Você já se perguntou quanto dinheiro precisa investir para garantir R$ 1.000 de renda extra todos os meses, pelo resto da vida? Esse valor, que pode parecer pequeno, faz diferença no orçamento: ajuda nas compras da padaria, no lazer e em despesas do dia a dia.Uma simulação feita por Alan Fonseca, economista e CFO do Grupo Integrado, mostra que é possível alcançar essa renda vitalícia aplicando em Certificados de Depósito Bancário (CDB). Mas o cálculo depende de detalhes como taxa de juros, imposto de renda (IR) e outros fatores.Leia também: CDB – guia com o passo a passo para investirCom Selic a 15% ao anoNa quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano. Nesse cenário, e considerando Imposto de Renda (IR) de 22,5%, para obter um rendimento líquido de R$ 1.000 mensais o investidor precisa manter aplicado R$ 110.838,00, segundo Fonseca.Em junho, porém, o governo editou a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que altera a tributação de aplicações financeiras e ativos virtuais. No caso do CDB, a alíquota passaria para 17,5% – medida que ainda precisa ser analisada pelo Congresso até 8 de outubro, caso contrário, caduca. Se a mudança valer, o montante necessário cairia para R$ 104.120,00, segundo o especialista.Leia também: Ações, Tesouro Direto, CDB, FII: como é hoje e como MP muda o IR nos investimentos E se a Selic cair? A Selic não vai ficar em 15% para sempre. Segundo o último boletim Focus, divulgado nesta semana, o mercado projeta queda da taxa básica de juros para a faixa dos 12% em 2026.“Em um cenário onde isso ocorra e, considerando que o IR sobre as aplicações em CDB fique em 22,5%, para que o rendimento líquido seja de R$ 1.000,00 mensais, o investidor precisa manter um montante aplicado de R$ 129.346,00“, disse FonsecaNo cenário intermediário apontado pelo especialista – Selic de 12,75% em 2026 e IR de 17,5% (caso a MP seja aprovada) – o montante exigido seria R$ 121.507,00.Fonseca lembrou que a inflação também exerce sobre o valor do dinheiro no tempo. “Neste sentido, é importante que mantida as condições de Selic e IR, o investidor deve ajustar o montante aplicado para que consequentemente ajuste o valor líquido dos seus rendimentos”.O mercado proteja uma inflação (IPCA) de 4,4% em 2026, disse. “Com isso, aconselha-se que o investidor também ajuste o montante aplicado na mesma proporção, com o objetivo de manter o poder de compra dos seus rendimentos”.Veja tabela: CenárioAlíquota de IRMontante necessário (R$)Selic 15,00% ao ano22,5%R$ 110.838,00Selic 15,00% ao ano — se MP 1.303/2025 valer17,5%R$ 104.120,00Selic 12,75% (projeção 2026)22,5%R$ 129.346,00Selic 12,75% (projeção 2026) — se MP for aprovada17,5%R$ 121.507,00Fonte: Grupo IntegradoLeia também: Dá para juntar R$ 30 mil em 12 meses? Confira o planejamento financeiro e simulaçõesO que analisar antes de investir em CDBs? O mercado brasileiro de crédito privado ainda carrega vulnerabilidades relevantes. O caso envolvendo o Banco Master é um dos exemplos mais recentes disso, como foi discutido no podcast Stock Pickers nesta semana.Para Sergio Czajkowski Junior, doutor em administração, pós-doutorando em gestão urbana e professor no UniCuritiba, o investidor (especialmente o iniciante) precisa analisar bem o CDB, a solidez instituição financeira e os riscos antes de investir. “É importante que se compare a rentabilidade oferecida por diferentes bancos. Bancos menores podem pagar 120% ou 130% do CDI, mas geralmente carregam mais riscos”, disse.Sobre a solidez, ele falou que é essencial consultar relatórios de rating de crédito e avaliações de agências especializadas. As três principais são: Standard & Poor’s (S&P), a Moody’s e a Fitch Ratings.Quais são os riscos?Entre os riscos, Czajkowski Junior mencionou quatro principais:Risco de crédito: Esse é o risco de a instituição financeira quebrar e não conseguir honrar o pagamento dos investimentos dos correntistas. “No Brasil, esse risco é mitigado pela proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o qual não está imune a intempéries mais intensas”. Vale lembrar que o FGC devolve até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Leia também: Fim do CDB de 120% do CDI? Novas regras do FGC já impactam taxas dos ativos bancáriosRisco de mercado: Essa hipótese decorre do risco de a taxa básica de juros cair de forma muito intensa. “Se a Selic diminuir em excesso, o rendimento do CDB (que é atrelado ao CDI) também cai. Isso pode fazer com que o capital não gere mais os R$ 1.000 de renda passiva originalmente planejado”.Risco de liquidez: Ocorre quando o correntista precisar resgatar o dinheiro antes do prazo de vencimento, fazendo com que parte dos ganhos seja consumida por conta do prazo mais curto.Risco de inadimplência: É decorrente, em muitos casos, da falta de disciplina financeira ou de projeções financeiras equivocadas, “as quais acabam não redundando em resultados positivos”, concluiu Czajkowski Junior.The post Veja quanto investir em CDB para receber R$ 1.000 por mês pelo resto da vida appeared first on InfoMoney.
