XP: El Niño afeta 3 frentes do varejo por meio de inflação, clima e doenças; entenda

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A iminência de alterações drásticas na temperatura global começou a movimentar as mesas de análise do mercado financeiro. Inicialmente, os analistas advertiram a respeito das consequências das mudanças climáticas e fenômenos como El Niño no agronegócio. Agora, um relatório da XP Investimentos faz apontamentos dos possíveis efeitos que podem acontecer no setor de varejo.“Neste relatório, mudamos o foco para os varejistas, pois vemos três principais canais de transmissão para nossa cobertura: inflação de alimentos; dinâmica do clima; e doenças arbovirais”, diz o relatório da XP Investimentos. De acordo com o documento, as primeiras mudanças nos balanços devem despontar na metade final do ano corrente, ganhando tração ao longo do período seguinte. As projeções ganharam força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration) indicar uma probabilidade de aproximadamente 63% de um evento de forte intensidade ocorrer entre os meses de novembro e janeiro. Leia tambémChuvas atípicas no Sudeste favorecem hidrelétricas no período seco, diz ONSIsso em um ano em ‌que há preocupações com os impactos do fenômeno El Niño, conforme disse o diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre ZucaratoVale relembrar que a expectativa do El Niño é que haja secas fortes nas regiões Norte e Nordeste, especialmente na Amazônia setentrional e oriental e no norte do Nordeste. No Sul e Sudeste, com previsão para que se inicie em setembro, é esperado temperaturas mais amenas que o costume, mas com potenciais ondas de calor. Especificamente no Sul, há uma estimativa de chuvas muito acima da média.Se as estimativas se confirmarem, o mercado pode enfrentar um cenário extremo que costuma desencadear anomalias severas na produção do campo e no comportamento social. Leia mais: XP aponta 5 ações agro da Bolsa brasileira que podem ser afetadas com El Niño; vejaAvaliando os riscos geográficos e o momento em que essas mudanças começam a bater na porta das empresas de consumo, os analistas alertam que “há risco de chuvas excessivas, particularmente no Sul e para 2027, que podem evoluir para eventos severos”.Encarecimento dos alimentosSegundo o relatório da XP, a principal via de transmissão do fenômeno climático para os balanços do comércio acontece através do choque de oferta no campo, afetando a rentabilidade das famílias. Os analistas explicam que quebras de safra diminuem a disponibilidade de produtos, e consequentemente, os custos logísticos e de produção sobem. Os itens que sofrem imediatamente são de panificação, carnes, hortifrúti e derivados do leite. Na sequência, os analistas afirmam que o bolso do consumidor final sofre um duplo impacto: o encolhimento do poder de compra e a necessidade de concentrar os ganhos mensais em despesas básicas de sobrevivência.Leia tambémCopa do Mundo: Volume da Bolsa cai ao menos 20% em dias de jogo do BrasilMontante movimentado chegou a cair mais de 50% em uma das ediçõesEsse estresse inflacionário provoca uma revisão substancial nas estimativas macroeconômicas para as taxas de juros no Brasil. Os analistas da XP apontam que a alta dos preços de alimentos é um dos principais fatores para interromper a trajetória de queda dos juros básicos da economia nacional. “Essa dinâmica pressiona ainda mais o poder de compra dos consumidores, alimentada pelos níveis já elevados de endividamento das famílias, ao mesmo tempo em que atrasa uma recuperação mais significativa na disponibilidade de crédito”, afirmam os analistas. Dentro desse cenário de deterioração, a equipe de macroeconomia da XP reconfigurou suas projeções para os juros futuros, sinalizando que o custo do crédito permanecerá elevado por um período mais prolongado para conter os efeitos secundários da inflaçãoSupermercadosApesar do ambiente macroeconômico adverso, o varejo focado em gêneros alimentícios consegue extrair defesas operacionais desse cenário. O segmento de atacarejo, por trabalhar com repasses rápidos de preços e forte exposição a produtos de primeira necessidade, tende a inflar o indicador de SSS (Vendas nas Mesmas Lojas). O avanço nominal do faturamento, porém, esbarra na perda de fôlego do consumo real.A XP sinaliza que a alta de preços nas gôndolas não se traduzirá em ganho financeiro fácil, pois a perda de poder aquisitivo vai empurrar o consumidor para marcas mais baratas ou reduzir a cesta de compras. Nesse tabuleiro de margens apertadas, o Assaí (ASAI3) foi classificado pela XP como o grupo mais capacitado para enfrentar a conjuntura e sustentar suas operações.Leia também: Agência aponta 63% de chance de El Niño “muito forte”; veja previsões do mercado“Como resultado, embora a inflação de alimentos mais alta deva permanecer marginalmente positiva para o segmento, esperamos que parte do benefício seja anulada pela contínua contração na queda de volumes e/ou por movimentos de migração para produtos mais baratos”, diz o documento.VestuárioPara o comércio de moda e confecções, as projeções ligadas ao aquecimento das temperaturas trazem um panorama operacional considerado favorável pela XP. A chegada do El Niño tende a encurtar os meses de frio rigoroso, diminuindo o tempo em que as roupas pesadas permanecem encalhadas nas araras e reduzindo a necessidade de liquidações agressivas de fim de estação. Com isso, os lojistas ganham eficiência para introduzir as coleções de meia-estação e de primavera com margens cheias.Os analistas preveem que a virada nas vendas tende a se consolidar a partir do terceiro trimestre, sendo impulsionada por bases de comparação deprimidas do ano anterior. A Lojas Renner (LREN3) desponta como o ativo favorito dos analistas da XP para capturar essa aceleração do consumo de moda no segundo semestre. “Se este cenário se materializar, acreditamos que o SSS poderia atingir patamares elevados em todo o setor, incluindo LREN3“, diz o relatório. O documento complementa ressaltando que “tal resultado provavelmente apoiaria a entrega da projeção (guidance) de receita da Renner, algo que acreditamos estar amplamente fora do preço de mercado”.FarmáciasO terceiro canal de impacto mapeado pela análise envolve questões de saúde pública ligadas ao aumento das chuvas e do calor, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Os analistas da XP afirmam que a combinação de umidade alta e temperaturas altas acelera o ciclo de reprodução de insetos transmissores de doenças, e que historicamente, essa alteração climática tende a se tornar um gatilho para surtos endêmicos de dengue e febres, gerando uma corrida dos consumidores às drogarias em busca de medidas preventivas e paliativas.Apesar do avanço de enfermidades ocorra com uma janela de atraso em relação às primeiras mudanças no clima, as redes de farmácias devem registrar incrementos na venda de vacinas, testes rápidos e repelentes. Esse movimento tende a melhorar a rentabilidade das grandes redes de drogarias por meio do avanço de categorias de maior valor agregado, como os segmentos de HPC (Higiene, Perfumaria e Cosméticos) e atendimentos em consultórios farmacêuticos. Grupos com forte capilaridade geográfica nos estados do Sudeste, como a Raia Drogasil (RADL3), e no Sul, como a Panvel (PNVL3), figuram como os principais expostos a essa reorganização do consumo de saúde.The post XP: El Niño afeta 3 frentes do varejo por meio de inflação, clima e doenças; entenda appeared first on InfoMoney.

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