Como a implementação de um sistema de gestão derrubou as receitas da Natura (NATU3)

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A implementação do novo sistema de gestão empresarial SAP provocou uma quebra de abastecimento por trás da redução das receitas da Natura (NATU3) no segundo trimestre. Tratado como um “desafio de execução autoimposto”, o problema na cadeia ofuscou desempenhos tratados como bons pela companhia nos mercados hispânicos.O balanço publicado pela companhia na segunda-feira (10) relatou uma receita líquida de R$ 5.170 bilhões no segundo trimestre deste ano, queda de 9,1% na comparação com o mesmo período de 2025.“É bem verdade que o mercado tem mostrado um consumo muito fraco, mas a essência da nossa frustração veio de problemas internos. Desafios de execução fundamentalmente autoimpostos”, disse o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, em coletiva a jornalistas nesta terça-feira (11).De acordo com o executivo, a substituição do sistema de gestão já resultaria naturalmente em uma paralisação da empresa por alguns dias, seguidos de uma retomada sucessiva. Ferreira conta que a implementação em si foi bem executada, mas a retomada fugiu da expectativa.Leia mais: Controladores da Natura pedem dispensa de OPA em acordo de investimento com AdventSistemas como o SAP são chamados de EPRs (sigla em inglês para planejamento de recursos empresariais). É a partir deles que é definida a quantidade de insumos e produtos a serem distribuídos na cadeia de produção da empresa. A mudança de diversos outros sistemas para o SAP foi um dos principais movimentos da Natura em sua retomada de investimentos, em 2024.“Ao começar a operar durante esse período [após a paralisação], constatamos que os parâmetros não estavam bem feitos”, aponta o CEO. Acontece que essa readequação chegou até a ponta. Consultoras da Natura tiveram dificuldades para fechar pedidos em função da ausência de certos itens, o que levou à queda nos indicadores de receita.Era um resultado esperado. Em julho, a companhia publicou um Fato Relevante alertando o mercado de que uma série de fatores, incluindo a transição da ferramenta de gestão, gerariam pressão sobre o faturamento. O documento estimava uma receita líquida consolidada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões.A readequação da plataforma leva algum tempo. Segundo a Natura, a falta de produtos está, hoje, em um nível menor do que a metade do pico. “Estamos no meio da jornada, no caminho, consistentemente melhorando toda semana um pouco acima do que seria o nível normal”, diz Ferreira.México é destaqueQuando considerado apenas o Brasil, a queda na linha de receita na comparação anual foi de 14,8%. Já no mercado hispânico, o segundo trimestre foi de estabilidade quando considerada a variação do resultado em reais, mas com crescimento em moeda corrente de 7,2%, impulsionado pelo avanço das marcas Natura (12,3%) e da Avon (4,7%).“De alguma maneira, [o resultado no Brasil] ofuscou o bom resultado que tivemos nos mercados hispânicos”, aponta Ferreira. A entrada da marca Natura em mercados que antes consumiam apenas Avon é um dos motores para esse desempenho.“O México é o grande destaque. É o país em que enxergamos mais potencial na região. Cresce principalmente porque a marca Natura está penetrando no canal e nos lares que antes só consumiam Avon”, aponta a CFO da empresa, Silvia Vilas Boas.Depois de abrir em queda, as ações da Natura se recuperaram no início do pregão desta terça-feira. Até agora, os papéis da companhia avançaram cerca de 3%.The post Como a implementação de um sistema de gestão derrubou as receitas da Natura (NATU3) appeared first on InfoMoney.

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