A fome do iFood: Empresa expande raio de atuação e quer triplicar de tamanho

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Há 15 anos, o iFood nasceu com uma missão que parecia simples: transformar a forma como o brasileiro pedia comida. Deu tão certo que hoje a empresa olha para o mesmo prisma e enxerga um horizonte muito maior — não só o que está no prato, mas tudo o que cabe no carrinho. Esta visão fez da empresa o maior marketplace de mercado e farmácia do país, com mais de 36 mil parceiros. Agora, a companhia projeta triplicar o tamanho da operação nos próximos anos. “Um terço dos nossos usuários já consome mais de uma categoria por mês. Mas mais da metade da base ainda não”, diz Paula Ritto, VP de Marketplace e Growth do iFood. Segundo a executiva, é aí que mora a oportunidade. O raciocínio é simples: o varejo brasileiro movimenta cerca de R$ 1 trilhão. Somando todas as categorias, o número sobe para R$ 2 trilhões. Por outro lado, mais de 90% desse volume ainda é físico — a digitalização média do setor não passa de 10%. Países europeus e até alguns da América Latina, como o Chile, estão bem à frente. A estratégia de crescimento está em acessar este mercado trilionário ajudando a digitalizar o varejo. “O primeiro capítulo da empresa foi transformar a forma como o brasileiro pede comida. Agora, é transformar a forma como brasileiro consome todos os produtos do dia”, afirma a executiva. “Construímos nosso negócio de restaurante, temos uma frota de entrega e toda a tecnologia de dados e informação. Por outro lado, a rede de varejo é uma fortaleza desse país. O brasileiro pede por conveniência e temos uma oportunidade enorme”, resume. Leia também: Vitol, Cargill e Glencore suspendem negócios com trader suspeita de fraudesFarmácia: a categoria que virou emergência nacionalConveniência é uma palavra-chave no setor de medicamentos. Olhando para isso, o iFood entrou na frente de farmácias há 3 anos e cresceu de forma exponencial. Nos últimos 12 meses, a base de farmácias parceiras saltou de 14 mil para 22 mil em mais de 900 cidades. “Hoje, somos a maior plataforma de farmácias da América Latina. O brasileiro consegue encontrar qualquer coisa e, melhor, perto de casa”, afirma Paula Ritto. O que deu impulso a esse crescimento da rede foi a adesão do público, que continua crescendo: entre janeiro e junho de 2026, os pedidos de farmácia no iFood cresceram 70,6% — superando até o setor de mercado, que avançou 47,7%. Para a executiva, esse crescimento revela que saúde e bem-estar viraram consumo de conveniência, quase tanto quanto comida. Prova disso é o aumento de 37,4% entre janeiro e junho, nos pedidos realizados entre 0h e 5h, com pico de demanda justamente às 5h. Na madrugada, os campeões de vendas do setor de farmácias são remédios para dor e febre (23,6%), higiene pessoal (16,6%), digestivos (16%) e medicamentos para gripes e resfriados (10,9%). Em sexto lugar, um item que diz muito sobre o momento de vida do consumidor: fraldas, que respondem por 8% dos pedidos da madrugada.Além da capilaridade da rede, Paula atribui à velocidade da entrega o aumento das vendas em farmácia. Hoje, 80% das sessões da categoria na plataforma oferecem entrega em até 20 minutos e mais da metade dos pedidos chega em 30 minutos. “Farmácia é um negócio onde rapidez na entrega é muito importante”, diz. Uma das alavancas de crescimento para a categoria é justamente o serviço Turbo, de entrega ultrarrápida, que leva produtos de farmácia em até 10 minutos e comida em 20. Leia tambémNovo medicamento da Novo falha em estudo cardiovascular aguardado pelo mercadoZiltivekimab não reduziu risco de infarto nem AVC em estudo de fase avançada com 6.300 pacientes; ação despencou 10,5%, maior tombo do anoCapilaridade Outro motor do crescimento e expansão do iFood está na vertical de Mercado, que registrou crescimento recorde de 60% em GMV (volume bruto de mercadoria) entre março de 2025 e março de 2026. Esse salto aconteceu também pela adição de quase 3 mil novas lojas à plataforma — um aumento de 40%. E uma parte importante dessa expansão aconteceu fora de Sâo Paulo. Na Região Norte, por exemplo, o número de unidades conectadas à plataforma do iFood cresceu 130%. No Nordeste, 81%. Com isso, hoje, 46 dos 50 maiores grupos de supermercados do Brasil (segundo o ranking ABRAS) estão na plataforma. Mas a plataforma não está apenas servindo aos grandes: 51% dos parceiros dessa vertical são pequenos e médios varejistas. Nestes casos, a estratégia do iFood é semelhante àquela usada inicialmente, com os restaurantes: atuar como digitalizador de negócios locais, sem estocar produtos, sem competir com o parceiro. “Construímos um onboarding facilitado e depois damos acesso a demanda, dados de preços competitivos como precificação na região e ferramentas de promoção. É um ferramental de digitalização para quem não teria isso sozinho”, explica Paula.O resultado é que o iFood conecta metade da população brasileira a pelo menos um mercado num raio de 5 km. “Os brasileiros têm diversos perfis de compra no mercado. A mesma pessoa pode comprar alguns poucos produtos com uma expectativa de entrega turbo, que é mais rápida, pode, em um outro momento, acessar um atacadista, que normalmente tem preços melhores mas fica mais distante”, resume a executiva. Leia também: Na disputa pela alta renda, construtora oferece acesso a rede internacional de clubesEm busca de fidelidade Uma das rotas do crescimento da empresa está no Clube iFood, que Paula Ritto ajudou a lançar há 7 anos. Hoje são 15 milhões de assinantes ativos, o que faz do programa o maior hub de fidelidade do Brasil, segundo a empresa.O programa representa uma base de sustentação essencial para o crescimento do negócio, já que 60% de todos os pedidos do iFood vêm de assinantes do Clube. Essas pessoas também pedem duas vezes mais que um usuário comum e têm taxa de retenção superior a 80%. Isso, explica Paula, vem de um outro dado importante: clientes do Clube economizam 150% a mais que não-assinantes.“O programa nasceu pensado para restaurantes, mas quando evoluímos para outras categorias, construímos benefícios para o assinante testar também mercado, farmácia, pet shop. Funcionou porque a assinatura é acessível e os benefícios são muito claros”, diz.Rotas de crescimentoNos resultados divulgados pela companhia em junho deste ano, o marketplace da empresa nas categorias de mercado, farmácia, pet e demais verticais ‘não-food’ registrou crescimento de 50% no último ano fiscal (de abril de 2025 a março de 2026). O aumento reforça o avanço da estratégia multicategoria da empresa e consolida o varejo como uma das principais avenidas de crescimento da empresa. Nessa linha, mais recentemente, a empresa abriu a vertical de shopping, que começa a ganhar tração com vendedores de outros segmentos, como brinquedos, cosméticos e eletrônicos. Para coroar este novo momento, o iFood também mudou o formato do seu principal evento o iFood Move, que acontece em setembro e era focado apenas em donos de restaurantes do país. Neste ano, haverá um palco dedicado ao varejo. “A principal evolução do Move este ano é mostrar que o iFood não é só um serviço de delivery de comida”, diz a executiva. Apesar da expansão, a empresa não pensa em mudar de nome. “A marca é super conhecida, não vamos mudar de nome. Mas vamos deixar claro que temos muito mais a oferecer”, conclui Paula.The post A fome do iFood: Empresa expande raio de atuação e quer triplicar de tamanho appeared first on InfoMoney.

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