Wall Street começa a questionar o boom dos data centers

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NOVA YORK — A reação negativa aos data centers, que vem influenciando debates eleitorais e discussões em todo os Estados Unidos, agora também começa a chegar a Wall Street.Empresas que operam data centers ou fornecem energia e terrenos para sua construção eram vistas como grandes candidatas a liderar o mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs) nos próximos meses, impulsionadas pelo apetite aparentemente insaciável dos investidores por tudo o que estivesse relacionado à inteligência artificial.Mas parte do mercado passou a demonstrar crescente ceticismo em relação às expectativas de crescimento do setor e aos riscos associados à expansão desses empreendimentos. O movimento tem levado executivos e banqueiros a recalibrar planos para captar dezenas de bilhões de dólares nos mercados públicos.A SB Energy, subsidiária do conglomerado japonês SoftBank, que pretende construir em Ohio o maior projeto de data center do mundo, planejava realizar seu IPO ainda neste mês.No entanto, a oferta foi adiada após investidores questionarem a avaliação pretendida pela companhia, superior a US$ 50 bilhões, segundo quatro pessoas familiarizadas com a operação. Até o momento, os bancos coordenadores têm encontrado dificuldades para atrair compradores suficientes dentro da faixa de preço desejada pela empresa.Leia tambémMeta: novo agente de IA Muse recebe ótimas avaliações e ações saltam mais de 11%Na segunda-feira, o Muse era o aplicativo gratuito número 1 nas lojas de aplicativos da Apple Inc. (iOS) e do Google Play nos EUA O que escolher em uma bolsa “amassada” antes das eleições? Veja apostas do mercadoEspecialistas alertam para exterior mais desafiador, mas com oportunidades diante das eleições e de Selic em queda; Ibovespa “tem muita gordura para subir”, diz gestorAs dificuldades da SB Energy surgem em meio a outro revés para o setor. Na semana passada, a Holtec, empresa da indústria nuclear que pretende fornecer energia para aplicações de IA, anunciou a suspensão por tempo indeterminado de seu IPO, citando fatores que “comprometeram a confiança dos investidores no mercado de novas ofertas públicas”.A companhia apontou a “incerteza em torno do desenvolvimento de data centers” como o principal motivo para o adiamento.A Holtec Nuclear opera uma usina nuclear e desenvolve pequenos reatores que podem ser utilizados para abastecer data centers. A empresa pretendia estrear na Nasdaq na semana passada e buscava levantar até US$ 900 milhões, em uma avaliação de até US$ 10 bilhões.Outra empresa que desacelerou os preparativos para abrir capital é a geradora de energia Aggreko, segundo três fontes a par do assunto. A companhia atende data centers de IA, além de eventos ao vivo e projetos de mineração, mas vinha destacando os clientes do setor tecnológico como responsáveis por um salto expressivo em sua receita ao longo do último ano.Embora o IPO ainda possa ocorrer no próximo mês, a empresa reduziu o ritmo do processo não apenas pelas incertezas envolvendo data centers, mas também pela alta dos juros e pelo ambiente econômico mais desafiador.Os adiamentos representam um raro contratempo para a indústria de IA, que nos últimos anos desfrutou de entusiasmo quase irrestrito dos investidores.A oposição pública aos data centers vem crescendo há meses. Comunidades em várias regiões dos Estados Unidos, especialmente em áreas rurais, têm contestado a expansão dessas instalações, conhecidas pelo alto consumo de energia e pela grande ocupação territorial.À medida que o país se aproxima das eleições legislativas de meio de mandato, os data centers se transformaram em um tema incomum de convergência política, enfrentando resistência de eleitores dos dois principais partidos. Para muitos americanos, eles passaram a simbolizar preocupações sobre uma economia cada vez mais dominada pela inteligência artificial.Na última semana, os receios em relação à IA ganharam ainda mais força após executivos do setor alertarem para potenciais riscos da tecnologia e sugerirem uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento dos sistemas mais avançados.Alguns estados americanos também começaram a adotar medidas para restringir novos projetos de data centers, criando obstáculos adicionais para empresas que buscam recursos junto ao mercado de capitais.Apesar da cautela recente dos investidores, a demanda por capacidade computacional continua enorme. Alguns banqueiros avaliam que o momento representa apenas um soluço temporário. Gestoras como a PIMCO estimam que serão necessários mais de US$ 5 trilhões em investimentos até 2030 para construir toda a infraestrutura exigida pelo boom da inteligência artificial.Além disso, uma das ofertas públicas mais aguardadas do ano, a da Anthropic, que depende fortemente de capacidade de processamento em data centers, continua prevista para ocorrer ainda neste semestre.Atualmente, existem apenas duas empresas listadas em Bolsa com foco exclusivo em data centers: Equinix e Digital Realty Trust. As ações de ambas acumulam queda entre 1% e 2% neste mês.Segundo entrevistas com banqueiros, advogados e investidores, as empresas ligadas ao setor de data centers eram apontadas como responsáveis por cerca de um terço dos IPOs previstos para o restante de 2026.Enquanto isso, gigantes da tecnologia como Meta, Alphabet, Amazon, Microsoft e Oracle já se comprometeram a investir mais de US$ 1 trilhão em projetos próprios de infraestrutura.Para muitos investidores, os desenvolvedores de data centers inevitavelmente precisarão recorrer ao mercado acionário para financiar essa expansão.“O tamanho do que essas empresas estão tentando construir é simplesmente gigantesco. Por isso, elas precisam acessar todas as principais fontes de capital disponíveis”, afirmou Tomasz Tunguz, sócio da gestora Theory Ventures e investidor do setor.c.2026 The New York Times CompanyThe post Wall Street começa a questionar o boom dos data centers appeared first on InfoMoney.

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