Trump assina acordo nuclear com a Arábia Saudita em mudança de política dos EUA

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Os Estados Unidos e a Arábia Saudita fecharam um aguardado acordo de compartilhamento de tecnologia nuclear que pode abrir caminho para que empresas americanas construam reatores no país árabe. Ao mesmo tempo, o entendimento também abre espaço para que o reino enriqueça o próprio combustível nuclear.O acordo pode beneficiar a Westinghouse Electric e outras companhias americanas do setor, mas representa uma ruptura em relação a tratados anteriores de cooperação nuclear, que proibiam de forma explícita o enriquecimento de urânio. A mudança gerou preocupação entre especialistas em não proliferação nuclear e alguns integrantes do Congresso dos EUA, que veem risco de a Arábia Saudita usar esse processo para obter material com potencial uso militar.Leia tambémIrã nega atividade nuclear em montanha e acusa EUA de criar pretexto para ataquesTeerã afirma que local citado por Trump não abriga centrífugas e critica silêncio da AIEA diante das ameaças americanas de bombardeio ao complexo subterrâneoTrump aprova acordo nuclear que pode permitir à Arábia Saudita enriquecer urânioA parceria envolve empresas americanas no programa civil saudita e pode enfrentar forte oposição no Congresso dos EUA por temores de proliferação atômica na regiãoO secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e o ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram um “acordo de cooperação nuclear pacífica” e também um “acordo bilateral de salvaguardas”, segundo informou o Departamento de Energia americano nesta quarta-feira.“Esses acordos refletem o compromisso comum de nossos dois países com o fortalecimento das relações comerciais entre EUA e Arábia Saudita, promovendo prosperidade dentro de casa e segurança para nossos aliados no exterior”, afirmou Wright em comunicado. “Eles seguem os mais altos padrões de segurança nuclear e de não proliferação, com apoio da melhor tecnologia nuclear e dos melhores cientistas do mundo, desenvolvidos aqui mesmo nos Estados Unidos.”Uma parte central do acordo, avaliado em dezenas de bilhões de dólares, prevê que empresas americanas poderão construir uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, caso um estudo conjunto dos dois países conclua que isso é necessário, segundo o Wall Street Journal, que noticiou o tema mais cedo.“Se os detalhes divulgados estiverem corretos, isso sinaliza uma mudança na política de não proliferação dos EUA e pode desencadear uma corrida nuclear no Oriente Médio”, disse Dina Esfandiary, analista da Bloomberg Economics. “Os EUA estão dando à Arábia Saudita justamente aquilo que foram à guerra com o Irã para impedir: o enriquecimento.”Segundo ela, para os sauditas, o acordo vai além da questão nuclear. “Trata-se também de aprofundar o vínculo com os EUA na área de segurança, garantindo que Washington tenha interesse direto na proteção do reino”, afirmou.Mais cedo, ao ser questionado sobre o acordo, Wright disse que ele inclui “os mais altos padrões de salvaguardas nucleares, tanto em segurança quanto em não proliferação”.Um entendimento com os sauditas também pode ajudar empresas americanas a ganhar espaço em uma região onde concorrentes vêm avançando, especialmente a Rússia. Turquia e Egito, duas das maiores economias do Oriente Médio e aliados importantes dos EUA, vêm trabalhando com a estatal russa Rosatom na construção de usinas nucleares. A primeira unidade turca deve entrar em operação ainda neste ano.Acordos anteriores de compartilhamento de tecnologia nuclear com países como o Japão vedavam expressamente o enriquecimento e o reprocessamento de urânio já utilizado. Mas, no início deste ano, a Casa Branca enviou ao Congresso um relatório de três páginas defendendo o compartilhamento de tecnologia nuclear sensível com Riad, incluindo possível cooperação em enriquecimento de urânio e reprocessamento de plutônio.O documento, obtido pela Bloomberg, afirma que esse tipo de acordo atenderia aos interesses de segurança dos EUA e, ao mesmo tempo, daria a Washington mais visibilidade sobre o programa nuclear saudita.Antes dos ataques do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, o governo Biden chegou a considerar incluir a cooperação nuclear com os sauditas em um acordo regional mais amplo. A ideia previa a normalização das relações diplomáticas entre Arábia Saudita e Israel, em troca de algumas concessões israelenses aos palestinos.Grupos de monitoramento ligados à não proliferação afirmam que o acordo pode abrir precedente para que outros países do Oriente Médio também reivindiquem o direito de produzir combustível nuclear, aproximando a região da possibilidade de uma corrida armamentista atômica.“Assim como ocorreu no governo Biden, a equipe de Trump aposta na ideia fantasiosa de que existe algum mecanismo secreto e infalível capaz de impedir que a Arábia Saudita enriqueça urânio para fabricar bombas”, disse por e-mail Henry Sokolski, diretor-executivo do Nonproliferation Policy Education Center. “Na prática, essa proteção não existe.”© 2026 Bloomberg L.P.The post Trump assina acordo nuclear com a Arábia Saudita em mudança de política dos EUA appeared first on InfoMoney.

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