AWS fecha contrato de R$ 160 mi com startup de IA brasileira do setor jurídico

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A AWS, braço de nuvem da Amazon, está de olho nas startups brasileiras. Em especial, naquelas nativas de inteligência artificial. Foi isso que motivou o anúncio, nesta quinta-feira (7), a assinatura de um contrato de US$ 32 milhões (cerca de R$ 160 milhões) para a ampliação da infraestrutura tecnológica da legaltech Forlex. O acordo é fruto de um relacionamento anterior entre Amazon e a empresa brasileira especializada em inteligência artificial para o setor jurídico. Em 2025, a Forlex foi uma das três selecionadas pela Amazon no programa AWS Generative AI Accelerator (GAIA), uma iniciativa global de impulsionamento de companhias inovadoras com foco em IA.Como prêmio, as startups selecionadas ganham créditos de uso do processamento em nuvem da AWS. Dessa forma a Amazon garante um relacionamento com companhias de potencial crescimento ainda nas suas primeiras fases.Leia também: Startup de IA para detecção de corrupção é única brasileira em evento de StanfordLeia também: Segura capta R$ 45 mi com a16z e Kaszek para levar IA a corretor de seguros“Nosso objetivo é nos envolvermos o mais cedo possível com as startups e ajudá-las desde o início para que, quando estiverem prontas para escalar e crescer, possamos apoiá-las com as melhores práticas técnicas e estratégias de entrada no mercado”, diz o vice-presidente global de startups e venture capital na AWS, Jason Bennett, em visita ao Brasil.No caso da Forlex, o contrato garante à legaltech acesso à capacidade computacional de centenas de GPUs Nvidia B200 por três anos. Para empresas de inteligência artificial, é esse o tipo de capacidade computacional necessário para treinar e dar escala aos modelos vendidos por clientes.De acordo com a Amazon, o negócio lança a Forlex ao patamar de uma das companhias brasileiras de tecnologia com maior compromisso privado de capacidade computacional dedicada à IA generativa. A empresa também seria a primeira startups da América Latina a operar continuamente, em escala, com a arquitetura Nvidia Blackwell — linha mais moderna de processadores da gigante dos semicondutores. A expectativa da Forlex é operar mais de 1,5 mil GPUs até o fim do ano, com a demanda subindo conforme a empresa avança em uma expansão internacional iniciada nos Estados Unidos.“Os EUA serão nossa base para a expansão internacional quando estivermos de olho na Europa e no resto do mundo”, afirma o co-CEO e CTO da Forlex, Daniel Bichuetti. O executivo está à frente da estruturação da operação no Vale do Silício, onde a companhia pretende estar mais próxima do capital e de companhias americanas.Por enquanto, ainda não há nenhum contrato fechado nos Estados Unidos, mas Bichuetti garante que a empresa está próxima a concluir um negócio com um grande escritório de advocacia no país. “Começaremos uma expansão vagarosa para entrar em contato com empresas e rodar algumas provas de conceito”, afirma o CEO.Hoje, um dos principais clientes da empresa no Brasil são a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para quem disponibiliza a plataforma LIVIA entre mais de 1,5 milhão de advogados do Brasil. Natura e Qatar Airways também estão na lista de clientes da legaltech, cujo foco são as áreas de legal, governança e backoffice.A plataforma feita para a OAB foi treinada especificamente para o contexto jurídico brasileiro e está integrada às bases de 81 tribunais com precisão de 91% a 93%. Segundo a empresa, isso posiciona sua ferramenta como uma das mais precisas do mundo, com uma taxa de alucinação de apenas 7%. Até agora, a Forlex captou R$ 5,95 milhões em rodadas de investimento, sendo R$ 3,6 milhões de uma rodada inicial liderada pela Vinci Ventures. O CEO Daniel Bichuetti afirma que está em conversas iniciais para uma nova rodadaDestaques do BrasilNesta semana a Enter, startup brasileiras de inteligência artificial focada em contencioso empresarial, se tornou um unicórnio, título dado àquelas que ultrapassam o valor de mercado de US$ 1 bilhão. Ela é a primeira empresa de IA da América Latina a assumir o posto e apenas a terceira legaltech do mundo a quebrar a linha bilionária.Embora a onda seja positiva para as legaltechs, os setores financeiro, de saúde e agronegócio chamam a atenção da AWS pelo uso de inteligência artificial no Brasil: “Esses seriam três setores em particular nos quais vemos nossos fundadores investindo e tentando descobrir como melhorar suas experiências e as de seus próprios clientes”, afirma o diretor de startups da AWS para a América Latina, Alvaro Echeverria.A avaliação é de que o Brasil se tornou o centro de inovação na fronteira das startups de IA na América Latina. Hoje, o setor de startups global da AWS tem olhado de forma especial para empresas com foco em agentes de IA e IA física.“Estamos vendo muitos casos de uso interessantes em que a robótica e a IA física podem nos apoiar em ajudar no mundo real. São inúmeros exemplos que vimos tanto nos EUA quanto em outros países do mundo todo”, conta Bennett. “E eu espero que, com o tempo, agentes desempenhem um papel para a maioria das cargas de trabalho que se vê em organizações.”The post AWS fecha contrato de R$ 160 mi com startup de IA brasileira do setor jurídico appeared first on InfoMoney.

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