Trump e Xi se encontram enquanto EUA e China trocam “chutes por baixo da mesa”

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WASHINGTON — Quando os Estados Unidos e a China chegaram a uma trégua comercial durante uma reunião na Coreia do Sul há um ano, o acordo ajudou a restaurar parte da estabilidade em uma relação econômica que ameaçava sair do controle.O entendimento levou o presidente Donald Trump a recuar de tarifas punitivas sobre exportações chinesas e fez com que a China prometesse manter os embarques de minerais estratégicos que havia interrompido em resposta às tarifas impostas por Washington.Agora, os negociadores parecem estar se preparando para prorrogar esse acordo, enquanto Xi Jinping, líder da China, se dirige a Washington para se encontrar com Trump ainda nesta semana. Na noite de domingo, autoridades americanas afirmaram que os dois lados discutirão a criação de um diálogo sobre inteligência artificial e o incentivo ao comércio de bens não sensíveis, como energia e produtos de consumo.Mas, apesar dos planos para um jantar de Estado e toda a pompa prevista na Casa Branca, a trégua entre Estados Unidos e China tem sido mais frágil do que aparenta. O acordo não impediu que os dois governos continuassem adotando medidas um contra o outro, algumas delas ameaçando comprometer completamente o entendimento firmado. Ambos os países acusam o outro de descumprir promessas feitas em outubro, durante as negociações na Coreia do Sul.Autoridades americanas afirmam que as exportações chinesas de diversos minerais essenciais para automóveis, semicondutores e ferramentas elétricas continuam excessivamente restritas, deixando empresas preocupadas com o abastecimento. Ao mesmo tempo, as compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA seguem abaixo dos níveis prometidos.Leia tambémTrump: Rússia perdeu controle de seu setor de diesel e pede fim da guerra na Ucrânia“Essa guerra ridícula e interminável com a Ucrânia precisa acabar”China desacelera IPOs de robôs humanoides à medida que entusiasmo supera a realidadeA desaceleração foi provocada principalmente pelo início volátil das ações da Unitree ‌Robotics, fabricante de robôs humanoides e quadrúpedesEmpresas americanas também demonstram preocupação com uma série de decretos emitidos pelo Conselho de Estado da China desde março, que ampliaram o poder do governo chinês sobre companhias globais que operam no país.As novas regras restringem auditorias independentes de cadeias de suprimentos dentro da China, algo necessário para que empresas cumpram legislações internacionais contra trabalho forçado. Elas também preveem punições para companhias que cumprirem sanções estrangeiras direcionadas a empresas chinesas.Além disso, o governo chinês reforçou a supervisão sobre investimentos externos e exportações de minerais, levantando dúvidas sobre o grau de influência que Pequim pretende exercer sobre os negócios globais.Enquanto isso, os Estados Unidos continuaram impedindo a entrada de mais tecnologias chinesas em seu mercado, incluindo roteadores e robôs humanoides. Recentemente, Washington também acusou a China de copiar modelos americanos de inteligência artificial por meio de uma prática que chamou de “destilação industrial”.Em junho, os EUA adicionaram diversas empresas chinesas a uma lista de companhias ligadas às Forças Armadas da China. Em julho, o governo Trump incluiu dezenas de empresas chinesas em uma lista de restrições comerciais relacionada a acusações de trabalho forçado.Em resposta, a China sancionou sete companhias americanas especializadas em auditoria e rastreamento de cadeias de suprimentos, incluindo empresas que verificam o uso de algodão produzido em Xinjiang. Os Estados Unidos proibiram produtos dessa região devido a preocupações com trabalho forçado.O resultado é um impasse regulatório que coloca empresas em uma posição difícil: cumprir as exigências da legislação americana pode resultar em punições por parte das autoridades chinesas.Segundo analistas, muitas dessas medidas foram calibradas para permanecer abaixo do radar de Trump e evitar um desgaste maior na relação bilateral. Ainda assim, elas continuam prejudicando empresas dos dois lados do Pacífico e refletem desafios estruturais que vão além da relação pessoal entre Trump e Xi.“A relação geral é definida no topo, e o presidente Trump e Xi Jinping têm uma relação muito boa”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em entrevista à FOX Business em julho. “Mas isso não é desculpa para que façam certas coisas nos bastidores”, acrescentou, referindo-se aos chineses.Bessent disse que costuma comparar a relação entre os dois países a uma partida de polo aquático. Na superfície, os líderes apenas trocam passes com a bola. Debaixo d’água, porém, os chineses estariam “dando muitos chutes”. “E, se necessário, vamos revidar”, afirmou.Um editorial publicado em agosto pelo China Daily, jornal estatal chinês, concordou que a metáfora era “perfeita”, mas argumentou que representava uma inversão quase completa da realidade, sustentando que eram os Estados Unidos os responsáveis por iniciar os ataques.Ryan Haas, diretor do Centro de Estudos da China do instituto Brookings, afirmou que ainda existe espaço para “chutes por baixo da mesa”, mas há limites para a intensidade desse confronto.Durante um painel promovido pela Brookings na semana passada, Haas disse que o chamado “acordo de cavalheiros” firmado por Trump e Xi na Coreia do Sul estabeleceu parâmetros para temas altamente sensíveis, como restrições tecnológicas, tarifas e Taiwan, mas não impôs limites para ações em outras áreas.Diante do encontro desta semana, autoridades dos dois países devem concentrar esforços em anúncios positivos. Os Estados Unidos pressionam a China a cumprir promessas de compra de produtos agrícolas e aeronaves da Boeing feitas no início do ano.Os dois governos também demonstram interesse em avançar na criação de um novo “conselho de comércio”, que poderia reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em mercadorias de cada lado.Além disso, analistas acompanham possíveis avanços em temas como segurança em inteligência artificial, a guerra no Irã, a questão de Taiwan e investimentos chineses nos Estados Unidos.Ainda assim, a maioria dos especialistas acredita que o principal objetivo da visita será preservar a estabilidade mínima entre as duas maiores economias do mundo.A China defende uma extensão mais longa da atual trégua comercial, que expira em novembro. Já os Estados Unidos, segundo pessoas envolvidas nas negociações, propõem uma renovação de apenas seis meses, para manter maior pressão durante as conversas.Em conversa com jornalistas na sexta-feira, uma autoridade do governo americano evitou dizer se a trégua será prorrogada, mas confirmou que o tema estará na pauta do encontro. O representante também afirmou que o fornecimento chinês de terras raras continua abaixo das expectativas americanas e que o assunto será discutido, juntamente com temas como segurança em IA e o papel da China na crise de fentanil nos Estados Unidos.As reuniões desta semana podem apenas preparar o terreno para uma futura extensão do acordo, com qualquer anúncio formal ficando para depois. Em entrevista ao Financial Times no domingo, autoridades americanas destacaram que a trégua comercial só expira oficialmente em 30 de novembro, o que reduz a urgência de uma decisão imediata.c.2026 The New York Times CompanyThe post Trump e Xi se encontram enquanto EUA e China trocam “chutes por baixo da mesa” appeared first on InfoMoney.

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