Waze e Moovit: como Uri Levine criou dois negócios bilionários de mobilidade

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O ano era 2006. O lugar, o norte de Israel. Uri Levine voltava de férias com a família, acompanhado por um grupo de amigos em outros nove carros.Pai de quatro filhos pequenos, Levine demorou algum tempo para embarcar a família. Como havia duas estradas possíveis, resolveu ligar para quem já estava no caminho e descobrir qual delas estava melhor.“Quem foi por uma estrada disse que o engarrafamento estava terrível. Um pesadelo. ‘Nem venha. Fique mais um dia, não volte’”, contou Levine a Mariana Amaro, apresentadora do podcast “Do Zero ao Topo”, no episódio especial número 300. “Quem escolheu a outra via disse que o trânsito não estava tão ruim.”A experiência levou à pergunta que deu origem ao Waze: e se os próprios motoristas compartilhassem informações sobre o trânsito em tempo real?“Esse foi o momento ‘Eureka’. É o conceito do Waze: compartilhamento de informações”, afirma Levine.Levine levou nove meses para encontrar os cofundadores. Em maio de 2007, começaram a construir o produto. Seis anos depois, o Google comprou o Waze por mais de US$ 1 bilhão.Em 2020, outro negócio do qual Levine participou desde o início chegou ao mesmo patamar: a Intel comprou o Moovit, empresa da qual ele havia sido o primeiro membro do conselho, por cerca de US$ 1 bilhão.O Waze esteve perto da falênciaO primeiro protótipo do Waze não rodava em um smartphone. Rodava em um PDA, os computadores de mão (palmtops) que antecederam os celulares modernos. “Surgiram os dinossauros, depois o palmtop, depois os celulares da Nokia”, brinca Levine. A primeira versão para smartphone só apareceu em 2008, depois de meses tentando levantar capital.Mas transformar a ideia em um produto que realmente funcionasse em grande escala levou mais tempo. O “product-market fit”, momento em que um produto encontra demanda consistente, ainda não havia chegado.Em 2010, segundo Levine, o Waze funcionava bem em quatro mercados: República Tcheca, Eslováquia, Letônia e Equador.O desempenho era diferente em mercados maiores, como São Paulo, Estados Unidos e Europa Ocidental. A percepção era de que a solução funcionava em países pequenos, mas não conseguia repetir o resultado em grandes centros.Enquanto isso, o caixa se aproximava do fim.Veja mais: “Desce aqui”: o convite que virou uma rede de 80 lojas e faturamento milionárioE também: Cruzar um rio sem roupa e outras decisões de sucesso do Grupo Águia BrancaQuando o Waze ia mal, veio a concorrência do Google MapsO Waze precisava de dinheiro para continuar crescendo, mas enfrentava um problema: os investidores gostavam da ideia, porém ainda não viam tração suficiente.Então, o cenário ficou ainda mais difícil. O Google anunciou o Maps com navegação em tempo real. “Todo mundo dizia que íamos morrer, porque agora o Google estava fazendo aquilo. Não havia chance, não havia espaço para uma startup pequena”, lembra Levine.A consequência foi imediata. “E ninguém queria investir.”Ninguém, com exceção da Microsoft.A empresa havia ficado sem uma solução própria de mapas e decidiu investir no Waze. O capital permitiu à startup continuar expandindo a operação. A expansão aconteceu de forma gradual, cidade por cidade.“Uma área metropolitana depois da outra nos Estados Unidos. Uma área metropolitana depois da outra aqui no Brasil: São Paulo primeiro, depois Rio, Porto Alegre, Recife, Brasília e Belo Horizonte”, conta.Em 2012, segundo Levine, o Waze crescia mais rapidamente do que o restante do setor somado. No ano seguinte, o Google apresentou uma proposta de compra. Levine concordou em vender.Veja mais: De 3 caminhões aos R$ 2 bi: como nasceu a maior transportadora de grãos do mundoE também: A empresa que vendeu nuvem antes de o mercado saber que precisava Por que Uri Levine vendeu o Waze ao GoogleHoje, com cerca de 140 milhões de usuários mensais, Levine acredita que o Waze valeria muito mais do que os cerca de US$ 1,1 bilhão pagos pelo Google em 2013. Isso não significa que considere a venda um erro.Para ele, julgar uma decisão com base nas informações que surgiram posteriormente cria uma comparação impossível: ninguém consegue saber o que teria acontecido no caminho que não escolheu.“Na vida, existe a decisão certa ou nenhuma decisão. Porque, quando você decide, não sabe como seria se tivesse escolhido outro caminho”, afirma.“A melhor escolha é tomar a decisão certa, a segunda melhor é tomar a decisão errada, e a pior é não tomar decisão nenhuma. Porque, se você decide, avança. Se não, fica parado. E, se fica parado, morre.”No dia seguinte à venda para o Google, Levine deixou o Waze.Queria voltar a criar startups.O Moovit marcou o segundo negócio bilionário de LevineA história de Levine com o Moovit começou antes mesmo de a empresa construir seu produto.Os fundadores procuraram Levine por causa de sua experiência com o Waze. A ideia era criar algo parecido para o transporte público, e eles queriam saber se ele pretendia entrar naquele mercado.Levine disse que não.Pouco depois, recebeu o convite para integrar o conselho e se tornou seu primeiro membro.Em 2020, a Intel comprou o Moovit por cerca de US$ 1 bilhão.Para Levine, a segunda experiência foi diferente da primeira.Ele admite que foi “menos empolgante do que a primeira”, mas faz uma distinção entre o resultado financeiro e o objetivo da empresa.“O ponto principal é este: você constrói algo que cria valor. A consequência de criar valor é ter sucesso. Mas você constrói para criar valor”, afirma.Veja mais: O bom problema da Divina Terra: a alimentação saudável virou febreE também: Como um grave acidente e a novela Malhação deram impulso a uma indústria de alimentos O que Waze e Moovit ensinaram sobre tomar decisõesA principal conclusão que Levine extrai das duas experiências não está na ideia original nem na venda bilionária.Está na capacidade de tomar decisões mesmo sem ter todas as informações.Ele costuma contar a história de um CEO que resumiu sua própria trajetória em três respostas.Como se tornou um CEO bem-sucedido? “Decisões certas.”Como aprendeu a tomar decisões certas? “Experiência.”E como adquiriu experiência? “Decisões erradas.”Para Levine, errar faz parte do processo. O problema é usar o medo do erro para adiar decisões.“Não tenha medo de errar”, afirma. “Se tem medo de errar, você não faz nada, fica esperando.”E Levine, como a gente sabe, não gosta de esperar. Tanto que criou dois aplicativos que ajudam a encontrar o caminho mais rápido. Para saber mais detalhes sobre Uri Levine, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer,  Spreaker,  Castbox  e  Amazon Music.Sobre o Do Zero ao TopoO podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.The post Waze e Moovit: como Uri Levine criou dois negócios bilionários de mobilidade appeared first on InfoMoney.

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