Ypê: quais os riscos da bactéria encontrada? Especialistas explicam

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Mesmo após a Ypê obter um efeito suspensivo contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que determinou o recolhimento e a suspensão de parte de seus produtos por suspeita de contaminação microbiológica, o órgão sanitário brasileiro continua a contraindicar o uso dos itens.“A Anvisa recomenda que os consumidores não usem os produtos indicados, por segurança”, diz a agência em nota. A orientação veio após inspeções da vigilância sanitária constatarem a incapacidade da empresa de resolver falhas na produção, identificadas inicialmente em novembro do ano passado, quando foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras.Leia tambémVigilância Sanitária de SP e Anvisa mantêm recomendação de evitar produtos da YpêO comunicado ocorre mesmo após a Ypê apresentar recurso contra a decisão da Anvisa e com ele conseguirYpê obtém efeito suspensivo e retoma produção de itens; Anvisa não recomenda usoProdutos chegaram a ser recolhidos de supermercados nesta sexta-feira (8), após inspeção encontrar bactéria em sabão e detergente; Anvisa não recomenda o usoRiscos da bactériaEsse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão.— Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção — diz o diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), Manoel Lara. — De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que pode ser encontrada em diversos líquidos no meio ambiente, além de ser resistente a diversos antibióticos.Em comunicado divulgado este sábado, a Ypê informou que que manteve “suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde a última quinta-feira, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um)”.A empresa afirma ainda que continuou sem produzir na unidade, mesmo tendo obtido o efeito suspensivo da medida da Anvisa, que vedava a produção. O objetivo, segundo nota da fabricante, é “acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização”.Segundo um estudo publicado na revista Nature, o patógeno causa infecções agudas ou crônicas em indivíduos imunocomprometidos com doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística, câncer, traumas, queimaduras, sepse e pneumonia associada à ventilação mecânica, incluindo aquelas causadas pela Covid-19. A OMS incluiu a Pseudomonas aeruginosa na lista de patógenos “críticos” em 2024.Contato com o produtoSegundo o médico infectologista Renato Grinbaum, membro do comitê de infecções comunitárias da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), em pequenas quantidades, pessoas com sistema de defesa saudável não são afetadas por esta bactéria.O cenário se torna preocupante apenas quando a bactéria é encontrada em quantidades elevadas, no ambiente hospitalar e em pacientes com defesas comprometidas.— Neste caso, esta informação só corrobora a questão de quebra de protocolos de segurança na produção, mas não indica risco importante imediato para a população. Deve ser mantida a recomendação de não utilização dos produtos indicados pela Anvisa — afirmou.A médica alergista Kleiser Mendes, vice-coordenadora do Departamento Científico de Dermatite de Contato da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), sinalizou que o uso de produtos contaminados pode causar irritações.Segundo a especialista, é desejávem buscar avaliação médica caso apareçam sintomas como vermelhidão intensa, coceira persistente, irritação ou lesões na pele ou nos olhos, ardor, secreção, espinhas ou acne súbita, inchaço, sinais de infecção ou sintomas respiratórios após uso de sprays ou aerossóis contaminados.— A atenção deve ser maior em crianças, idosos, imunossuprimidos, pessoas com dermatite, feridas na pele, doenças respiratórias ou uso de imunossupressores, porque esses grupos apresentam maior risco de infecções oportunistas — concluiu.The post Ypê: quais os riscos da bactéria encontrada? Especialistas explicam appeared first on InfoMoney.

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