Warsh traz abordagem minimalista ao Fed em um mundo complexo e ávido por informações

Blog

WASHINGTON, 19 Jun (Reuters) – O chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, ⁠deixou sua marca no cargo rapidamente nesta semana, em uma reunião de política monetária de ⁠estreia que marcou o retorno a um modelo de banco central simplificado, ao estilo da década de 1990 — antes que ‌as crises deste século colocassem o Fed no centro das atenções na gestão econômica e transformassem seu líder em um “consolador-chefe” tanto para Wall Street quanto para a população em geral.A questão agora é se o papel reduzido que ele busca para o Fed — e, ‌na prática, para si mesmo — é compatível com um mundo que se tornou mais complexo, um ambiente de informação mais intenso e polarizado, e mercados agora acostumados a uma dose constante de comentários dos principais formuladores de política monetária.Quer tenha sido sua intenção ou não, a ênfase de Warsh na inflação na coletiva de imprensa de quarta-feira, sem comentários mais matizados sobre o que poderia justificar um aumento da taxa de juros, levou os investidores a concluir que um aumento estava por vir em breve e a começar a elevar os rendimentos dos títulos.Leia tambémBC do Japão alerta para risco de inflação e sinaliza intenção de aumentar jurosAs declarações reforçam as expectativas do mercado de que o Banco do Japão elevará a taxa de juros novamente este anoA reação ⁠do mercado “foi ‌amplificada de forma massiva pela coletiva de imprensa de Warsh, que combinou uma ênfase hawkish, quase exclusiva no mandato de garantir a estabilidade ⁠de preços, com a ausência total de qualquer discussão moderadora sobre a estratégia do Fed ou sua função de reação”, escreveu Krishna Guha, ex-alto funcionário de comunicações do Fed de Nova York e atualmente vice-presidente e chefe de economia e estratégia para o banco central na Evercore ISI. “A discussão sobre a função de reação e a estratégia… contribui para uma atuação mais eficaz do banco central”, um dos princípios fundamentais da prática atual dos bancos centrais.Na primeira reunião de Warsh, o Fed manteve os ​juros na faixa de 3,50% a 3,75%, onde se encontram desde dezembro, anunciando a decisão em uma declaração de política monetária sucinta que lembra aquelas redigidas na década de 1990 pelo então chair Alan Greenspan, famoso por sua relutância em revelar ao público ​seu raciocínio. A tendência na comunicação desde então tem sido a de que o chair do Fed passe menos tempo nos bastidores, e uma das ferramentas de comunicação atuais, o “gráfico de pontos” das projeções de taxas, mostrou na quarta-feira exatamente o que Warsh não queria discutir: os formuladores de política monetária se inclinando cada vez mais para a provável necessidade de aumentos nos juros ainda este ano.LEVANTANDO NOVAS QUESTÕESDeclarações sucintas também não significam necessariamente declarações claras, e algumas das mudanças levantaram tantas questões quanto respostas sobre a nova era do Fed.Em ‌vez da simples afirmação factual de que “a inflação está elevada”, usada pelo ex-chair Jerome Powell, ​por exemplo, a primeira declaração de Warsh foi condicional, afirmando que a inflação estava elevada “em relação à meta de 2% do Comitê”. A formulação poderia significar que a inflação não é considerada excessiva em sentido absoluto. Warsh, embora reafirme a meta de 2%, também afirmou que os valores decimais não importam, sugerindo certa tolerância à ⁠inflação que esteja apenas próxima da meta do Fed.Em vez ​de simplesmente caracterizar o crescimento do ​emprego — baixo no início deste ano, mas mais forte recentemente —, a nova declaração faz outra comparação, afirmando que os ganhos no emprego “acompanharam o ritmo da força de trabalho”. A ⁠linguagem parece contornar o “curioso” equilíbrio que o Fed de Powell observou ao ​lidar com a forma como a repressão à imigração do governo Trump havia alterado o número de empregos necessários para manter a taxa de desemprego estável. Warsh não se aprofundou nesse assunto.Leia tambémDólar sobe 1,3% e vai a R$ 5,17: por que Copom e Fed impactaram tanto o câmbio?Enquanto o Federal Reserve passou indicações de que sua taxa de referência vai subir ainda em 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou terreno para mais cortes de juros.Quanto ao crescimento econômico em geral, a declaração destacou aspectos que Warsh considera importantes para o futuro e que atualmente ​estão em alta — produtividade e investimento de capital — sem percorrer a lista completa dos componentes do produto interno bruto, incluindo: consumo e o espinhoso debate sobre os riscos de ganhos em forma de “K” que beneficiam os ricos; exportações líquidas ​e o espinhoso debate sobre tarifas; e ⁠gastos públicos e o espinhoso debate sobre a dívida.Uma avaliação dos riscos relativos às metas de inflação e emprego do Fed foi totalmente deixada de lado em favor de uma ⁠declaração final e categórica: “O comitê garantirá a estabilidade de preços.”“A declaração foi um presente” para o novo chair do Fed, incorporando suas prioridades — incluindo a ênfase na inflação — a um documento aprovado pela primeira votação unânime do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) em um ano, disse Diane Swonk, economista-chefe e diretora-gerente da KPMG nos EUA.A sustentabilidade desse novo estilo dependerá de fatores como a reação do mercado ao longo do tempo e, talvez mais ainda, de como o mundo evoluir, já que os líderes do Fed frequentemente constatam que os “princípios fundamentais” rígidos perdem força em uma crise.(Reportagem de Howard ​Schneider)The post Warsh traz abordagem minimalista ao Fed em um mundo complexo e ávido por informações appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *