Chefe de gabinete de Milei renuncia meses após escândalo com jato privado

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(Bloomberg) — O chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei renunciou neste sábado após passar meses tentando conter acusações de corrupção, tornando-se a saída de maior peso político desde que o líder libertário assumiu o cargo.Manuel Adorni, um dos auxiliares mais leais de Milei, deixou o posto em meio a uma investigação em andamento sobre compras de imóveis e viagens de luxo em jato privado, apesar de receber salário do governo.Depois de dois meses negando qualquer irregularidade, Adorni disse em entrevista a uma emissora local, no início deste mês, que na verdade ocultou US$ 500 mil da agência tributária argentina e que fez a maior parte de sua fortuna com uma aposta total em Bitcoin mais de uma década atrás. Comentarista de TV e professor universitário, Adorni havia atuado anteriormente como principal porta-voz de Milei antes de assumir a chefia do gabinete e costumava criticar publicamente outros políticos condenados por corrupção.“Fui rotulado como criminoso e corrupto, sem que exista um único ato de corrupção em meu nome”, escreveu Adorni em uma publicação no X na tarde de sábado. “Há um limite para essa perseguição implacável, e eu cheguei ao meu.”Ainda não está claro quem o substituirá.Leia tambémZuckerberg quer entrar no mercado preditivo e busca parceria com líderesZuckerberg quer transformar apostas em conversa social e mira jovens de 18 a 34 anos com novo aplicativo que pode ser integrado ao Feed do Facebook e ao ReelsGigantes da renda fixa miram ponto ideal do mercado para a nova era WarshO ponto ideal estaria no chamado “miolo” da curva de Treasuries, ou seja, na faixa de cinco anos, e todos estão aumentando posição nesse trechoA renúncia de Adorni representa uma reviravolta brusca na estratégia do governo, depois de o próprio Milei ter repetidamente minimizado os escândalos, classificando-os como ataques orquestrados pela oposição e pela imprensa local. Em abril, Milei e seu gabinete transformaram uma aparição de Adorni no Congresso em um espetáculo midiático e em uma rara demonstração pública de apoio, aplaudindo da varanda do plenário enquanto Adorni descartava deixar o cargo e insistia que provaria sua inocência na Justiça.Em meio ao escândalo, a taxa de aprovação de Milei caiu para menos de 36% em abril, recuo de quase 10 pontos em relação ao início do ano, segundo o LatAm Pulse, pesquisa realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News. Desde então, o índice se recuperou para algo em torno de 40%. Os entrevistados apontaram a corrupção como sua principal preocupação, e mais da metade afirmou esperar novas revelações nos próximos seis meses.Investigação começou após fotos de viagem no jato presidencialA investigação sobre Adorni começou em março, depois que vieram a público fotos de sua esposa, que não integra o governo, viajando no jato presidencial para Nova York — um tipo de excesso que o ex-porta-voz de Milei costumava atribuir à oposição. Em seguida, surgiu um vídeo de Adorni e sua família viajando de jato privado para o sofisticado balneário uruguaio de Punta del Este.A imprensa local também noticiou duas compras de imóveis feitas por Adorni desde que Milei assumiu o poder, além de uma viagem paga em dinheiro vivo para um resort de luxo em Aruba. As aquisições — um apartamento e uma casa de fim de semana nos arredores de Buenos Aires — foram financiadas por pessoas físicas. Em 4 de maio, o empreiteiro responsável pela obra da casa afirmou em audiência que Adorni lhe pagou US$ 245 mil em dinheiro por reformas, incluindo uma fonte e uma piscina.Durante meses, e inclusive diante do Congresso, Adorni insistiu que não havia feito nada de errado, apenas para depois reconhecer que, de fato, havia sonegado impostos por anos e mentido sobre isso em suas declarações patrimoniais. Ele afirmou ter ganhado US$ 300 mil investindo em Bitcoin já em 2013, embora em um vídeo de 2020 que voltou a circular tenha dito que não entendia de criptomoedas.A renúncia de Adorni representa também uma perda política para Karina Milei, irmã influente do presidente e figura central no controle de acesso ao governo, que cultivava uma relação próxima com ele. Adorni foi promovido a chefe de gabinete depois que a estratégia de campanha de Karina nas eleições legislativas de meio de mandato, em outubro passado, garantiu uma vitória contundente. O ex-presidente conservador Mauricio Macri, cujo partido apoiou boa parte da agenda de Milei, havia criticado a decisão de nomear Adorni, um ex-colunista sem experiência política anterior.No ano passado, Adorni venceu uma eleição para a Câmara Municipal de Buenos Aires, mas nunca assumiu o cargo, preferindo permanecer no governo Milei. Havia especulações de que ele poderia disputar a prefeitura da capital no ano que vem. Desde os primeiros dias do mandato de Milei, Adorni se tornou o rosto público da agenda anticorrupção e de austeridade do presidente, realizando dezenas de coletivas de imprensa para detalhar esforços de erradicação de propinas e excessos no governo.No fim de 2024, ele chegou a destacar a demissão de um funcionário pela compra de uma máquina de café.© 2026 Bloomberg L.P.The post Chefe de gabinete de Milei renuncia meses após escândalo com jato privado appeared first on InfoMoney.

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