Depois de avançar nas pesquisas e reduzir a distância para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) entra na última semana antes do primeiro turno diante do desafio de evitar que um erro ou uma nova crise interrompa o movimento registrado nos levantamentos.Na avaliação de João Paulo Machado, analista de política da XP, isso pode levar a campanha a adotar uma estratégia mais cautelosa nos últimos dias.“Do lado do Flávio, eu diria que ele, como está no momento numa foto melhor, é jogar o mais parado possível”, afirmou no Mapa de Risco, programa semanal de política do InfoMoney.Isso não significa desaparecer da campanha. Segundo Machado, a estratégia seria manter Flávio diante do eleitor, mas evitar mudanças bruscas e insistir em temas já utilizados contra o governo.“Não parado sem se apresentar ao eleitor, mas batendo na tecla do antipetismo, do cansaço eleitoral”, completou.Leia tambémLula diz que votar em Bolsonaro é votar em Vorcaro e em ‘quadrilha que assaltou’ INSSA declaração se deu em comício no Recife nesta sexta-feiraEntenda a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e a padroeira Nossa Senhora AparecidaNas redes, senador aproveitou o episódio para criticar Lula e afirmar que o petista “quer se meter até nas regras da Igreja Católica”Última semana aumenta risco de erroA cautela tem uma explicação: acontecimentos inesperados podem ocupar rapidamente o espaço conquistado pelas campanhas. Machado lembra que, em 2022, episódios envolvendo Roberto Jefferson e Carla Zambelli entraram no debate político nos últimos dias da eleição.Com disputa acirrada, Lula busca voto 70+ e cobra eleitorado mais velho nas urnasPara ele, a proximidade entre Lula e Flávio aumenta agora o custo potencial de qualquer fato negativo.“É hora de errar o mínimo possível”, afirmou ao comentar a estratégia da campanha de Flávio.A mesma preocupação existe no campo governista, mas por uma razão diferente. Enquanto Flávio tenta preservar seu momento, Lula procura interromper uma sequência de notícias negativas e recolocar medidas do governo no centro da discussão.Flávio pode explorar frustração com 2022Machado identifica no sentimento de frustração com o governo uma das linhas que Flávio pode explorar sem precisar introduzir novos temas. Segundo ele, pesquisas qualitativas apontam insatisfação até entre eleitores que continuam declarando voto em Lula.A reclamação é resumida por um símbolo utilizado pela própria campanha petista quatro anos atrás.“Uma das maiores reclamações, e até no eleitor que continua votando no Lula, é de que a picanha não veio, de que essa promessa o frustrou”, afirmou.Tabu de 37 anos pode cair? Líder do 1º turno nunca perdeu eleição presidencialPara Machado, Flávio pode tentar fazer em 2026 um movimento semelhante ao realizado por Lula na eleição passada, de transformar a insatisfação presente em uma promessa de melhora futura.Na avaliação dele, o discurso passaria pela ideia de que as expectativas criadas em torno da frente ampla em 2022 não se concretizaram e de que uma mudança de orientação política poderia melhorar a situação econômica.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Por que estratégia de Flávio na última semana pode ser simplesmente não errar appeared first on InfoMoney.
