Donos de bares brasileiros em NY se preparam para multidões da Copa e visitas do ICE

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Os últimos meses têm ⁠sido fracos para o Boi Na Brasa, um restaurante brasileiro no coração do bairro ⁠Ironbound, em Newark, região com forte presença latina.As vendas estão em baixa desde que as autoridades de imigração ‌e alfândega dos EUA iniciaram operações de grande repercussão na região no ano passado.Leia tambémFifa enfrenta protestos em Toronto por laços com Israel antes da partida do CanadáManifestantes estenderam faixa sobre o logotipo da Copa do Mundo em uma rodovia movimentadaAssentos vazios na Copa do Mundo reacendem preocupações com preços dos ingressosEnquanto mais de 80 mil pessoas estiveram no estádio Azteca, na Cidade do México, partida em Guadalajara atraiu cerca de 45 mil torcedoresO gerente, Kalani Mubarak, cuja família é dona do estabelecimento, lembra-se de ter visto agentes do ICE prenderem um de seus clientes habituais quando ele entrou para comer.Mubarak ‌não viu o homem desde então. ‘Passamos por um longo período com as vendas no vermelho’, disse ele.Após uma série de demissões e reduções de turnos, Mubarak aposta na Copa do Mundo para trazer o movimento que o restaurante tanto precisa.O estabelecimento está organizando uma festa paga para assistir à partida de estreia do Brasil contra o Marrocos no sábado, com música ao vivo e bar ao ar livre.Mas ainda existem receios de que o ICE possa retornar — ou de que o medo de uma batida possa diminuir a ⁠frequência.‘Tem ‌sido uma preocupação, mas tento dizer às pessoas: ‘Vocês estão seguros aqui, desde que não façam nada de errado”, disse Mubarak.O Brasil, ⁠pentacampeão da Copa, está entre os favoritos para vencer o torneio, e sua fervorosa torcida costuma comparecer em massa aos jogos. Trechos da Ferry Street — principal rua do bairro Ironbound — serão fechados para as partidas, assim como para a celebração anual do Dia de Portugal, evento de três dias que coincide com o primeiro jogo do Brasil.LEIA MAIS: Calendário da Copa: saiba como acompanhar os 72 jogos da 1ª fase sem se perderO medo ainda está aquiMas, à medida que os bares ao longo do quarteirão aumentam sua capacidade e reforçam a segurança, alguns ​empresários nutrem, em silêncio, o receio de que a frequência não corresponda às expectativas.Lembranças das recentes operações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) – que assustaram as pessoas e deixaram estabelecimentos comerciais como o de Mubarak vazios por ​dias — continuam vivas na memória de muitos moradores.‘A Copa do Mundo está revelando que o medo ainda existe, porque ouço meus amigos falando sobre isso, se perguntando se devem vir’, disse Michel De Souza, de 39 anos, torcedor brasileiro que vive nos EUA com visto temporário.O Cozy Sports Bar and Grill, na Ferry Street, viu suas vendas caírem cerca de 75% no ano passado, disse a gerente Andrea Muniz.Mais adiante, no restaurante português de frutos do mar Sol-Mar, a bartender Maria Perez lembrou-se ‌de várias demissões e reduções de horário no ano passado.Segundo Perez, é difícil prever ​a movimentação deste fim de semana. Muitos moradores dependem de usuários de redes sociais que enviam alertas quando agentes do ICE são avistados nas proximidades. Ela afirma que, geralmente, o movimento diminui por alguns dias após um alerta do tipo.As operações do ICE do ano passado foram um ‘trauma coletivo’, disse Hazel ⁠Applewhite, diretora-executiva do grupo de defesa da comunidade ​Ironbound Community Corporation.‘Eles mudaram fundamentalmente o ​funcionamento da comunidade’, disse Applewhite. Em grandes aglomerações, como festas para assistir à Copa do Mundo, ‘as pessoas agora olham em volta em busca de rostos desconhecidos, estacionam ⁠mais longe e planejam rotas de fuga’.A Copa do Mundo ocorre ​em um momento de renovadas tensões sobre imigração em Newark, onde alguns detentos do Centro de Detenção Delaney Hall, nas proximidades, realizaram greves de fome em protesto na esteira de acusações de tratamento médico precário e condições inadequadas. Manifestantes contrários ao ICE têm se reunido no local ​nas últimas semanas, entrando em confronto com as forças policiais em algumas ocasiões.Para as empresas que investiram muito em festas para assistir à Copa do Mundo, os riscos são altos.Durante os dias de jogos da Copa ​do Mundo de 2022, Mubarak disse ⁠que o Boi Na Brasa faturou cerca de cinco vezes mais do que o normal em vendas diárias. Neste ano, ele estocou cerveja suficiente para vender de 800 ⁠a 1.000 caixas durante o jogo de sábado, quatro vezes a quantidade de um dia normal.Além da ameaça do ICE, a segurança é uma preocupação para o evento, disseram os proprietários dos estabelecimentos. Nesta sexta-feira, policiais estavam posicionados em frente à maioria dos locais que planejam receber clientes para assistir às partidas, embora o Departamento de Polícia de Newark não tenha respondido a pedidos de detalhes sobre seus planos de segurança.Mubarak contratou sua própria empresa de segurança e planeja ter 10 seguranças posicionados em várias entradas do restaurante.The post Donos de bares brasileiros em NY se preparam para multidões da Copa e visitas do ICE appeared first on InfoMoney.

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