Os preços dos aluguéis residenciais continuam avançando em ritmo superior ao da inflação em 2026, mantendo a pressão sobre o orçamento de quem precisa alugar um imóvel. Levantamento do Índice FipeZAP mostra que os contratos residenciais acumularam alta de 5,24% no primeiro semestre, desempenho bem acima do IPCA, que avançou 3,36% no período, e também do IGP-M, o chamado índice do aluguel, com alta de 3,27%.Só no mês de junho, os aluguéis registraram valorização média de 0,81%, pouco abaixo dos 0,85% observados em maio. Apesar da ligeira desaceleração, o reajuste ficou cinco vezes acima da inflação oficial do mês, de apenas 0,16%, indicando que a demanda por imóveis para locação continua sustentando os preços.O movimento ocorre em um momento em que o mercado imobiliário ainda convive com juros elevados no crédito habitacional e, apesar do Banco Central ter iniciado um ciclo de redução da Selic, o repasse para os financiamentos não é imediato. Por isso, muitos consumidores continuam no mercado de locação por mais tempo, sustentando a demanda por esses imóveis .Oferta insuficienteMesmo que o ritmo de alta tenha perdido intensidade em relação ao início do ano, a oferta continua insuficiente para atender à procura em diversas cidades. Esse desequilíbrio mantém os aluguéis em alta nos grandes centros urbanos. Das 22 capitais monitoradas, 21 registraram aumento dos preços no primeiro semestre, conforme o estudo. Aracaju liderou a valorização, com alta de 16,82%, seguida por Manaus com 11,14%, Campo Grande com 10,77%, Fortaleza com 9,45% e Rio de Janeiro 8,27%.São Paulo, maior mercado imobiliário do país, acumulou elevação de 3,65%, enquanto São Luís foi a única capital a apresentar queda, de 1,21%.Leia Mais: Itapema supera Balneário Camboriú e tem o metro quadrado mais caro do BrasilValorizaçãoNo acumulado dos últimos 12 meses, os preços dos aluguéis registram alta de 9%, praticamente o dobro da inflação oficial, de 4,64%. Para especialistas, esse movimento reforça que o mercado continua aquecido pela dificuldade de acesso à casa própria. Juros elevados no crédito imobiliário, encarecimento dos imóveis e exigências maiores para obtenção de financiamento continuam mantendo parte dos consumidores no mercado de locação, sustentando a demanda.Ao mesmo tempo, investidores também encontram um ambiente favorável para locação, embora a rentabilidade do aluguel permaneça abaixo do retorno esperado de aplicações financeiras.O levantamento aponta retorno médio anual de 6,13% para imóveis residenciais destinados à locação. Os maiores rendimentos foram observados em Recife (8,56% ao ano), Cuiabá (8,29%), Belém (8,23%), Manaus (8,08%) e Natal (7,55%).Já imóveis menores seguem oferecendo melhor retorno proporcional. Apartamentos de um dormitório apresentam rentabilidade média de 6,77% ao ano, enquanto unidades com quatro dormitórios ou mais rendem, em média, 4,85%.Embora a rentabilidade continue inferior à projetada para aplicações financeiras de renda fixa, a valorização contínua dos aluguéis reforça o interesse de investidores que buscam combinar geração de renda com potencial de valorização patrimonial.Demanda da classe médiaNo recorte mensal, os apartamentos de dois dormitórios foram os que mais pressionaram o índice, com valorização de 1,22% em junho, refletindo a forte demanda por imóveis voltados à classe média. Na direção oposta, unidades com quatro ou mais dormitórios apresentaram leve recuo de 0,30%.De acordo com o FipeZAP, o preço médio da locação residencial nas 36 cidades pesquisadas atingiu R$ 53,79 por metro quadrado. São Paulo continua liderando entre as capitais, com aluguel médio de R$ 64,98 por metro quadrado, seguida por Recife com R$ 64,06 por metro quadrado, Belém com R$ 63,03 por metro quadrado, Florianópolis com R$ 60,82 por metro quadrado e Rio de Janeiro com R$ 59,87.The post Aluguel acumula alta de 5,24% no semestre e segue pressionando orçamento appeared first on InfoMoney.
