de 14,32%. Na comparação com o fechamento de terça-feira, o avanço é ainda mais expressivo: o Prefixado 2029 acumula alta de 35 pontos-base, saindo de 14,38% para 14,73%.Nos títulos de inflação, a abertura também foi forte. O IPCA+ 2050 subiu para 7,21%, de 7,11% na tarde, e o IPCA+ 2060 com juros semestrais foi a 7,39%, de 7,30%. O IPCA+ 2040 avançou para 7,51%, de 7,40%, e o IPCA+ 2032 foi a 8,33%, de 8,21%. O IPCA+ 2037 com juros semestrais subiu para 7,86%, de 7,75%.Leia também: “A cor local está horrorosa”: Legacy teme piora do Brasil pós-eleiçõesO movimento consolida a leitura dura que o mercado vinha construindo desde o comunicado do FOMC, divulgado mais cedo. O Fed manteve os juros no intervalo de 3,50% a 3,75% por unanimidade, mas revisou com força as projeções de inflação, com a mediana do índice cheio saltando de 2,7% para 3,6% neste ano e o núcleo avançando de 2,7% para 3,3%. Metade dos dirigentes passou a prever ao menos uma alta de juros até o fim de 2026. Na coletiva, Warsh reafirmou o compromisso com a meta de 2% e adotou um comunicado mais curto e sem indicações explícitas sobre os próximos passos, postura que o mercado interpretou como sinal de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.A elevação dos prêmios reflete diretamente o cenário externo mais adverso. Juros altos por mais tempo nos EUA aumentam a atratividade dos ativos americanos e pressionam as moedas emergentes. O dólar voltou a operar acima de R$ 5 após a coletiva, e o índice DXY, que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas, superou os 100 pontos. Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, resume o mecanismo. “As novas projeções indicam juros mais elevados por mais tempo, o que aumenta a atratividade dos ativos americanos e pressiona moedas emergentes”, afirma. O movimento encarece o custo de capital para o Brasil e empurra a curva de juros doméstica para cima.No mercado local, o Ibovespa, que chegou a subir mais de 1% impulsionado pelo acordo de paz no Oriente Médio, passou a cair forte após o comunicado, ilustrando o impacto direto da postura do Fed sobre os ativos de risco brasileiros.Veja as taxas do Tesouro Direto às 17h23 desta quarta-feira (17):TítuloRendimento AnualVencimentoTesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0742%01/03/2031Tesouro Prefixado 202914,73%01/01/2029Tesouro Prefixado 203214,67%01/01/2032Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,53%01/01/2037Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,33%15/08/2032Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,86%15/05/2037Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,51%15/08/2040Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,59%15/05/2045Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,21%15/08/2050Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,39%15/08/2060The post Tesouro Direto: taxas decolam e voltam a indicar alta da Selic após discurso de Warsh appeared first on InfoMoney.

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