Quando Asha Sharma se tornou CEO da Xbox no início deste ano, isso não representou o ápice de uma trajetória cuidadosamente planejada rumo ao cargo mais alto de uma das maiores marcas de jogos do mundo. Pelo contrário, foi uma reafirmação de uma filosofia que ela segue há anos: em vez de sonhar com o futuro, concentre-se em se destacar no trabalho que está diante de você.“Eu nunca fiquei obcecada com o que queria ser quando crescesse”, disse Sharma na conferência Brainstorm Tech, da Fortune, em Aspen, Colorado (EUA). “Eu só ficava obcecada com o que queria fazer — fosse vender livros de cupons ou organizar shows — para arrecadar dinheiro, para ter dinheiro para o almoço… fosse ser a melhor pessoa recolhendo lixo no parque onde eu trabalhava. Eu simplesmente tentava me dedicar a ser excelente no que estava fazendo para conquistar a próxima oportunidade.”Leia também: Ele operava empilhadeiras e virou CEO de rede gigante de mercados sem ter diplomaEsse lema remonta às suas origens no Meio-Oeste dos Estados Unidos, onde se formou em administração pela Universidade de Minnesota e criou um centro recreativo para adolescentes em situação de vulnerabilidade em Minneapolis. A partir daí, construiu uma carreira cheia de mudanças de direção, passando pelo marketing da Microsoft, por um período como COO da startup Porch Group, por cargos de liderança de produto na Meta e por uma posição de COO na Instacart, antes de retornar à Microsoft em 2024 como presidente de produtos da CoreAI.Cada mudança pareceu menos parte de um plano mestre e mais o resultado de alguém que continuava provando seu valor até que a próxima porta se abrisse.Xbox ficou para trás em relação à Sony e à Nintendo — e Sharma aposta em nova energiaAgora no fim dos seus 30 anos, Sharma foi escolhida em fevereiro para substituir o veterano chefe da divisão de games, Phil Spencer — uma decisão que chamou atenção por ela não ter experiência anterior na indústria de jogos. A empresa que herdou também não vivia seu melhor momento: de acordo com o relatório de resultados mais recente da Microsoft, a receita de hardware da Xbox caiu 33% em relação ao ano anterior, enquanto a receita de conteúdo e serviços recuou outros 5%. Em muitos aspectos, o PlayStation da Sony e o Switch da Nintendo assumiram a dianteira na disputa dos consoles, e a pressão para que Sharma revertesse esse cenário foi intensa.Mas seus primeiros movimentos ao menos trouxeram novo fôlego para a marca. Ela reduziu o preço do serviço Game Pass da Xbox — uma decisão amplamente elogiada — e, durante a Brainstorm Tech na semana passada, mencionou a chegada de novos jogos exclusivos e planos mais flexíveis para os consumidores. Sua filosofia em relação aos clientes, segundo ela, reflete a mesma que a levou ao cargo: “conquistar cada jogador”.A reação nas redes sociais à sua ascensão tem sido amplamente positiva. “Contratá-la pode ser a melhor coisa que a Microsoft já fez”, dizia o comentário mais curtido em uma publicação da Fortune no Instagram sobre Sharma discutindo inteligência artificial nos jogos, acumulando mais de 5 mil curtidas.“Acho realmente especial ser CEO da Xbox”, concluiu ela no palco durante o evento da Fortune. “Está além dos meus sonhos mais ousados.”Assim como a nova líder da Xbox, os CEOs da Costco e da Microsoft adotaram a flexibilidade em vez de um plano de carreira de 10 anosSharma faz parte de um padrão mais amplo entre líderes empresariais que admitem que o crescimento profissional costuma vir menos da busca por cargos e mais do foco em alcançar excelência na função que já exercem.Ron Vachris, atual CEO da Costco, descreveu uma filosofia semelhante ao falar sobre sua própria trajetória dentro da empresa. No início deste ano, afirmou que um conselho de seu pai moldou sua abordagem em relação ao crescimento profissional: “Não corra atrás de um cargo. Não corra atrás de algo grandioso. Apenas construa o seu próprio sucesso.”Da mesma forma, o CEO da empresa de busca de hotéis Trivago, Johannes Thomas, disse que seguir o fluxo dos acontecimentos pode, na verdade, ser um segredo para impulsionar a carreira — e foi isso que o levou à alta liderança corporativa.“Eu nunca tive planos concretos na vida”, disse Thomas à Fortune no ano passado. “Eu simplesmente seguia para onde estava a energia, para onde estava a minha curiosidade.”“Acho que, quanto mais você se mantém adaptável, faz coisas diferentes, evita focar demais em apenas uma área e não permanece na zona de conforto por muito tempo, maiores são as suas chances de construir um futuro próspero”, acrescentou Thomas.Até mesmo o chefe de Sharma já ecoou esse princípio. Em conversa com o LinkedIn em 2023, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, disse que, especialmente no início de sua carreira, sempre considerou importante se preocupar menos com o próximo emprego e mais com a forma de ter sucesso nas tarefas que já estavam sob sua responsabilidade.“Eu sentia que o trabalho que estava fazendo naquele momento era a coisa mais importante”, disse Nadella. “Eu realmente acreditava nisso. E, claro, isso me ajudou a conseguir o meu próximo emprego.”Segundo ele, o melhor conselho para acelerar a carreira que já recebeu veio de um gestor que o incentivou a pensar de forma mais ampla: “E se você encarasse o seu trabalho não como o seu trabalho, mas como o meu trabalho? O que faria?”2026 Fortune Media IP LimitedThe post A CEO da Xbox começou carreira recolhendo lixo e vendendo cupons de desconto appeared first on InfoMoney.
