As principais economias do Oriente Médio continuaram a enfrentar em abril os danosos efeitos da Guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Fatos como as seguidas interrupções no espaço aéreo e o fechamento do Estreito de Ormuz castigaram as empresas não-petrolíferas, conforme os dados do Índice de Gerentes de Compras (PMI) de Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kwait e Catar.Com maior ou menor intensidade, o quadro geral do mês passado apontou para a continuidade de problemas em novos pedidos, produção, emprego, prazos de entrega de fornecedores e estoques de compras. E os preços pagos pelos insumos industriais continuam em escalada e batendo recordes.Leia também: Índice de atividade global cresce em abril, mas preços de insumos preocupamArábia SauditaNa Arábia Saudita,setor privado não-petrolífero até voltou para território de crescimento em abril, à medida que as empresas aumentaram sua produção em resposta a uma melhora nos volumes de novos negócios e ao avanço de trabalhos já em andamento.No entanto, o ritmo geral de expansão dos negócios continuou sendo contido por adiamentos nas decisões de gastos dos clientes em meio ao conflito no Oriente Médio, enquanto as disrupções no transporte marítimo continuaram a impactar as cadeias de suprimentos.Ao mesmo tempo, as empresas não petrolíferas enfrentaram um rápido aumento dos custos em abril, à medida que as instabilidades regionais afetaram os preços de matérias-primas e fretes. Os custos totais de insumos subiram ao ritmo mais rápido de toda a série histórica da pesquisa, impulsionando uma alta quase recorde nas tarifas de venda.O PMI calculado pelo Riyad Bank subiu de 48,8 em março para 51,5 em abril, voltando a ficar acima do patamar neutro de 50,0. Mas, ainda que o mês tenha mostrado uma ligeira recuperação da demanda, o ritmo de crescimento das vendas permaneceu relativamente moderado, com atrasos nas decisões de gasto e investimento dos clientes supostamente compensando os ganhos.Um ponto especial de atenção é que as elevações nos preços de matérias-primas e nos custos de transporte resultaram na maior alta das despesas empresariais desde o início da pesquisa, há quase 17 anos.Segundo Naif Al-Ghaith, economista-chefe do Riyad Bank, a dinâmica das cadeias de suprimentos permanece uma área-chave de atenção. “Os prazos de entrega se alongaram durante o mês, levando algumas empresas a aumentar estoques como medida de precaução. Embora isso reflita desafios logísticos de curto prazo, também indica um comportamento empresarial proativo e de planejamento antecipado”, disse.Leia também: França pede que questão de Ormuz seja tratada separadamente das negociações EUA-IrãEmirados ÁrabesAs empresas do setor privado não-petrolífero dos Emirados Árabes Unidos (EAU, na sigla em inglês) também reportaram, em abril, um aumento historicamente acentuado em seus preços de venda, à medida que novas elevações de custos e disrupções de oferta decorrentes do conflito comprimiram as margens.Os pedidos de exportação caíram fortemente, enquanto uma atividade turística mais fraca e a hesitação dos clientes resultaram em nova desaceleração do crescimento das vendas.O Índice de Gerentes de Compras Global dos Emirados, calculado pela S&P, recuou pelo segundo mês consecutivo, de 52,9 em março para 52,1 em abril – o indicador mais baixo desde fevereiro de 2021.Embora várias empresas tenham citado conquista de novos clientes e maior demanda, houve também muitos relatos de queda nas vendas devido à redução dos gastos dos clientes e ao recuo do turismo. Consequentemente, o aumento geral de novos negócios foi modesto e o mais lento observado em mais de cinco anos.A disrupção na atividade de transporte marítimo nos EAU, resultante do conflito no Oriente Médio, também levou a uma forte queda nos novos pedidos de exportação em abril. Excluindo o auge da pandemia de Covid-19 em 2020, a mais recente retração nas vendas externas foi a mais acentuada registrada desde o início da pesquisa, em agosto de 2009.E o conflito no Oriente Médio levou a uma nova alta na inflação de custos de insumos para as empresas não petrolíferas dos Emirados em abril. O aumento dos custos totais de insumos foi o mais forte desde julho de 2024, com petróleo e transporte sendo os itens mais frequentemente citados como tendo subido de preço.Leia também: Emirates retoma 96% dos voos após impactos da crise no Oriente MédioDubaiO PMI específico de Dubai caiu para a mínima em 55 meses em abril. Com indicador de 51,6, ante 53,2 em março, o índice principal sinalizou apenas uma melhora modesta nas condições de negócios não petrolíferos, a mais fraca desde setembro de 2021. O crescimento da produção e de novos negócios voltou a enfraquecer em abril, à medida que o conflito no Oriente Médio continuou a inibir gastos e a restringir as linhas de suprimento. A taxa de crescimento da produção foi a mais fraca registrada em quase cinco anos.As pressões de custos de insumos continuaram a acelerar em abril, impulsionadas por aumentos nos preços de petróleo, transporte e materiais. As empresas de Dubai responderam com um aumento nas tarifas de venda que foi forte em termos históricos, mas mais lento do que em março. Em contrapartida, as expectativas de produção se recuperaram em abril, à medida que mais empresas expressaram otimismo quanto a uma recuperação nas condições gerais de demanda.Segundo David Owen, economista sênior na S&P Global Market Intelligence, restrições severas nas principais rotas de embarque resultaram em uma queda acentuada nas exportações, enquanto o aumento das pressões de custos colocou as empresas sob pressão adicional.No entanto, a força subjacente do setor privado não petrolífero, evidenciada por um novo aumento robusto da produção, fez com que as empresas esperem a continuidade do crescimento nos próximos 12 meses. “As carteiras de pedidos permanecem, segundo relatos, fortes, enquanto a atividade de construção e os ganhos esperados com investimentos em IA também foram citados como motores de otimismo.”KwaitAs empresas não-petrolíferas no Kuwait também continuaram enfrentando condições de negócios desafiadoras em abril como resultado da guerra na região. Novos pedidos, atividade de negócios, emprego e atividade de compras caíram pelo segundo mês consecutivo, enquanto a disrupção nas cadeias de suprimentos permaneceu evidente. A fraqueza da demanda e as pressões competitivas fizeram com que os custos de insumos recuassem novamente, mas os preços de venda aumentaram de forma modesta.O PMI Global do Kuwait — derivado dos indicadores de novos pedidos, produção, emprego, prazos de entrega de fornecedores e estoques de compras — ficou inalterado em 46,3 em abril, permanecendo abaixo da marca de 50,0 que indica estabilidade pelo segundo mês consecutivo.A principal questão levantada pelos gerentes de compras foi que o espaço aéreo kuwaitiano permaneceu fechado durante boa parte do mês, limitando viagens. A disrupção no transporte marítimo e as aulas escolares ocorrendo online também se somaram aos desafios enfrentados pelas empresas.A atividade de negócios diminuiu no mesmo ritmo observado em março. Enquanto isso, a taxa de queda dos novos pedidos se acelerou em relação ao mês anterior, atingindo o nível mais rápido desde maio de 2021. A demanda internacional também sofreu em decorrência da guerra. Nesse caso, o ritmo de redução também foi mais intenso do que em março.Com a queda nos novos pedidos, as empresas também registraram redução na carteira de trabalhos, que recuou de forma sólida em abril. A falta de pressão sobre a capacidade levou a uma segunda queda mensal consecutiva no emprego. Embora modesto, o ritmo de redução foi o mais rápido desde fevereiro de 2022. As empresas também reduziram sua atividade de compras e seus estoques. As quedas mais recentes foram mais brandas do que as vistas em março, mas ainda assim significativas.Para Andrew Harker, diretor de Economia na S&P Global Market Intelligence, houve pouco alívio para as empresas não petrolíferas no Kuwait durante abril, à medida que os impactos da guerra na região continuaram a prejudicar as operações. “Os novos pedidos, na verdade, caíram mais rapidamente do que em março, levando a novas reduções em produção, emprego e compras.”Um dos maiores problemas enfrentados pelas empresas em abril foi a continuidade do fechamento do espaço aéreo durante a maior parte do mês. “A reabertura do espaço aéreo no dia 23 deve, portanto, ajudar a melhorar o quadro, e poderemos ver uma melhora na divulgação de dados do próximo mês.”CatarO PMI Global do Catar subiu de 38,7 em março para 46,4 em abril. Mesmo com a recuperação, a leitura mais recente foi a oitava mais baixa já registrada desde o início da pesquisa, em abril de 2017.Após ter caído em março no ritmo mais intenso já registrado pela pesquisa, o volume de novos negócios recebidos pelas empresas catarianas voltou a se contrair em abril. A taxa de queda desacelerou de forma notável, mas ainda se manteve entre as mais rápidas da história da pesquisa. Segundo a S&P, a redução de novos negócios foi ligada, pelas empresas, ao conflito em curso na região, resultando em instabilidade de mercado e menor atividade dos clientes.Em abril, as empresas não relacionadas à energia no Catar permaneceram pessimistas em relação às projeções de produção para os próximos 12 meses. As expectativas negativas foram atribuídas ao conflito em andamento, devido à instabilidade de mercado, à fraca confiança dos investidores e à incerteza geral.“Dito isso, as empresas também mencionaram negociações de paz e uma potencial resolução do conflito como motivos para otimismo. O grau geral de pessimismo enfraqueceu de forma notável ao longo do mês, com 29% dos respondentes relatando sentimento negativo, abaixo dos 70% de março”, informou a consultoria.Assim como nas demais economias da região, as pressões inflacionárias na economia não relacionada à energia se intensificaram em abril. A inflação geral de preços acelerou de forma acentuada para uma máxima de 16 meses e ficou bem acima da média de longo prazo da pesquisa.“Os preços de compras e os salários aumentaram em ritmos mais fortes no mês. Os custos mais elevados foram parcialmente repassados aos clientes, à medida que os preços cobrados subiram pela segunda vez em três meses, ainda que apenas em ritmo modesto.”The post Como as principais economias do Oriente Médio reagiram ao conflito em abril? appeared first on InfoMoney.
