CEO da United diz que avaliou fusão com American, mas negociações já foram encerradas

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O CEO da United Airlines, Scott Kirby, confirmou que procurou a American Airlines e que as conversas foram encerradas, detalhando as virtudes de uma fusão que, segundo ele, poderia ter fortalecido o setor corporativo americano e obtido aprovação dos reguladores.Kirby publicou um longo comunicado na manhã desta segunda-feira explicando a lógica de uma combinação, desde o impulso econômico e a geração de empregos que o negócio teria criado até o que ele chamou de “uma companhia aérea verdadeiramente competitiva em escala global”. No fim, porém, as conversas não avançaram porque a American não topou, disse ele.Leia tambémShell compra canadense ARC por US$ 13,6 bi e reforça aposta em gás e petróleoMaior aquisição da petroleira em mais de dez anos turbina reservas no Canadá, aumenta geração de caixa e consolida foco em óleo, gás e exportação de gás natural liquefeitoChina manda Meta reverter compra da startup de IA Manus avaliada em mais de US$ 2 biO ⁠comunicado não mencionou a Meta nem outros investidores estrangeiros na Manus“Eu sempre soube que a única forma de qualquer fusão ser bem-sucedida (e aprovada) seria se fosse ótima para os clientes e tivesse um parceiro disposto, que compartilhasse a minha visão grande e ousada”, escreveu Kirby no comunicado — a primeira vez em que ele confirma que uma fusão com sua antiga empregadora foi de fato considerada. “Sem um parceiro disposto, algo dessa magnitude simplesmente não consegue sair do papel.”A Bloomberg News havia noticiado em primeira mão o interesse de Kirby na American no início deste mês, em uma transação que seria ousada e criaria, de longe, a maior companhia aérea do mundo. O CEO da American Airlines, Robert Isom, já declarou que não tem interesse em um acordo com a United, e o presidente dos EUA, Donald Trump, também afirmou que prefere ver as empresas separadas, para garantir mais concorrência.Parte da argumentação de Kirby era construir uma marca com domínio global — “criar uma grande, nova companhia aérea dos EUA, com escala para competir e liderar em todo o mundo” —, um apelo velado a Trump e à preferência do presidente por um setor corporativo americano forte e dominante.Falando a analistas na semana passada, Isom classificou um acordo com a United como “ruim para os clientes, ruim para o setor e, em última instância, ruim para a própria American Airlines”.“A ideia de as duas maiores companhias aéreas do mundo se juntarem é algo que consideramos anticompetitivo”, disse ele na ocasião.Kirby afirmou que, com desinvestimentos em determinados mercados domésticos, acredita que “os reguladores teriam aprovado um acordo desse tipo porque teriam reconhecido os benefícios para os clientes, nossos funcionários em comum e as comunidades de costa a costa e ao redor do mundo”.Embora Kirby tenha sido claro ao dizer que as conversas foram encerradas, ele se esforçou para expor a lógica e os benefícios do acordo, sugerindo que ainda pode avaliar se existe um caminho de volta à mesa de negociação. Ele disse que as declarações da American indicam que uma fusão como a que ele sugeriu “está fora de cogitação no futuro previsível”.Kirby não informou quando as discussões começaram e terminaram, mas a Bloomberg noticiou que ele apresentou a ideia de uma combinação em uma reunião na Casa Branca no fim de fevereiro.A união entre United e American teria juntado duas das quatro grandes aéreas dos Estados Unidos, num momento em que muitas empresas do setor enfrentam alta de custos por causa do aumento do preço dos combustíveis. Kirby tem uma relação tensa com a American, onde antes subiu na hierarquia, mas não conseguiu chegar ao cargo de CEO, deixando a companhia para se juntar à United.Segundo Kirby, a proposta de combinar forças não era um sinal de fraqueza, mas uma forma de ganhar escala que, no fim das contas, beneficiaria os clientes.“A ideia ousada que eu queria perseguir tinha a ver com crescimento, algo que inauguraria uma nova era de liderança da aviação dos EUA”, disse Kirby.O pano de fundo político também pode tornar um negócio desse porte mais concebível do que em anos recentes. O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse no início deste mês que há espaço para fusões de companhias aéreas e que Trump “adora ver grandes negócios acontecerem”.Esses comentários marcam uma mudança em relação a administrações anteriores, que eram mais céticas em relação à consolidação do setor.Trump também tem interferido diretamente no destino de empresas específicas. Na semana passada, ele disse que está avaliando a possibilidade de o governo dos EUA comprar a problemática Spirit Aviation, enquanto sua administração estuda um eventual socorro à companhia aérea de ultrabaixo custo.A intervenção seria altamente incomum, com autoridades analisando opções que incluem oferecer até US$ 500 milhões em financiamento em troca de opções (warrants) que dariam ao governo o direito de adquirir uma participação relevante na Spirit.As discussões reforçam o quão ativamente a Casa Branca tem atuado no setor em um momento em que as companhias aéreas avaliam movimentos de consolidação e outras mudanças estruturais.As ações da United caíam menos de 1% às 7h04 (horário de Nova York), antes do início do pregão regular. Os papéis da American tinham pouca variação.© 2026 Bloomberg L.P.The post CEO da United diz que avaliou fusão com American, mas negociações já foram encerradas appeared first on InfoMoney.

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