Títulos IPCA+ de longo prazo rendem em 1 dia mais de 3 meses de CDI

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A queda dos juros depois do primeiro turno da eleição presidencial fez os títulos públicos atrelados à inflação com vencimento mais longo subirem 4,09% na segunda-feira (5), segundo o IMA-B 5+, índice da Anbima que acompanha esses papéis. O ganho de um único dia equivale a mais de três meses de rendimento do CDI e beneficia quem tem fundos com esses títulos na carteira.A lógica é a mesma de qualquer título de renda fixa: quando os juros caem, os papéis já emitidos se valorizam, porque pagam mais do que os novos. Quanto mais longo o prazo, maior o efeito.O movimento veio depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), diante da expectativa maior por cortes de gastos num eventual novo governo. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, explica que é nos títulos longos que está boa parte do prêmio cobrado pelo risco de crescimento da dívida pública, e por isso foram esses papéis que mais reagiram ao resultado. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.Leia também: Comprar ou realizar? O que fazer na Bolsa e renda fixa após 1º turnoQuanto rendeu cada tipo de títuloOs títulos de prazo mais longo foram os que mais ganharam. No Tesouro Direto, as taxas dos prefixados tiveram a maior queda em um único dia desde 2008, e o índice da Anbima que reúne esses papéis com mais de um ano até o vencimento (IRF-M 1+) avançou 3,60%.Já os títulos atrelados à inflação com até cinco anos de prazo subiram 0,99%. O Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros e quase não oscila, rendeu 0,05%.Índice AnbimaO que acompanhaSegunda (5)No anoIMA-B 5+Títulos IPCA+ com mais de 5 anos+4,09%+14,11%IRF-M 1+Prefixados com mais de 1 ano+3,60%+12,68%IDA-IPCA InfraestruturaDebêntures de infraestrutura+2,58%+7,07%IMA-B 5Títulos IPCA+ com até 5 anos+0,99%+12,61%IMA-STesouro Selic+0,05%+10,79%Mesmo rendendo pouco, o Tesouro Selic segue entre as opções indicadas por especialistas para quem prefere esperar o fim da eleição, com a Selic em 13,75%. “Não é um ativo que vai trazer um ganho relevante, só que é o que vai garantir que o investidor continue no jogo”, diz Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research.Debêntures recuperam parte das perdasAs debêntures incentivadas, títulos de dívida de empresas de infraestrutura isentos de Imposto de Renda para a pessoa física, também subiram forte. O índice da Anbima para esses papéis avançou 2,58% na segunda, mas acumula 7,07% no ano, abaixo dos 10,79% do Tesouro Selic.Parte do atraso vem de setembro. Segundo a Sparta, citando dados até o fim do mês passado, o prêmio que as empresas pagam acima dos títulos públicos nessas debêntures subiu em média cerca de 0,40 ponto percentual no mês. Quando esse prêmio sobe, o preço das debêntures cai.Leia tambémPrefixados do Tesouro Direto renovam mínimas e caem pelo 2º dia após o 1º turnoCurva de juros volta a ceder com rescaldo do rali da véspera, em movimento apoiado por queda do petróleo e alívio nos títulos americanos nesta terçaEm carta mensal, a gestora afirma que o movimento não veio de problemas de crédito relevantes nem de piora das empresas, e sim de uma mudança pequena no fluxo de compra e venda, em um mercado com poucos compradores. Os fundos de debêntures que trocam a correção pela inflação pelo CDI tiveram um dos piores meses da história, com a maior parte no negativo.Já os fundos atrelados à inflação terminaram setembro no positivo, porque a queda dos juros dos títulos públicos compensou a alta do prêmio. Na segunda, a diferença entre os dois tipos de papel apareceu de novo. O índice das debêntures de infraestrutura corrigidas pelo IPCA subiu 2,58%, enquanto o das atreladas ao CDI ganhou 0,09%.A gestora diz que a alta recente do prêmio começa a criar oportunidades, mas segue cautelosa, porque os pedidos de resgate feitos depois do resultado ruim de setembro só devem aparecer nos dados de outubro e novembro. “Um bom crédito não é necessariamente um bom investimento”, afirma a Sparta na carta, ao defender que o investidor avalie quanto risco de oscilação de preço está assumindo e quanto recebe por isso.Ainda vale entrar?Ricardo Farias, gestor de renda fixa e multimercado da Fator Administração de Recursos, recomenda que quem ainda não comprou prefixados espere passar a euforia para separar o que é ajuste de preço do que é exagero.Gabriel Magno, sócio da AW Capital, considera que ainda vale travar uma taxa prefixada nos níveis atuais, mas lembra que a eleição não acabou e que o cenário pode virar.Letícia Albuquerque, head de Soluções de Investimentos da Tivio Capital, prefere títulos IPCA+ de prazo intermediário, com prazo médio de cerca de sete anos. “Alongar só faz sentido quando a gente tiver mais visibilidade de medidas críveis de ajuste fiscal”, diz.O risco de virada vale nos dois sentidos, vale lembrar, por isso a mesma oscilação que valorizou os títulos longos na segunda pode desvalorizá-los se o cenário mudar até o segundo turno. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, avalia que os preços já embutem quatro anos de governo Flávio e que, se Lula vencer, “boa parte desse movimento vai por água abaixo”.The post Títulos IPCA+ de longo prazo rendem em 1 dia mais de 3 meses de CDI appeared first on InfoMoney.

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