As ações da Usiminas (USIM5) atravessam um período de correção nos últimos dias após terem ficado boa parte do ano como maior alta do Ibovespa. Os papéis acumulam queda superior a 23% nos últimos 30 dias, embora ainda apresentem valorização de cerca de 38% em 2026.Na avaliação do Bradesco BBI, a siderúrgica se beneficiou da melhora observada no mercado de aço nos últimos trimestres, mas o cenário para a segunda metade do ano se mostra mais desafiador.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com CPI dos EUA e guerra em focoBolsas dos EUA avançam após deflação ser registrada em junho nos EUA Cyrela x Eztec: qual construtora entregou o melhor desempenho no segundo trimestre?Ambas construtoras divulgaram dados operacionais na vésperaSegundo o banco, a combinação de custos mais elevados e menor capacidade de repasse de preços tende a pressionar as margens da siderúrgica. Além disso, o aumento das importações continua representando um fator de preocupação para a indústria doméstica, reduzindo a visibilidade sobre a evolução dos resultados.Diante desse cenário, o BBI entende que a relação entre risco e retorno das ações está mais equilibrada neste momento e não enxerga gatilhos claros para uma reprecificação relevante dos papéis no curto prazo.Com isso, o banco manteve recomendação neutra para a Usiminas, mas reduziu o preço-alvo das ações de R$ 10,00 para R$ 8,50 ao final deste ano.Já o Goldman manteve recomendação de compra para a companhia, destacando sua elevada alavancagem operacional a um mercado doméstico de aço plano mais apertado. O banco, no entanto, reduziu o preço-alvo das ações de R$ 10,50 para R$ 10,00.Estimativas para UsiminasO Bradesco BBI revisou para baixo suas projeções para a Usiminas diante de um cenário mais desafiador para a segunda metade do ano. O banco passou a estimar receita líquida de R$ 23,97 bilhões em 2026, R$ 24,68 bilhões em 2027 e R$ 25,98 bilhões em 2028, abaixo das projeções anteriores de R$ 24,24 bilhões, R$ 25,06 bilhões e R$ 26,24 bilhões, respectivamente.Para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, o BBI agora projeta R$ 2,41 bilhões em 2026, R$ 2,85 bilhões em 2027 e R$ 3,51 bilhões em 2028, ante estimativas anteriores de R$ 2,87 bilhões, R$ 3,28 bilhões e R$ 3,94 bilhões.A revisão também levou a uma redução das expectativas de margem Ebitda ajustada, que passou de 11,9% para 10,0% em 2026, de 13,1% para 11,5% em 2027 e de 15,0% para 13,5% em 2028.Em relação ao lucro líquido, o banco prevê que a companhia registre prejuízo de R$ 3,08 bilhões em 2025 e, posteriormente, lucro de R$ 1,35 bilhão em 2026, R$ 1,01 bilhão em 2027 e R$ 1,53 bilhão em 2028, abaixo das projeções anteriores, que indicavam lucros de R$ 1,63 bilhão, R$ 1,32 bilhão e R$ 1,83 bilhão, respectivamente.O Goldman Sachs, por sua vez, revisou suas estimativas para a Usiminas, elevando em 2% a projeção de Ebitda para 2026, mas reduzindo as previsões para 2027 e 2028 em 7% e 3%, respectivamente, diante da expectativa de custos mais elevados nos negócios de aço e mineração.Para o segundo trimestre de 2026, o banco projeta Ebitda de R$ 668 milhões e lucro líquido de R$ 316 milhões, ambos ligeiramente acima das estimativas anteriores.Já a XP Investimentos projeta que a margem da Usiminas, que ficou próxima de 4% no quarto trimestre de 2025, avance para níveis de dois dígitos ao longo de 2026 e 2027, sustentada pela melhora do ambiente para o setor siderúrgico no Brasil.Além disso, a XP destaca que uma eventual aprovação de medidas antidumping sobre as importações de bobinas a quente poderia representar um fator adicional de alta para os lucros e para as ações em 2027. Parte desse benefício, no entanto, pode ser compensada pelo aumento dos custos.Apesar de considerar a Usiminas uma das teses mais robustas de recuperação de resultados no setor, a XP Investimentos ressalta que a companhia ainda deve apresentar geração de caixa limitada. A XP estima um fluxo de caixa livre (FCF yield) de cerca de 5% em 2027 e 2028, refletindo um ciclo de investimentos mais intensivo em capital, mesmo diante da esperada melhora do Ebitda e das margens.Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)O Goldman Sachs reiterou sua preferência por Ternium e Gerdau, citando a exposição de ambas a mercados mais resilientes e protegidos da América do Norte, especialmente México e Estados Unidos.Por outro lado, o banco reiterou recomendação de venda para CSN e CSN Mineração (CMIN3). No caso da CSN, a recomendação reflete a contínua pressão sobre a geração de caixa livre e o balanço patrimonial. Já para a CSN Mineração, a preocupação está relacionada à deterioração da rentabilidade do minério de ferro, diante do aumento dos custos de frete e da ampliação dos descontos aplicados ao minério de menor teor.AçoApós uma tendência de alta nos preços domésticos do aço no Brasil, os sinais mais recentes apontam para uma acomodação dos preços, com o terceiro reajuste planejado para o aço plano não sendo implementado e a tentativa de aumento dos preços do aço longo sendo apenas parcialmente efetivada.Segundo o Goldman Sachs, o suporte aos preços veio da combinação entre medidas de proteção comercial e aumento de custos. No entanto, compras antecipadas, excesso de estoques na cadeia de distribuição, alívio nos custos e demanda final mais fraca limitaram novas altas.O banco acredita que a continuidade do baixo volume de importações observado desde o primeiro trimestre deve apertar ainda mais o mercado no fim de 2026. De acordo com verificações junto ao setor, importadores permanecem céticos em relação à realização de novos pedidos diante das incertezas macroeconômicas, cambiais e tarifárias.Por outro lado, o Goldman destaca que as importações provenientes do Vietnã apresentaram níveis elevados em junho, tendência que merece monitoramento.The post Usiminas: correção é oportunidade ou sinal de alerta? Há riscos para 2º semestre? appeared first on InfoMoney.
