Uma falha rara e de origem improvável levou a Airbus a desencadear, nos últimos dias, uma operação global de emergência para atualizar o software de milhares de aeronaves da família A320. O problema, relacionado ao sistema responsável por comandar superfícies essenciais de controle do voo, provocou atrasos, realocações de aeronaves e até suspensão temporária de vendas de passagens por parte de algumas companhias.O alerta foi acionado após a análise de um incidente ocorrido em outubro, envolvendo um Airbus A320 da JetBlue que fazia a rota Cancún–Newark. No meio do trajeto, o jato iniciou uma descida brusca sem qualquer comando dos pilotos. Passageiros ficaram feridos e a tripulação precisou desviar para Tampa, onde o pouso de emergência foi realizado. Leia tambémCompanhias aéreas globais correm para consertar jatos após recall do A320Falha em software levou companhias aéreas a suspender voos na Ásia e Europa e gerou alerta nos EUA durante feriadoAtualização de software no Airbus A320 provoca atrasos e cancelamentos globaisA medida paralisou, temporariamente, aeronaves na Ásia e na Europa e ameaça viagens nos Estados UnidosO comportamento do avião, considerado atípico para um modelo amplamente testado, revelou um erro crítico no sistema ELAC, o computador responsável por operar os elevadores e ailerons, peças fundamentais para manter o equilíbrio e a trajetória do voo.As investigações detectaram corrupção de dados no ELAC. A origem, porém, fugia dos padrões tradicionais de falha eletrônica: partículas de alta energia provenientes do Sol teriam atingido componentes sensíveis do sistema. Em altitudes de cruzeiro, a proteção atmosférica é menor, e fenômenos conhecidos como single event upsets — alterações provocadas por radiação solar em microchips — podem modificar bits de informação. Uma mudança de “0” para “1”, ou vice-versa, é suficiente para gerar comandos incorretos. No caso da JetBlue, essa alteração comprometeu diretamente o controle da aeronave.A Airbus determinou então a atualização imediata do software de cerca de 6 mil aeronaves A320 em operação no planeta. Embora a maioria da frota tenha sido corrigida rapidamente, aproximadamente 100 aviões permanecerão em solo por mais tempo, aguardando procedimentos adicionais.Companhias da América LatinaO impacto operacional variou pelo mundo. Na América Latina, empresas como Avianca sofreram mais intensamente: mais de 70% de sua frota foi afetada, obrigando a companhia a suspender a venda de passagens até 8 de dezembro. Nos Estados Unidos e na Europa, o efeito foi mais controlado, apesar do período de alto fluxo devido ao feriado de Ação de Graças. Lufthansa, EasyJet, United e American Airlines informaram que conseguiram reorganizar malhas e manter grande parte dos voos dentro da normalidade.Airbus pede desculpasEm comunicado, o CEO da Airbus, Guillaume Faury, pediu desculpas às companhias aéreas e aos passageiros afetados. Ele destacou que a segurança permanece como “o valor absoluto” da empresa e lembrou que os cerca de 9.400 jatos da família A320 transportam milhões de pessoas diariamente.A fabricante afirmou que continuará monitorando o desempenho das aeronaves após a atualização e que investiga medidas adicionais para evitar novos incidentes relacionados à radiação solar, um desafio crescente em períodos de maior atividade do Sol.Com a correção avançando, a expectativa é de que as malhas aéreas sejam gradualmente normalizadas ao longo da próxima semana.The post A320 sob alerta: entenda como a radiação solar travou frota global da Airbus appeared first on InfoMoney.
