Portugal continua entre os principais destinos para brasileiros que buscam residência no exterior, mas o caminho para obter um visto por investimento está cada vez mais caro e seletivo. O endurecimento das regras em diversos países europeus, o fim de programas baseados na aquisição de imóveis e a exigência de investimentos capazes de gerar empregos e desenvolvimento econômico vêm alterando o perfil dos candidatos e exigindo um planejamento patrimonial mais sofisticado.A conclusão está no levantamento Índice Global de Programas de Residência 2026, lançado nesta semana pela consultoria internacional de mobilidade global e migração por investimento Global Citizen Solutions. O estudo avaliou 48 programas de residência em 46 jurisdições com base em critérios como qualidade de vida, mobilidade internacional, facilidade do processo, atratividade do investimento e credibilidade.A Suíça lidera o ranking, seguida pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Golden Visa de Portugal, que permanece como uma das principais portas de entrada para investidores interessados em viver na Europa.A relevância de Portugal para os brasileiros também aparece nos números do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Segundo o Relatório Consular Anual, 5,29 milhões de brasileiros vivem atualmente no exterior, um recorde histórico. Os Estados Unidos concentram a maior comunidade, com cerca de 2,07 milhões de residentes, enquanto Portugal ocupa a segunda posição, com mais de 574 mil brasileiros, consolidando-se como o principal destino europeu da diáspora nacional.Leia também: Visto de investidor: veja alternativas para brasileiros que desejam morar no exteriorFim da era dos imóveisMais do que apontar os países mais bem posicionados, o levantamento evidencia uma mudança importante no mercado global de migração por investimento. Durante anos, diversos programas de residência permitiam a obtenção do visto mediante a compra de imóveis. Esse modelo, porém, vem sendo abandonado. Portugal retirou o investimento imobiliário de seu Golden Visa em 2023, a Espanha extinguiu definitivamente seu programa em 2025, enquanto Chipre, Bulgária e Montenegro encerraram mecanismos semelhantes. A Grécia, por sua vez, elevou significativamente o valor mínimo exigido para investimentos imobiliários.Na prática, os governos passaram a privilegiar investimentos capazes de gerar impacto econômico direto, como aportes em fundos regulados, empresas inovadoras, projetos de venture capital e iniciativas que criem empregos.Segundo Patricia Casaburi, CEO e fundadora da Global Citizen Solutions, os programas mais competitivos deixaram de ser aqueles com menor custo de entrada e passaram a privilegiar contribuições efetivas para a economia local. “Os programas mais bem avaliados em 2026 são aqueles capazes de demonstrar contribuição econômica real e atender a padrões cada vez mais rigorosos de diligência e transparência”, afirma.Leia também: “Gold Card”: Trump lança programa que oferece visto de residência por US$ 1 milhãoPerfil do investidorA mudança das regras alterou o perfil de quem busca residência internacional. Enquanto programas como os dos Emirados Árabes Unidos e da Suíça continuam atraindo investidores interessados em eficiência tributária e diversificação patrimonial, países como Portugal, Singapura e Nova Zelândia passaram a concentrar empresários e empreendedores dispostos a realizar investimentos produtivos.Portugal, por exemplo, direciona atualmente os recursos dos candidatos ao Golden Visa para fundos de venture capital e private equity regulados, substituindo definitivamente o antigo modelo baseado na compra de imóveis.Segundo Laura Madrid, pesquisadora-chefe da Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions, o mercado vive uma transição estrutural. “O capital passivo ajudou a construir a indústria da migração por investimento. Agora, cresce a preferência por programas que conectam diretamente o investimento ao desenvolvimento econômico dos países.”PlanejamentoO novo cenário também exige maior planejamento por parte das famílias brasileiras interessadas em morar no exterior. Além da escolha do país, os investidores precisam avaliar prazos para obtenção da residência, exigências de permanência, regras tributárias, possibilidades de obtenção da cidadania e o tipo de investimento aceito por cada programa.No caso português, por exemplo, o Golden Visa continua figurando entre os melhores programas do mundo, mas passou a privilegiar investimentos financeiros e empresariais, enquanto o visto D2 segue como alternativa para empreendedores que desejam desenvolver atividades econômicas no país.Para especialistas, essa tendência indica que a competição entre os países deixará de ocorrer pelo menor investimento exigido e passará a ser definida pela capacidade de atrair capital qualificado, inovação e geração de empregos, tornando os programas de residência por investimento cada vez mais seletivos.Leia Mais: Passaporte brasileiro sobe em ranking e já é o segundo mais forte na América LatinaAméricasEmbora o Programa Federal de Investidor Imigrante (IIP) do Canadá tenha sido efetivamente descontinuado entre 2012 e 2014, as rotas Provinciais e de Investidor de Quebec completam o top 10 global na 10ª posição (88,6), registrando pontuações de qualidade de vida entre as mais altas de todo o Índice – uma comparação relevante para quem avalia uma mudança dentro da região. No Canadá o Itamaraty estima que haja 153 mil brasileiros residentes.Em outras partes do hemisfério, Panamá, Costa Rica, Brasil, México, Paraguai e República Dominicana oferecem opções de residência acessíveis, de menor custo e com processamento rápido, embora nenhum pontue o suficiente para alcançar o primeiro escalão, conforme dados do estudo.Mas são os Estados Unidos que mantém a preferência dos brasileiros. Segundo a consultoria, a posição dos programas dos EUA e o Top 10 Global O Programa de Investidor Imigrante EB-5 atinge a pontuação de 83,9, e o visto de Investidor Tratado E-2 marca 82,6. Ambos com desempenho sólido, mas atrás de todos os 10 programas que compõem o top 10 global do Índice.EuropaNa Europa, a busca de brasileiros estende-se a outros países, além de Portugal. A Suíça acolhe 88 mil cidadãos, repartidos entre as regiões de Zurique, com 49 mil, e Genebra, com 39 mil, enquanto Luxemburgo registra 10 mil residentes e a Grécia soma 4 mil brasileiros. Só na Itália, são 159,2 mil.A residência fiscal de montante fixo (lump-sum tax) da Suíça lidera a tabela com 91,9, seguida pelo Golden Visa dos Emirados Árabes Unidos (91,5, e a maior pontuação de investimento do Índice, com 99,3) e pelo Golden Visa de Portugal (91,3, com um caminho de sete ou dez anos para a cidadania, dependendo da nacionalidade). A elite do ranking divide-se quase ao meio entre modelos passivos e ativos (seis golden visas e quatro vistos de investidor ativo/empreendedor), enquanto Itália, Grécia, Nova Zelândia, o visto D2 de Portugal, Singapura e Luxemburgo completam a lista.Fora do continente europeu, a Oceania, incluindo a Nova Zelândia, compõe um bloco regional de destaque com 84 mil brasileiros. Já os Emirados Árabes Unidos atraem 65 mil pessoas, Singapura 2 mil brasileiros, todos altamente qualificados.A Oceania possui a maior média de todo o Índice (88,6), com a Nova Zelândia na 6ª posição e a Austrália na 13ª, ambas impulsionadas por modelos focados em talentos e aportes ativos.PesquisaO Índice Global de Programas de Residência 2026 pontua os programas em uma escala de 0 a 100 ao longo de cinco pilares ponderados: qualidade de vida (30%), procedimento (30%), mobilidade (20%), investimento (10%), e conformidade e credibilidade (10%). Os termos mudam com frequência e os candidatos devem confirmar os requisitos atuais com fontes oficiais antes de tomar qualquer decisão.The post Vistos por investimentos no exterior migram de imóveis para impacto econômico direto appeared first on InfoMoney.
