A escala 6×1 voltou ao centro das discussões no Congresso e reacendeu um debate que envolve trabalhadores, empresas e especialistas em mercado de trabalho. O tema ganhou força porque mexe diretamente na organização das jornadas, nos dias de descanso e na rotina de determinados setores. Além de possíveis impactos sobre produtividade, a discussão envolve custos operacionais, qualidade de vida e modelos de contratação adotados pelas empresas.A seguir, entenda como funciona a escala 6×1, o que diz a CLT sobre esse tipo de jornada e o que está em debate no Congresso sobre possíveis mudanças nas regras atuais.Como funciona a escala 6×1Na prática, a escala 6×1 é um modelo de jornada de trabalho de seis dias consecutivos com um dia de descanso. Esse formato é comum em setores como comércio, supermercados, farmácias, restaurantes, hotéis, hospitais, indústrias e serviços de atendimento em geral.Dependendo da atividade da empresa e das regras previstas em acordos coletivos, esse tipo de escala também pode incluir trabalho aos domingos e feriados. Além do modelo tradicional, algumas empresas adotam turnos fixos, horários alternados ou escalas rotativas entre equipes.O que diz a CLT sobre escalas de trabalhoA CLT permite diferentes escalas de trabalho, desde que as empresas respeitem os limites previstos na Constituição: até 8 horas por dia, 44 horas por semana e 220 horas mensais. Entre os formatos mais comuns estão a escala 6×1, em que o trabalhador atua seis dias e folga um, e a escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.A legislação também garante o descanso semanal remunerado de, no mínimo, 24 horas consecutivas. Sempre que possível, esse descanso deve coincidir com o domingo.Em setores como saúde, comércio e serviços essenciais, o trabalho aos domingos é permitido, mas as empresas precisam organizar escalas de revezamento e conceder folgas compensatórias.As regras sobre intervalos durante a jornada variam conforme o tempo de expediente:Até 4 horas de trabalho: não há intervalo obrigatório.De 4 a 6 horas: intervalo de 15 minutos;Acima de 6 horas: intervalo mínimo de 1 hora e máximo de 2 horas.Além das escalas mais tradicionais, a legislação também permite regimes especiais, como a jornada 12×36. Nesse modelo, o profissional trabalha 12 horas seguidas e descansa pelas 36 horas seguintes.A CLT ainda autoriza a realização de até duas horas extras por dia, desde que exista acordo individual ou negociação coletiva.Qual é o debate no Congresso sobre a escala 6×1O debate avançou no Congresso Nacional nos últimos meses com a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL), e com um projeto de lei enviado pelo governo federal com pedido de urgência constitucional. Atualmente, o tema é analisado por uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados. O parecer apresentado pelo relator, deputado Léo Prates (Republicanos), reúne alguns dos principais pontos em discussão no Congresso:Redução da jornada semanal para 40 horas, mantendo o limite de até 8 horas por dia e proibindo redução salarial.Redução da jornada semanal para 40 horas, mantendo o limite de até 8 horas por dia e proibindo redução salarial.Garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.Implementação gradual das mudanças, dividida em duas etapas ao longo de 14 meses após eventual promulgação da proposta.O texto também estabelece um recorte por faixa de renda. Pela proposta, profissionais com nível superior e remuneração acima de 2,5 tetos do INSS (cerca de R$ 21 mil hoje) ficariam fora das novas regras.Argumentos do debateO tema divide opiniões entre representantes de trabalhadores, empresários e parlamentares.Defensores da mudança afirmam que jornadas menores podem reduzir o desgaste físico e mental ao ampliar o tempo de convivência familiar. Isso poderia trazer melhora da produtividade em algumas atividades.Já entidades empresariais e representantes de setores de serviços argumentam que a medida pode elevar custos operacionais. Com isso, pequenos negócios poderiam ser pressionados e, teoricamente, seria mais difícil contratar em áreas que dependem de funcionamento contínuo, como saúde, transporte e comércio.Foi aprovado o fim da escala 6×1?Não. Antes de entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser debatida na comissão especial da Câmara. Se aprovada, vai para votação em dois turnos na Câmara e no Senado.Qual a diferença entre escala 6×1 e escala 5×2?A principal diferença entre os modelos está na quantidade de dias trabalhados, nas folgas e na distribuição da carga horária semanal.Na escala 6×1, modelo padrão no comércio, bares, restaurantes e serviços essenciais, o profissional trabalha seis dias e folga um. Para cumprir o limite constitucional de 44 horas semanais, a jornada diária costuma ser de 7 horas e 20 minutos.Já na escala 5×2, comum em escritórios, indústrias e órgãos públicos, a rotina é de cinco dias de trabalho e dois de folga, geralmente no sábado e domingo. Nesse caso, a jornada diária costuma ser maior, de 8 horas e 48 minutos, para compensar o sábado não trabalhado.Lembrando que, em ambos os casos, a CLT determina o limite máximo de 8 horas diárias normais (com até 2 horas extras) e ao menos uma folga por semana de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos. Cada setor pode ter suas peculiaridades, que devem ser reguladas por convenções ou acordos coletivos de trabalho.The post O que é escala 6×1? Entenda a jornada que está em discussão no Congresso appeared first on InfoMoney.
