Correção ou “fim do mundo”? Especialistas veem ajuste saudável nas ações ligadas à IA

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Os alertas recentes de líderes da indústria de inteligência artificial provocaram uma onda de vendas em ações do setor nesta segunda-feira e reacenderam um debate em Wall Street: a corrida da IA estaria chegando ao limite ou o mercado apenas passa por uma correção após uma valorização excessiva?A segunda hipótese é a que predomina entre especialistas ouvidos pelo mercado. Embora o discurso mais cauteloso de executivos como Dario Amodei, da Anthropic, tenha levantado dúvidas sobre o ritmo de evolução dos modelos mais avançados de IA, a avaliação geral é que a tecnologia continua em expansão e que o movimento atual está mais relacionado à reprecificação de expectativas do que a uma mudança estrutural da tese de investimento.Análise do Goldman Sachs destaca que os comentários de Amodei, posteriormente endossados em diferentes graus por outros líderes do setor, como Sam Altman e Elon Musk, pressionaram empresas ligadas ao tema, especialmente após o temor de que preocupações com segurança e alinhamento de sistemas levem a regulações mais rígidas e reduzam os múltiplos de valuation das companhias de IA.Apesar disso, a casa afirma que o mercado pode estar exagerando na leitura negativa. Segundo a análise, os próprios alertas dos executivos podem ser interpretados como uma demonstração da velocidade dos avanços tecnológicos. Na visão do banco, dificilmente gigantes como Microsoft, Meta ou mesmo os grupos chineses interromperão seus investimentos, sendo mais provável a adoção de mecanismos adicionais de supervisão e controle do desenvolvimento dos modelos.Para Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás, o cenário está longe de representar um colapso do mercado.“Estamos longe do ‘fim do mundo’. Pelo contrário, estamos no início de uma nova era de desenvolvimento e escala”, afirma. Segundo ele, a IA está acelerando a transição para uma economia cada vez mais digital, marcada pela interação entre agentes autônomos e novos modelos de negócios.Na sua avaliação, parte do pessimismo é alimentada por um ambiente em que mensagens alarmistas ganham visibilidade e atenção. “O medo vende e traz atenção. Em muitos casos, isso acaba atrasando a adoção da tecnologia e prejudicando o processo de requalificação profissional”, diz.O especialista reconhece que a IA é uma tecnologia poderosa que exigirá regulações e mecanismos de proteção, mas afirma que sua adoção já se tornou inevitável diante dos ganhos de velocidade, eficiência e redução de custos proporcionados pelas aplicações da ferramenta.A avaliação é semelhante à de Flavio Terni, cofundador da Revert. Para ele, o mercado passou os últimos anos precificando uma trajetória praticamente perfeita para a inteligência artificial.“Não é fim do mundo, é uma reprecificação. O mercado tratou a IA como uma certeza linear e colocou no preço um cenário de perfeição”, afirma.Segundo Terni, quando os próprios líderes do setor passam a discutir desaceleração e maior cautela, o que sai do preço não é a tese da inteligência artificial, mas o prêmio associado às expectativas mais otimistas.Leia tambémTrump diz que há “conspiração doentia” contra IA e data centers“Já temos um poder CRIMINAL e REGULATÓRIO tremendo sobre essas empresas! Há uma conspiração DOENTIA em andamento contra a IA e os Data Centers, e a única que está feliz com isso é a China.”Na mesma linha, Gabriel Pinheiro, sócio da GT Capital, afirma que a queda recente pode ser interpretada como um processo saudável de retorno aos fundamentos.“A inteligência artificial veio para ficar. O que pode estar acontecendo é apenas uma correção porque os preços avançaram mais rápido do que os resultados”, afirma.Para ele, a tecnologia continua sendo transformadora para diversos setores da economia, mas os investidores voltam a questionar quais empresas conseguirão efetivamente converter os enormes investimentos realizados em geração de caixa e lucro.O Goldman Sachs reforça essa visão ao destacar que as mensagens apresentadas em sua conferência de tecnologia continuam apontando para uma forte expansão dos investimentos no setor. Segundo o banco, Jensen Huang, CEO da Nvidia, reiterou projeções de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões em investimentos globais em infraestrutura de IA até 2030.Além disso, a demanda permanece acima da oferta em segmentos como data centers, energia elétrica e terrenos para novas instalações. O banco também destaca que fabricantes de equipamentos para semicondutores continuam reportando carteiras robustas de pedidos, enquanto aplicações de inferência de IA e o crescimento do volume de dados sustentam perspectivas positivas para o mercado de memória e armazenamento.The post Correção ou “fim do mundo”? Especialistas veem ajuste saudável nas ações ligadas à IA appeared first on InfoMoney.

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